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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Globo compra acervo de Dias Gomes


A Globo fechou com a família de Dias Gomes a negociação de compra de grande parte do acervo de obras dele. A composição do pacote é considerada estratégica e, por isso, mantida em segredo, mas a ideia é fazer remakes no futuro. 

De acordo com fontes da emissora, não há planos de curto ou médio prazo de produzir alguma novela dele.

domingo, 10 de julho de 2011

Globo perde direitos das novelas Roque Santeiro e O Bem-Amado

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O autor Dias Gomes, cujos direitos autorais de sua obra voltaram para a família (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo perdeu os direitos dos textos de todas as novelas escritas por Dias Gomes (1922-1999), um dos principais nomes da teledramaturgia nacional. Os direitos agora pertencem aos cinco filhos do autor.

Isso quer dizer que a Globo não pode, sem autorização da família, gravar uma nova versão de novelas e minisséries do escritor, como Roque Santeiro (1985),  O Bem-Amado (1973), Saramandaia (1976), O Pagador de Promessas (1988), Araponga (1990) e As Noivas de Copacabana (1992).

Mas a emissora pode, sim, reprisar essas obras, porque detém os direitos de produção delas. Tanto que o canal Viva, da Globo, reprisará Roque Santeiro a partir de julho.

Os direitos sobre os textos das obras expiraram há mais de dois anos, mas só agora voltaram para as mãos dos herdeiros, porque só em maio último ficou pronto o inventário da morte do escritor.

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Cena da novela O Bem-Amado, exibida pela Globo em 1973 (Foto: Reprodução)

Roque Santeiro no SBT?
Os herdeiros de Dias Gomes estão negociando os direitos sobre os textos com todas as redes abertas. Ou seja, hipoteticamente o SBT poderá realizar um remake de Roque Santeiro se comprar o roteiro original da novela escrita para a Globo e o roteiro da peça de teatro O Berço do Herói, que inspirou a novela.

Ao R7, Alfredo Dias Gomes, filho do dramaturgo e um dos herdeiros, confirmou as negociações e disse estar chateado com a Globo.

“Estamos, sim, negociando com outras emissoras, porque é uma falta de respeito o que a Globo vem fazendo com as obras do meu pai. Em dez anos, o que eles fizeram com as novelas que tinham direito? Nada”, conta Alfredo.

E complementa: “Se a TV Globo é o que é hoje, é graças ao meu pai e minha mãe [Janete Clair, 1925-1983]”.

Alfredo diz que o valor oferecido pela Globo para manter os direitos sobre os textos foi “irrisório”.

“Eles ofereçam um valor muito abaixo do que o mercado pode pagar. Estão fazendo o mesmo que fizeram com as novelas radiofônicas da minha mãe, que acabamos vendendo para o SBT”, desabafa.

O herdeiro confirma ainda interesse da rede de TV mexicana Televisa e de uma produtora de Los Angeles, cujas negociações já estão mais avançadas, para fazer um filme independente baseado na peça de teatro Santo Inquérito.

sábado, 28 de novembro de 2009

SESSÃO AUTORES: Dias Gomes


Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido como Dias Gomes, (Salvador, 19 de outubro de 1922 — São Paulo, 18 de maio de 1999) foi um dramaturgo e autor de telenovelas brasileiro.

Essencialmente um homem de teatro, aos 15 anos Dias Gomes escreveu sua primeira peça, A Comédia dos Moralistas, com a qual ganharia o prêmio do Serviço Nacional de Teatro, no ano seguinte. Em 1942, sua peça Amanhã Será Outro Dia chega às mãos do ator Procópio Ferreira que, empolgado com a qualidade do texto, chama o autor para uma conversa. Embora tivesse gostado do que lera, tratava-se de um drama antinazista e Procópio achava arriscado levar à cena um espetáculo desse porte em plena Segunda Guerra Mundial. Quando questionado se não teria uma outra peça, de comédia talvez, Dias lembrou-se de Pé de Cabra, uma espécie de sátira ao maior sucesso de Procópio até então, e não hesitou em levá-la ao grande ator que, entusiasmado, comprometeu-se a encená-la.

Sob a alegação de que a peça possuía alto conteúdo marxista, Pé de Cabra seria proibida no dia da estréia. Curioso notar que, embora anos depois o autor viesse a se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, até então Dias Gomes nunca havia lido uma só linha de Karl Marx.

Graças à sua influência, Procópio consegue a liberação da peça, mediante o corte de algumas passagens, e a mesma é levada à cena com grande sucesso. No ano seguinte, Dias Gomes assinaria com Procópio aquele que seria o primeiro grande contrato de sua carreira, no qual se comprometia a escrever com exclusividade para o ator. Desse período nasceram Zeca Diabo, João Cambão, Dr. Ninguém, Um Pobre Gênio e Eu Acuso o Céu.

Infelizmente nem todas as peças foram encenadas, pois logo Dias e Procópio se desentenderam por sérias divergências políticas. Refletindo o pensamento da época, Procópio não concordava com as preocupações sociais que Dias insistia em discutir em suas peças. Tais diferenças levariam o autor a se afastar temporariamente dos palcos e ele passou a se dedicar ao rádio.

Foi no ambiente radiofônico que Dias Gomes travou contato pela primeira vez com aquela que viria a se tornar sua primeira esposa, a então desconhecida Janete Emmer Janete Clair. Com ela, teria três filhos: Alfredo Dias Gomes, Guilherme Dias Gomes e Denise Emmer.

De 1944 a 1964, Dia Gomes adaptou cerca de 500 peças teatrais para o rádio, o que lhe proporcionou apurado conhecimento da literatura universal.

Em 1960, Dias Gomes volta aos palcos com aquele que viria a ser o maior êxito de sua carreira, pelo qual se tornaria internacionalmente conhecido: O Pagador de Promessas. Adaptado para o cinema, O Pagador seria o primeiro filme brasileiro a receber uma indicação ao Oscar e o único a ganhar a Palma de Ouro em Cannes.

Em 1965, Dias assiste, perplexo, à proibição de sua peça O Berço do Herói, no dia da estréia. Adaptada para a televisão com o nome de Roque Santeiro, a mesma seria proibida uma década depois, também no dia de sua estréia. Somente em 1985, com o fim do Regime Militar, o público iria poder conferir a novela - que, diga-se de passagem, viria a se tornar a maior audiência do gênero.

Com a implantação da Ditadura Militar no Brasil, em 1964, Dias Gomes passa a ter suas peças censuradas, uma após a outra.

Demitido da Rádio Nacional, graças ao seu envolvimento com o Partido Comunista, não lhe resta outra saída senão aceitar o convite de Boni, então presidente da Rede Globo, para escrever para a televisão.

De 1969 a 1979 Dias Gomes dedica-se exclusivamente ao veículo, no qual demonstra incomum talento.

Em 1972 Dias Gomes levaria o povo para a televisão ao ambientar Bandeira 2 no subúrbio carioca.

Em 1973 escreveu a primeira novela em cores da TV brasileira, O Bem Amado.

Em 1974 já falava em ecologia e no crescimento desordenado da cidade com O Espigão.

Em 1976, com Saramandaia, abordaria o realismo fantástico, então em moda na literatura.

O fracasso de Sinal de Alerta, em 1978, leva Dias a se afastar do gênero telenovela temporáriamente.

Ao longo de toda a década de 80, Dias Gomes voltaria a se dedicar ao teatro, escrevendo para a televisão esporádicamente. Datam desse o período os seriados O Bem Amado e Carga Pesada (apenas no primeiro ano), e as novelas Roque Santeiro e Mandala, das quