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sábado, 3 de maio de 2014

Maio: Viva ganha programação especial para celebrar 4º aniversário


 
 No dia 6, é a vez do humorístico "A Diarista" chegar ao canal. Exibido pela TV Globo de 2004 a 2007, o programa mostra as trapalhadas de Marinete (Claudia Rodrigues), que vive se metendo em roubadas causadas pelo seu chefe Figueirinha (Sergio Loroza). O dono da agência "Dia a Dia Diarista" manda suas funcionárias cada dia para uma casa diferente, com vários tipos de patrões - malucos ou avarentos, na maioria. A divertida Solineuza (Dira Paes) é a inseparável amiga da protagonista. Provida de pouca inteligência, foi apelidada de Pôia por Nete. As atrizes Helena Fernandes e Claudia Mello também estão no elenco do seriado.

Para o mês de comemorações, o VIVA também reservou cinco grandes produções nacionais para compor a faixa de seriados, substituindo o horário ocupado até então pelas minisséries. A partir do dia 12, de segunda a sexta-feira, cada dia uma produção ganhará destaque na programação. "Afinal, o Que Querem as Mulheres?" abre a semana. Protagonizada por Michel Melamed, a série mostra um escritor obcecado com sua tese de doutorado em psicologia. Em seis episódios, a atração traz nomes como Paolla Oliveira, Tarcísio Meira, Osmar Prado, Vera Fischer, entre outros. Terça é dia de "Carandiru - Outras Histórias" (2005), que tem Lázaro Ramos, Milton Gonçalves, Caio Blat, Chica Xavier, Alice Braga e Gabriel Braga Nunes no elenco.

"Mulher" (1998), seriado das quartas, aborda o cotidiano de uma clínica especializada no público feminino. As médicas vividas por Eva Wilma e Patrícia Pillar permeiam as histórias. 
 
"A Cura" é a atração das quintas, com Selton Mello no papel de Dimas Bevilláqua, um jovem cirurgião com dons mediúnicos. Para encerrar a faixa, o canal apresenta as aventuras de Pedro (Antonio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia) pelas estradas do Brasil em "Carga Pesada".



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"A Cura" ganhará segunda temporada em 2013




A série "A Cura", uma das obras-primas da TV aberta em 2010, escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, ganhará uma segunda temporada em 2013.

A atração só não foi produzida este ano e nem será em 2012 porque Carneiro está às voltas com "Avenida Brasil", próxima novela das nove da Globo, que estreia em abril.

Assim que a substituta de "Fina Estampa" chegar ao fim, provavelmente no início de janeiro de 2013, a produção da série será retomada. Como na primeira temporada, a direção ficará a cargo de Ricardo Waddington, que, aliás, é o responsável por "Avenida Brasil".

"A Cura" foi elogiadíssima pela crítica especializada, recebendo, inclusive, um prêmio APCA de melhor série. No elenco, entre outros, Selton Mello, Carmo Dalla Vecchia, Juca Silveira, Andreia Horta, Ary Fontoura e Nívea Maria. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Segunda Temporada de A Cura é Adiada

Cura Selton Segunda Temporada de A Cura é Adiada

Apesar da expectativa do público que acompanhou a série e dos planos iniciais da emissora, a segunda temporada de A Cura na Rede Globo deve ficar apenas para 2012. A trama de João Emanuel Carneiro está enfrentando problemas na agenda de seus produtores.

Tanto o autor da história como o diretor Ricardo Waddington já estão envolvidos em outros projetos, o que impossibilita a produção de novos episódios tão cedo. Embora ainda não tenha sido confirmado oficialmente, o adiamento é dado como certo, já que Waddington está envolvido com a próxima novela das seis, Cordel Encantado, enquanto João Emanuel escreve “Filha do Mar”, novela do horário nobre, com previsão de entrar em produção no mês de abril.

Dessa forma, o futuro do protagonista Dimas, interpretado por Selton Mello, continua em aberto. Especulações indicam até mesmo a possibilidade de cancelamento do projeto, no entanto, por enquanto, a trama foi colocada apenas em espera.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

João Emanuel Carneiro torce pela volta de "A Cura"

A primeira temporada de “A Cura” chegou ao fim em outubro, mas os envolvidos no projeto já planejam uma segunda temporada da produção.

O autor João Emanuel Carneiro e o diretor Ricardo Waddington garantem que a história ainda pode render mais. “Espero que continue”, torce João Emanuel.

Há rumores que a segunda temporada da série volte em abril de 2011 com a nova programação do canal, com isso tomaria o lugar da terceira temporada de "Força Tarefa" que ficaria pra meados de julho.

Vale lembrar que João Emanuel também desenvolve a sinopse de sua próxima novela para a faixa das 21h. A trama está prevista para abril de 2012 em substituíção à "Fina Estampa" de Aguinaldo Silva.

sábado, 23 de outubro de 2010

REVIEW: A Cura 1x09



Se cada um dos episódios da primeira temporada de A Cura já foi espetacular, o último episódio fechou com chave de ouro uma obra de arte da TV brasileira e colocou a série no patamar de melhor produto de dramaturgia da História da televisão brasileira e, sem exagero, entre as melhores séries já produzidas em todo o mundo da dramaturgia.

É impossível descrever o sentimento do telespectador enquanto assistia ao desenrolar dos acontecimentos neste último episódio. Cada diálogo, cada cena, cada minuto de suspense levava o público para dentro da história e produzia em cada um de nós os mesmos sentimentos das personagens. Não é fácil citar um momento como o ponto alto desta exibição, pois foram inúmeros os momentos em que o público ficou abismado e boquiaberto com o incrível roteiro criado por João Emanuel Carneiro.

A morte de Graciema (Ana Rosa) caiu como uma bomba em Diamantina e Turíbio (Ary Fontoura) fez questão de lembrar Rosângela (Andréia Horta) que não apenas Dimas (Selton Melo) era responsável pela morte da esposa, mas a própria filha, ao permitir que o curandeiro se aproximasse da mãe. Muito forte a cena em que Turíbio diz a filha: "Você cravou aquela faca em sua mãe, você é a responsável pela morte dela", num show de atuação de Ary Fontoura e Andréia Horta.

Oto (Juca de Oliveira) seguiu seu plano maquiavélico para incriminar Dimas e, aparentemente tudo funcionava. Enquanto isso, ele ordenou a morte de Luis Camilo (Caco Ciocler) emparedado, exatamente da mesma forma como José Silvério (Carmo Dalla Vecchia) fazia no século XVII com seus inimigos. Cena terrivelmente forte de assistir quando Luis Camilo era emparedado e também muito forte quando ele conseguiu se libertar, graças a chuva que deixou o barro mais mole.

Oto, claramente um demônio que ultrapassou gerações, conseguiu atrair Rosângela para a mansão abandonada e a usou de isca para atrair Dimas. Ameaçando a vida da garota obrigou Dimas a curá-lo. Muito boa a cena em que mostrou Dimas pronto para curá-lo e, colocando a faca no pescoço de Oto ameaçando matá-lo para, em seguida, mostrar exatamente a mesma cena com José Silvério gritando para Ezequiel matá-lo e acabar com seu sofrimento. Ezequiel diz que não sabe matar e José Silvério ordena a morte da mãe do garoto, desesperado, ele consegue matar o vilão que comemora, lembra-se da maldição do índio e diz que, a partir dali, a maldição foi transferida para o garoto e eis a explicação de porque os dois se perseguem por tantas gerações.

Ao contrário de Ezequiel, Dimas manteve-se firme e não mata Oto que, irado, foi contra Rosângela e a feriu gravemente e deixou Dimas caído, desmaiado, com a ajuda do avô do médico. Por fim, temos a cena de Dimas numa prisão psiquiátrica recebendo a visita de Luis Camilo que afirma que o tirará de lá para ele curar Rosângela e, juntos, encontrarem Oto para matá-lo. A cena em seguida é a de Rosângela em coma no hospital, a câmera se aproxima dela até que ela abre os olhos e acaba a temporada, deixando claro que teremos a segunda temporada da série em 2011.

Um fim espetacular com um gancho sensacional coloca a primeira temporada de A Cura como a maior produção da história da TV Globo e deixa o telespectador ansioso pela segunda temporada e o desenrolar dos acontecimentos. Enquanto isso, só nos resta aplaudir João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein pelo roteiro excepcional, a Ricardo Waddington pela direção impecável e a todo elenco, sem exceção, pela interpretação impressionante da melhor série brasileira de todos os tempos.

Em tempo: O último episódio de A Cura registrou média de 16 pontos com picos de 18, garantindo a liderança para a Globo. A temporada fechou com média de 16 pontos e a liderança em todos os episódios.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"A Cura" merece continuar


A primeira temporada de “A Cura” chegou ao fim deixando a sensação de que apenas nove episódios foi pouco para um projeto tão ambicioso e bem-sucedido. O programa de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein se apropriou de um formato americano — o de seriado semanal — e construiu uma história totalmente brasileira, com elementos como o curandeirismo, a crendice popular, a mineiridade etc. Os autores se arriscaram nestes temas sem cair no realismo fantástico, ou sequer flertar com o absurdo. Criaram uma história crível do começo ao fim. Nada no roteiro acabou na conta da licença poética.

Como já tinha mostrado em “A Favorita”, João Emanuel não aposta no espectador distraído, ou complacente. Ele escreve para os exigentes, para os atentos que não se deixam enganar por uma trama apenas mais ou menos. Ricardo Waddington fez uma direção seca, evitando os efeitos especiais, e confiando na história acima de tudo.


Quando escolheu gravar com uma parte do elenco de diamantinenses não era gênero: “A Cura” refletiu as cores, a atmosfera, o ambiente moral, o jeito de caminhar local etc. O seriado teve personalidade. A escalação e a direção do elenco foram outros acertos. Todos os atores estiveram bem, sem exceção, de Selton Melo a Carmo Dalla Vecchia, passando por Juca de Oliveira, Ana Rosa, Nívea Maria, Ary Fontoura, Andreia Horta e Caco Ciocler.

Fechado com uma chave de ouro, mas uma chave capaz de abrir uma porta para toda uma trama nova, o programa foi um dos melhores no gênero — se não o melhor — já produzido pela TV aberta brasileira. E não mereceria morrer numa única temporada.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Review: A Cura - 1x08


"A você eu não curo. Nunca" - Dimas "A ti eu não curo" - Ezequiel

Após uma semana sem exibição, A Cura voltou e voltou com tudo. Num oitavo episódio que certamente deve entrar para a história da TV brasileira como um dos mais espetaculares episódios já exibidos entre toda e qualquer série, a produção fez questão de dar inúmeras respostas, desmontar tudo que já estava montado na cabeça do telespectador e surpreender com uma quase-revelação bombástica e que muda completamente os rumos da trajetória dos protagonistas.

Dimas (Selton Melo) viu seu inferno astral começar de vez ao receber de sua mãe Margarida (Nívea Maria) a informação que já não era tão surpreendente assim. Ele é filho de Oto (Juca de Oliveira) fruto da relação extra-conjugal de Margarida. Margarida ficou possessa ao saber que Oto está vivo e até tentar matá-lo ela o fez, mas acabou se acidentando indo escada abaixo.

No hospital, Dimas descobriu que Wesley foi assassinado e sabia que Oto estava vivo e, por conta disso, decidiu voltar até a casa onde seu pai se escondia e, para sua surpresa, viu os capangas que o agrediram o escoltando para um carro. Seguindo o carro, Dimas vê Oto entrando na casa de Gilda, ligando tudo, Dimas a pressiona e descobre que quem matou Cristiano foi Oto.

Em seguida, na melhor cena dos últimos anos e com a melhor performance masculina da década, feita por Selton Melo, Dimas joga na cara de Oto tudo que descobriu sobre ele e, a partir daí, descobre que a aproximação do pai é inteiramente por interesse, pois ele está muito doente, com chagas por todo corpo. Já conseguiram entender? Pois é, Oto - que cogitamos ter sido reencarnado em Dimas e já ter sido a reencarnação de Ezequiel - na verdade é a reencarnação de José Silvério (Carmo Della Vecchia) e aí faz sentido Carlindo (Jackson Antunes) ter afirmado que José Silvério é o assassino de Edelweiss (Inês Peixoto).

Ainda não sabemos como, mas de alguma forma José Silvério - que no episódio foi preso e comprou a liberdade subornando guardas e, mesmo muito doente, voltou a perseguir Ezequiel - e o próprio Ezequiel têm uma ligação profunda que atravessou os séculos e, José Silvério, agora como Oto, insiste em obrigar Ezequiel, no momento no corpo de Dimas, a curá-lo.

A premissa de toda a série - que aliás, parece mudar a cada episódio - se baseia na frase que já citamos acima. Dimas e Ezequiel repetiram a mesma frase e mostraram a total falta de disposição em curar o vilão da história. Enquanto isso, A Cura vai ao último episódio na próxima terça, guardando algumas surpresas - como por exemplo o desenrolar da morte de Graciema (Ana Rosa), assassinada por Oto pouco depois de ser curada por Dimas, e mantendo a atenção do público, além de tentar manter o nível da temporada que, se assim ficar, a coroará a maior série brasileira de todos os tempos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Review: A Cura 1x07


Quanto mais se aproxima do fim mais complexa fica a história de A Cura. Essa foi a sensação de quem assistiu ao 7º episódio da temporada que foi exibido essa semana pela Rede Globo. Mesmo com 07 episódios é impossível se familiarizar com qualquer um dos personagens, é impossível saber quem diz a verdade e quem mente e muito menos possível ter alguma idéia de qual será o desfecho deste intrincado roteiro criado por João Emanuel Carneiro.

Mais do que a complexidade dos significados de cada pista dada pelo autor, o que torna a série ainda mais complicada é saber que há dois grupos que estão claramente divididos. A elite da cidade de Diamantina, controlada pelo Dr. Turíbio (Ary Fontoura) e o pessoal que se manteve durante 30 anos fiel ao Dr. Oto (Juca de Oliveira). Nesses dois grupos percebe-se claramente que não há um mentindo e outro dizendo a verdade, ambos defendem a sua própria verdade, aquilo que acreditam ser o real, e, como não conhecemos toda a história e toda a característica que os rodeiam, ficamos sem saber para qual lado torcer.

O sétimo episódio serviu para revelar muitas coisas, como por exemplo que, quanto mais Dimas (Selton Melo) grita para seus "inimigos" que é um curandeiro, que pode curar as pessoas, menos ele acredita nisso, pois seus conflitos internos se tornam quase impossíveis de conciliar mesmo diante das provas de seu dom. Conhecer Oto e saber que o homem forjou a própria morte e, mais, o acompanhou de longe a vida toda, é extremamente assustador para ele e isso fica claro a cada atitude. Como agir diante de tantas informações desencontradas? Um grupo, que conta com o apoio de sua própria mãe, Margarida (Nívea Maria) afirma categoricamente que Oto é um monstro e mereceu a morte, inclusive com a confissão dos assassinos, o outro grupo idolatra o Oto e apoiou quando o curandeiro forjou a própria morte. Todos mentem, todos mostram falhas no caráter.

Conflito que segue também para João Camilo (Caco Ciocler), sem noiva e descobrindo que não apenas seu pai, mas sua mãe também fez parte da conspiração para matar Oto, ele perde toda a estrutura emocional que contava, sentindo-se completamente sem rumo. E aqui cabe outra indagação: por que a família não contou toda a história a ele, mas contou a sua irmã?

Enquanto isso, no século XVI, José Silvério (Carmo Dalla Vecchia) seguia piorando de sua maldição lançada pelo índio e já dava sinais de fraqueza física para falar e andar. Ainda assim, recebeu uma tropa real e, novamente, tentou enganar a coroa, porém, não conseguiu, pois Ezequiel, aprisionado, conseguiu chamar a atenção do capitão e mostrar diamantes. Será o fim do monstro?

Neste penúltimo episódio vale destacar novamente o roteiro impecável que mostra o tamanho da genialidade de João Emanuel Carneiro, o melhor autor da televisão brasileira na atualidade, além de brindar o público com um elenco afinado e impecável, tão impecável que se torna impossível escolher um destaque, todos estão acima da média. E o destaque mesmo fica por conta da fotografia que nem de longe lembra outras séries brasileiras, estando muito superior.

Quais são os segredos de A Cura? Quem diz a verdade? Quem mente? Oto é um deus ou um monstro? Afinal, foi realmente ele quem deixou a mãe de Rosângela (Andréia Horta) naquela cama e aleijada? Quem é o herói e quem é o vilão? E Dimas? Santo ou problemático? O que está nas sombras de Diamantina neste roteiro que faz um pai matar o próprio filho para que ele não revele tudo que sabe? As respostas - esperamos que boas - encontraremos apenas no último episódio, que será exibido daqui duas semanas, já que na próxima terça não teremos exibição devido ao Debate Presidencial.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

'A Cura' vem registrando baixos índices para a Rede Globo


'A Cura' exibido todas as terças pela Globo, produzida pelo João Emanuel Carneiro o mesmo autor de (A Favorita e Da Cor do Pecado), vem registrando baixos índices esperado por uma produção com boas criticas comparado a séries dos Estados Unidos, o seriado é protagonizado pelo Selton Melo, registrou uma média de 15.3 com picos de 17.5.

Suas antecessoras 'Na Forma da Lei' tinha em média 17 pontos e 'Força Tarefa' 18 pontos.

Os dados são prévios e podem sofrer alterações no consolidado. Cada ponto equivale 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Na reta final, A Cura se destaca entre produtos da Globo


Ainda faltam três episódios para chegar ao fim e boa parte do público já lamenta o fim do seriado A Cura, de João Emanuel Carneiro, exibido nas noites de terça-feira, na Globo.

Com média de 15 pontos de audiência, a repercussão do programa tem sido das melhores. Apesar de não haver confirmação por parte da emissora, nos bastidores já se especula a possibilidade de uma nova temporada.

“A resposta do público tem sido a melhor possível. O trabalho, desde o início, me emocionou. Foi tudo muito intenso”, disse Selton Mello a O Fuxico.

Na história, ele interpreta o médico Dimas, que descobre ter o dom da cura. A trama é mostrada no século XIX, com destaque para o bandeirante Silvério, vivido por Carmo Dalla Vecchia, e em Diamantina, nos dias atuais, destacando o poder de Dimas e ressaltando o jeito típico de cidade de interior, com observações valiosas, como as da fofoqueira Nonoca (Eunice Bráulio), que vive na janela comentando a vida dos moradores da cidade por telefone.

A crítica tem sido bastante favorável e os bons índices de audiência também tem animado a emissora. O seriado anterior - Na forma da Lei – chegou a marcar 20 pontos, mas não deve retornar à grade de programação.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

REVIEW: A Cura – 1 x06


A disputa de poder. Muito mais do que religiosidade, do que fé, do que misticismo e até do que violência, a premissa de A Cura é apenas e tão somente a disputa de poder. Ao menos foi isso que o eletrizante e excelente 6º episódio da série, exibido pela Rede Globo na última terça-feira, nos mostrou. A bem da verdade é que as cortinas para a reta final já se abriram e começam a revelar histórias surpreendentes, além de um enredo muito bem elaborado e instigante.

Se muito do que foi dito sobre Oto (Juca de Oliveira) ao longo de toda a temporada mostrou-se como uma grande conspiração dos inimigos do curandeira, não é possível também afirmar que ele seja um santo. O que se viu no episódio é suficiente para mostrar haver um domínio amplo do personagem entre seus seguidores. Como se passar-se por morto já não fosse suficiente para demonstrar que ele nunca foi assim tão santo, a aceitação que ele tem em ser devotado por alguns personagens da história e o controle – inclusive com ajuda mensal financeira – que ele exerce sobre a vida de muitos é assustadora e mostra que Oto não é assim tão bondoso.

Mas é preciso entender que tudo isso foi mostrado de leve. O telespectador quem deveria concluir as falhas de caráter de Oto, o verdadeiro protagonista da trama, conforme ia assistindo ao 6º episódio e a história do curandeiro ia se revelando. Afinal, após ser pintado como um demônio pela maioria dos moradores mais antigos de Diamantina, agora, ele foi mostrado por Ciro (Rogério Marcico) como um verdadeiro deus – não a toa ele trata o personagem como “pai”, assim como outros devotos. O que se viu, através de um vídeo mostrado por Ciro a Dimas (Selton Melo) e Rosângela (Andréia Horta) foi que todos os inimigos de Oto já foram amigos um dia.

O ponto fundamental da história mantém-se no mistério da “morte”. Afinal, por que o curandeiro precisou se passar por morto? E o que tanto os personagens de Diamantina escondem de seus filhos sobre a nebulosa história de Oto? É isso que Luis Camilo (Caco Ciocler) e Rosângela vão descobrindo aos poucos enquanto também descobrem não estarem mais tão próximos, já que Rosângela parece perdidamente apaixonada pelo namorado de infância e fascinada pelo poder de Dimas.

Dimas aliás que, mesmo curando Carlindo (Jackson Antunes) foi preso por ter invadido o hospital, porém, logo liberado por ter sido comprovado seu poder de cura. O mais impressionante é que quanto mais conhece seu poder, mais confuso Dimas fica. Depois de ter dito claramente que “vai curar”, ele teve outra de suas crises e fugiu dos doentes, não aceitando o que parece ser seu destino.

Enquanto isso, na realidade paralela do século XVIII, Silvério (Carmo Dalla Vechia) tentou a todo custo convencer Ezequiel (Dyjhan Henrique) a curá-lo. O menino, contudo, permanece convencido a não realizar a cirurgia espiritual para curar o vilão. Silvério então dá mais mostras de seu caráter maligno e decide que, a cada vez que o menino der um “não”, ele irá fazer algum escravo sofrer na melhor das pressões psicológicas. Numa das melhores cenas de A Cura até o momento, Ezequiel tenta curar uma escrava que havia sofrido violência e, Silvério chegando em cena, dá mostras de sua crueldade e assassina a sangue-frio a escrava, diante dos olhos da criança com um corte no pescoço da vítima feito por uma faca, numa cena forte e que chocou o telespectador. Após a escrava cair nua e sem vida, Silvério usa a faca do crime para lamber (sim lamber) o sangue da escrava que ficou na lâmina e olhando profundamente para o menino solta a frase que pode ser toda a premissa da série: “Você acha que tem poder? Meu poder é maior que o teu, menino. Quem tem poder sobre a morte é maior do que quem tem poder sobre a vida”. Delicioso texto de João Emanuel Carneiro.

Por fim, já no presente. Dimas no ápice de seus conflitos internos, ainda foi abordado por homens que não creem em seu poder e começaram a agredí-lo. Apanhando, num beco escuro, parecia o fim da linha para o personagem, mas eis que surge o ‘salvador da pátria’ Oto, armado e decidido e o ajuda. E o episódio termina com a revelação bombástica de Ciro para Dimas: “Este, meu neto, é o Dr. Oto”. Faltam somente dois episódios para o fim da espetacular série que parece embrenhada por mistérios difíceis de se compreender.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

REVIEW: A Cura – 1 X 05


“Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”. A frase imortalizada por William Sheakespeare na peça Hamlet serve como base para o extraordinário 5º episódio de A Cura e mostra que, quando uma obra tem como mente o improvável João Emanuel Carneiro, nada é o que parece e não há como se prever qualquer seqüência de acontecimentos.

O episódio exibido na última terça-feira, além de fazer com que a história avançasse bastante em relação a respostas sobre a seqüência de acontecimentos anteriores a chegada de Dimas (Selton Melo) em Diamantina. Tudo que girava em torno do curandeiro Otto (Juca de Oliveira) e Edelweiss (Inês Peixoto) era muito sombrio e sem respostas até a metade da série e foi neste episódio que as respostas começaram a chegar ao telespectador.

Tão surpreendente para Dimas saber que sua mãe, Margarida (Nívea Maria) teve envolvimento amoroso com Otto também foi para o público, afinal, a personagem não é apenas dona de uma loja que vende imagens de Santos católicos, mas é uma devota fervorosa da fé cristã. A cena em que o filho surpreende a mãe com fotos comprometedoras e que ela revela ter tido um caso com o curandeiro é densa, cheia de tensão e com alto nível de atuação da dupla.

Mais do que respostas sobre o mistério em torno de Otto, o episódio 5 de A Cura serviu também para mostrar que há um elo forte, invisível, mas inquebrável entre Dimas e seu primeiro amor, Rosângela (Andréia Horta) e o companheirismo, fidelidade e cumplicidade dos dois, aparentemente, é a única coisa moral, ética e respeitada em toda a história cujos personagens parecem não temer esconder seus segredos e muito menos jogar toda a sujeira de suas vidas para debaixo do tapete.

O grupo de pessoas que até então parecia irrepreensível, foi mostrado como perverso. Por que afinal Turíbio (Ary Fontoura), Antônio (Ferrúcio Verdolin) e suas esposas ocultam tanto a história por trás do curandeiro assassinado antes dos filhos nascerem? A confissão de Antônio a seu filho Luiz Camilo (Caco Ciocler) de ter mandado matar Otto não causou mais estranheza ao telespectador, pois tudo caminhava para isso. Mas e o motivo? Qual o motivo?

No desencontro de eras, o episódio mostrou o grau de crueldade Silvério (Carmo Della Vecchia) que, no desespero para receber a cura do menino Ezequiel, foi capaz de comprar o pobre garoto, vendido covardemente pelo próprio pai. Além disso, seria realmente Silvério capaz de ultrapassar os limites do tempo e surgir no presente para assassinar Edelweiss como acusou Carlindo (Jackson Antunes)? Como explicar isso?

Num dos momentos mais emocionantes, cheios de meandros e respostas sem palavras, A Cura, mostrou novo momento de curandeirismo de Dimas. Convencido por Rosângela, o médico aceita operar espiritualmente Carlindo e o momento da “cirurgia” foi tenso, profundo e cheio de expectativas. Novamente destaque para a atuação de Selton Melo.
Quando tudo parecia realmente caminhar para que Dimas de fato fosse a reencarnação de Otto que, aparentemente já era a reencarnação de Ezequiel, como Ciro (Rogério Marciclo) afirmou para a filha: “Aceite de uma vez que você gerou um curandeiro”, o público é surpreendido com uma revelação bombástica e que muda completamente os rumos da série. O episódio termina com Ciro enigmático, entrando numa casa, aparentemente vazia e abandonada e encontrando-se nada mais nada menos com Otto, vivo e feliz em rever o amigo. Se Otto está vivo, por que todos mentem? João Emanuel Carneiro e seu brilhantismo deixaram o telespectador abismado diante da tela da TV e sem saber mais nada sobre a série e, com mais perguntas, do que a primeira temporada de Lost, fora capaz de produzir.

Este episódio de A Cura veio para mostrar que João Emanuel Carneiro é, de fato, o melhor autor de sua geração, e o melhor dramaturgo brasileiro da atualidade. Após conseguir inovar nas telenovelas com A Favorita, ele consegue, ao menos até o momento, produzir uma série de roteiro impecável e que está anos-luz a frente de qualquer produção brasileira. Esperemos que as respostas sejam tão surpreendentes quanto as perguntas que a série produz.

Em tempo: O 5º episódio de A Cura registrou média de 16 pontos com picos de 18, segundo a prévia.

REVIEW: A Cura - 1X04


E pensar que já se foi metade da excelente primeira temporada - e infelizmente provavelmente a única - de A Cura. O episódio que dividiu exatamente a metade da série mostrou-se o menos maduro, porém, o mais rico em acontecimentos, aventuras e principalmente em conflitos dramatúrgicos que um bom produto televisivo necessita para atrair a audiência.

Após 04 semanas em que o público se viu envolto a um roteiro complexo e, aparentemente sem fios condutores para uma história única, o que começa a ganhar vida é um quebra cabeças muito bem estruturado e que faz total sentido, mais do que simplesmente fazer sentido, é auto-explicativo. Personagens soltos, histórias paralelas que não pareciam ter nenhuma ligação e passado e presente finalmente se encontrando, foram estes os principais focos do episódio de número 04.

Após Dimas (Selton Melo) se descobrir realmente um curandeiro e retornar a Diamantina, o que parecia por si só um evidente sinal de que ele estava disposto a cumprir seu destino, mostrou-se na verdade, mais um momento de profunda confusão e indecisão neste intrínseco roteiro que é sua vida. O médico optou por ouvir os conselhos de Turíbio (Ary Fontoura) e seguir apenas sua profissão de médico. Porém, o destino parece conspirar contra isto e em favor das curas espirituais, pois novamente ele curou uma pessoa praticamente contra sua vontade. A cena em que ele cura a moça acidentada (sem saber que ela tinha leucemia) foi uma das mais bem estruturadas do ano na TV brasileira, apenas pelo olhar de Selton Melo que realmente deu a Dimas um ar de 'possuído' naquele momento, mostrando ser mesmo o maior ator brasileiro de sua geração.

Por outro lado, se torna cada vez mais claro que todos os personagens mais antigos e que vivem em Diamantina guardam segredos terríveis. Todos eles escondem a sete chaves o destino de Oto (Juca de Oliveira) e tudo de podre que houve por trás desta história. O diálogo entre Turíbio e Margarida (Nívea Maria) durante o enterro de Edelweiss (Inês Peixoto) foi interessante, mas causou mais perguntas do que respostas.

Enquanto isso, o passado começa a se ligar ao presente. Silvério (Carmo Dalla Vechia) descobriu o curandeiro mirim e, aparentemente, irá tentar ser curado da maldição indígena. Vale lembrar que em 1768 - tempo em que vive Silvério - o menino realizava curas espirituais usando instrumentos médicos que foram utilizados no presente por Oto e, atualmente, pertencem a Dimas. Já no presente, o senhor que estava na CTI no momento em que Edelweiss foi assassinada conseguiu contar a Dimas e Rosângela (Andréia Horta) que alguém esteve presente no local, e desenhou um chapéu - chapéu este utilizado por Silvério.

Como se vê, o excelente 4º episódio de A Cura trouxe ligações, elos e muitas dúvidas para o telespectador. Mostrou dois fatores muito importantes: Dois objetos tornaram-se fundamentais em busca pelas respostas, o chapéu e os instrumentos cirúrgicos. O outro fator é ligado a estes instrumentos. Seria de fato Dimas a reencarnação de Oto que por sua vez, já seria a reencarnação do pequeno curandeiro de 1768 ou o poder de cura está relacionado apenas aos objetos?

Além de nos brindar com outro episódio acima da média, João Emanuel Carneiro ainda se permitiu encerrar a metade da temporada com o gancho mais espetacular de 2010 colocando Dimas frente a frente com sua mãe num questionamento que todos fizemos: "Qual a relação de Oto com ela? Seria Oto pai de Dimas?"

REVIEW: A Cura - 1X03


Escrever sobre A Cura não é tarefa fácil. Desde o episódio piloto se soube que a série escrita pelo ótimo João Emanuel Carneiro para a Rede Globo seria extremamente complexa e não tão simples de se compreender como a maioria dos produtos da teledramaturgia brasileira.

A proposta de João Emanuel foi apresentar ao público um novo modelo de dramaturgia nacional. Portanto, ao assistir cada um dos episódios é preciso que o telespectador tenha em mente que não está vendo um produto meramente brasileiro e, a premissa fundamental para acompanhar a série é despir-se de qualquer pré-julgamento em comparação aos outros produtos televisivos disponíveis no mercado nacional.

Conseguindo isso, é possível sentar-se e deleitar-se diante de um produto iluminado. A TV brasileira passa por um momento histórico e não necessariamente em repercussão e menos ainda em audiência - principalmente em virtude do horário de veiculação, já que começa as 23h30 por causa do Horário Eleitoral Gratuito - mas no formato e na qualidade.

O 3º episódio exibido na última terça-feira retratou a diferença fundamental de A Cura para todas as outras produções nacionais. Como público estamos acostumados a produtos mais rasos - não necessariamente ruins - e com histórias bem desenvolvidas e nada complicadas de se entender. Por mais que o modelo pareça complicado para as personagens, para o público é sempre fácil acompanhar. Não é o que se vê na excepcional série de JEC.

Após um episódio piloto de apresentação, e um 2º episódio em que o público conheceu a fundo a história de Dimas (Selton Melo) e começou a ficar dividido com os mais diversos sentimentos conflituosos do personagem, A Cura nos brindou com um novo episódio e completamente diferente dos demais. Na prática, não houve nada de importante nas cenas vistas durante todo o episódio, porém, ao analisar mais profundamente, este foi o mais importante e com mais revelações até o momento.

A complexidade dos sentimentos de Dimas foram vistos nas cenas em que ele se leva pela opinião de terceiros e não se aceita como é. Em contrapartida, vemos também o desenvolvimento da história paralela, que acontece no ano de 1728 e que, até então tinha como única ligação com a história principal, o fato de também girar na cidade de Diamantina-MG. Agora já há um laço mais profundo, afinal, fomos apresentados no fim do episódio a Ezequiel, um adolescente que realizava já naquele ano curas milagrosas com o mesmo equipamento médico - principalmente o bisturi - que o tal curandeiro Oto (Juca de Oliveira) usou e que Dimas também vem utilizando. Uma ligação e forte.

Além do que, as cenas mostradas nesta realidade foram bem fortes, com Carmo Dalla Vecchia caracterizado profundamente como um homem doente, tomado de uma maldição lançada por um índio e que sofre por conta disso. Palmas aos maquiadores da Globo por conseguirem tamanha perfeição.

Mas o 3º episódio de A Cura teve como foco principal esteve o tempo todo em Rosângela (Andréia Horta) que decidiu a todo custo provar que Dimas cursou Edelweis (Inês Peixoto) através da cirurgia espiritual. Vemos cenas muito bem escritas e ricas em intrepretação. Quem assiste a série e vê a personagem Rosângela conversando tem certeza que a própria atriz fala daquela forma, como um típica mineira. O retorno de Andréia Horta para a Globo tem sido triunfal.

Após o episódio de terça-feira, um telespectador desatento, desapegado e desinteressado pode ter suspirado e pensado: "O pior episódio entre os três", mas foi o oposto. Este foi o episódio em que tudo começa a fazer sentido e ganhar novas dimensões em A Cura.

REVIEW: A Cura - 1x02


Após um primeiro episódio de apresentação bastante complexo, porém cheio de nuances aprofundados e com seqüências ágeis, principalmente a partir da metade do episódio Piloto, a série global A Cura, de João Emanuel Carneiro teve seu 2º episódio exibido na última terça-feira e mostrou uma história bem construída, com uma narrativa contida e cheia de elementos complexos.

Se o primeiro episódio apresentou personagens e mostrou um mapa da história que seria contada, o segundo episódio mostrou uma veia diferente do autor que, ao contrário de todos os outros trabalhos, optou por uma narrativa mais lenta, porém muito mais aprofundada e complexa. Ao terminar o episódio desta semana o telespectador ficou com uma certeza: não é fácil entender a construção narrativa de A Cura.

Personagens extremamente complexos, com traços de personalidades que nem sempre combinam entre si, além de um roteiro que apresenta uma história não linear, indo contra toda a idéia de narração, e situações que sempre apresentam diálogos extremamente complexos foram marcos nesta semana. Ninguém é apenas o que parece ser. Dimas é um personagem tortuoso com uma história de vida complicada e muito sofrida, porém, o misticismo que gira em torno dele, a possibilidade de ser a reencarnação de um curandeiro e os conflitos que o perseguem, deixam-no extremamente sombrio em alguns momentos e cada texto que sai de sua boca vem com diversos significados e que podem tanto ajudar quanto complicar a interpretação do público.

Além disso, a história que corre paralelamente e mostra um personagem mau e que vive em outra época, porém na mesma cidade, torna tudo mais complexo. Afinal, qual a ligação entre ele e os dias atuais, onde de fato ocorre a história? Em que ponto da história as narrativas se encontrarão e formarão o elo? Essa é a pergunta que não sai da cabeça do telespectador e mantém o interesse constante pela história que é novidade no mundo das séries e um chamariz muito inteligente.

Não se pode abandonar ainda a interpretação de qualidade de todo o elenco. Se em 2009 a Globo surpreendeu ao mostrar uma série com formato teatralizado e um elenco perfeito com Som e Fúria, em 2010 a qualidade de elenco se repete em A Cura com todos muito afinados, inclusive o excelente elenco de atores mineiros. Porém, destaque mesmo para Selton Melo que vem fazendo um trabalho extraordinário, acima de qualquer comparação no ano.

A profundidade de A Cura a distancia completamente do modelo de dramaturgia da TV brasileira. O público foi acostumado a narrativas simples e histórias rasas, portanto, pode ocorrer que alguns telespectadores se afastem confusos. Porém, é esta a profundidade que falta para a TV e que leva muitos espectadores a procurarem produtos importados como as séries americanas. E em matéria de profundidade, complexidade e roteiro bem amarrado e intrigante, A Cura não fica atrás de nenhuma delas.

REVIEW: A Cura - 1x01


Após dois anos e meio de expectativa o autor que revolucionou a forma de se fazer televisão na atual década retornou ao cenário na noite desta terça-feira. Trata-se de João Emanuel Carneiro, rei do horário das 7 ao conquistar audiências impressionantes com Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos e o mais jovem autor a ser elevado ao posto de exclusivo do horário nobre de novelas com a excelente A Favorita.

Desta vez, João Emanuel assina uma série. A Cura. Badalada muito antes de estrear, muito por conta do nome por trás do produto e também por ter o retorno de um dos maiores atores brasileiros que há muito se dedicava ao cinema, Selton Melo. Tanto se falou da série que a expectativa ficou quase insuportável, principalmente após iniciarem as chamadas durante os intervalos da Rede Globo.

Foi muita espera, mas valeu a pena. João Emanuel Carneiro mostrou no episódio de estréia que é capaz de se despir completamente dos vícios e linguagem de um novelista e escrever um roteiro de uma série de verdade. Sem seqüências ou diálogos folhetinescos a série mostrou toda uma estrutura seriada, coisa que a Globo busca há muito tempo e raramente consegue com suas produções que sempre caem no tom jocoso das novelas.

Em A Cura, Selton Melo é Dimas. Um jovem médico que retorna a sua cidade natal, Diamantina (MG) para trabalhar em sua profissão, porém, não será fácil, pois os fantasmas do passado o perseguem. Na infância, uma história mal resolvida dá conta de que Dimas foi responsável pela morte de um amiguinho da escola. Ninguém na cidade esqueceu o ocorrido mesmo sendo muitos anos depois e, no episódio piloto não há afirmações de como ocorreu o provável crime, apenas indícios de que o protagonista cortou o amigo em diversas partes.

A forma como esta história foi mostrada ocorreu de forma lenta e gradativa neste episódio. O telespectador foi se familiarizando muito mais com a personalidade dúbia e confusa do protagonista do que propriamente com o histórico de sua vida. A estratégia do autor, apesar de ser um risco porque poderia tornar tudo monótono, funcionou e levou o público a se interessar pelo drama do jovem médico.

Esta não é a história de A Cura. Este é o pano de fundo para a história principal. Ao que parece, Dimas é a reencarnação de um outro médico. Oto. Que viveu na década de 80 em Diamantina e realizava curas milagrosas nas pessoas. Dimas, aparentemente, conta com o mesmo dom e, por isso, sofre perseguições e vive de forma tão confusa. Para deixar tudo isso ainda mais complexo, o autor nos leva de volta ao tempo em 1766 e mostra a história de um personagem cruel, violento e mau, disposto a tudo para enriquecer através dos diamantes na terra de Diamantina. Já na estreia vimos o personagem defendido por Carmo Dalla Vechia matar o "compadre" pelas costas e cortar a língua de um escravo.

Como é marca registrada de João Emanuel Carneiro, em A Cura, tudo acontece muito rapidamente, portanto, não há tempo para diálogos superficiais e situações que tapam buraco no tempo. Todas as cenas foram muito importantes neste episódio de estréia e serviram para explicar o complexo quebra-cabeças que viaja no tempo e mistura medicina com curanderismo, fé e dramaticidade, tudo em um mesmo caldeirão de muita qualidade.

Se João Emanuel Carneiro é capaz de inovar em novelas, ele provou neste episódio que também o é em séries. Texto primoroso e diálogos complexos, e muitas vezes que passavam desapercebidos pelo telespectador menos atento. Assistir A Cura, aparentemente, será um exercício mental que exigirá muita atenção para ligar tantos pontos que parecem soltos, mas que claramente se unem em determinado ponto da história. Mais do que isso, na série, João Emanuel Carneiro vai ainda mais longe do que já havia ido em A Favorita, quando criou protagonista e vilã que ninguém sabia ser quem. Agora, JEC resolveu criar uma história não-linear no melhor estilo Machado de Assis. E com competência.

Destaque também para a coragem do autor, que já havia dado uma "banana" para o Ministério Público em A Favorita. A Cura mostrou cenas fortes e que raramente são vistas na TV brasileira, mas tudo com o bom gosto e qualidade que são marcas registradas do excelente diretor Ricardo Waddington. Graças a ele, o genial texto tomou forma e foi muito bem construído na tela.

No elenco, não houve destaques negativos, exceção feita a Carmo Della Vechia que não convenceu ainda como o provável vilão da história - se é que seja possível uma história não linear ter um vilão - porém, o grande destaque fica por conta de Selton Mello que, em poucas cenas já mostrou ser realmente um dos grandes atores do Brasil. Uma composição primorosa de seu personagem Dimas e, apenas com um olhar, ele é capaz de transmitir toda a sensação que a cena exige. Um baita talento.

Após este primeiro episódio que, trouxe de volta os geniais ganchos de João Emanuel Carneiro, a sensação do telespectador é de "que chegue logo a próxima terça" porque esperar mais sete dias para assistir novamente A Cura, não será fácil. E, de novo, João Emanuel Carneiro prova que é possível fazer televisão de qualidade.

Em tempo: A Cura estreou com 19 pontos de média, segundo a prévia, com um excelente pico de 22 pontos. Estreou registrando 02 pontos a mais na média que sua antecessora, Na Forma da Lei.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Em novo horário, cai a audiência da série “A Cura”


Na semana passada, a série “A Cura” estreou com boas críticas e audiência em alta, no entanto, em seu segundo episódio exibido na noite desta terça (17/08) não conseguiu manter os índices.

De acordo com dados preliminares, no horário das 23h20 às 0h07, a Globo registrou uma média de 15 pontos, pico de 17 e share de 30%. Neste período, a Record marcou 11 pontos, seguido do SBT 9.

Segundo O Planeta TV em relação à estreia, a série registrou uma queda de cinco pontos. Lembrando que, devido o horário político, foi exibida 30 minutos mais tarde, disputando na íntegra com o reality Ídolos da Rede Record.

“A Cura” mistura violência e misticismo. Conta a história do cruel Silvério (Carmo Dalla Vecchia), um minerador do século 18 que adora matar, e Dimas Bevilláqua (Selton Mello), médico que saiu de Minas Gerais ainda jovem, depois de ser acusado de matar um coleguinha de escola. Mais tarde, vai descobrir que consegue curar pessoas sem fazer uso da medicina tradicional. Silvério é um antepassado de Dimas e as histórias de cruzam ao longo do caminho.

A série é escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bronstein, e dirigida por Ricardo Waddington.

Às terças-feiras, depois do Casseta & Planeta, Urgente, na Rede Globo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Luiza Mariani: 'Lucinha vai ajudar a desvendar mistérios de 'A cura'


Luiza Mariani, a Lucinha de "A cura", contou em entrevista exclusiva ao blog que sua personagem, a dona de um bar em Diamantina, que costuma exagerar na bebida, vai ser peça fundamental na solução dos mistérios que rondam a série.

Irmã de Luiz Camilo, personagem de Caco Ciocler, é ela quem dará a ele as primeiras pistas sobre os assassinatos que ocorrerão na cidade.

- Como ela está sempre bêbada, na rua com o Wesley (Alvaro Chaer), ela começa a sacar o que está acontecendo - adianta Luiza. - E quando ela bebe, acaba contando o que sabe para o irmão.

Longe da TV aberta desde "Cobras & lagartos", exibida em 2006, Luiza conta que se preparou para o papel com a coach Patrícia Carvalho- Oliveira (a Larissa, de "Viver a vida") durante semanas.

- Fazer um bêbado sem cair na caricatura é muito difícil. Ensaiei muito a parte corporal, o gestual - diz a atriz.

Luiza também viu, pelo Youtube, cenas de Heleninha Roitman, personagem de Renata Sorrah na novela "Vale tudo", que foi ao ar entre 1988 e 1989.

- As cenas são incríveis - elogia a atriz, que quis dar um tom cômico à sua personagem. - O tema da bebida não será tratado com dor nem melaconlia. A Lucinha bebe porque fica entediada naquela cidade de interior. E bebe tanto que não anota as comandas dos clientes. Seu bar vai acabar falindo.

sábado, 14 de agosto de 2010

A Cura: Edelweiss (Inês Peixoto) é encontrada com Dimas (Selton Mello)


No segundo episódio de A Cura, que a Rede Globo exibe nesta terça-feira, dia 17, às 23h10, logo após o Casseta & Planeta, Urgente!, Edelweiss (Inês Peixoto) é encontrada em uma cabana afastada com Dimas (Selton Mello). Vários curiosos, entre eles Gildinha (Dayse Belico), mãe do amigo de escola do médico que faleceu na infância, se aglomeram no local. A expressão de todos é de perplexidade: para eles, Dimas voltou a fazer a “loucura” que no passado teria resultado na morte do menino.

A trama é intercalada com cenas que mostram a fragilidade do estado de saúde do explorador de minas de diamante Silvério (Carmo Dalla Vecchia), antepassado de Dimas. Ele dá a sorte de encontrar um médico, Bartolomeu (Felipe Kannenberg), de passagem pelo local onde vive com seus escravos. Mas sua maior preocupação é manter o sigilo sobre a presença de diamantes na região.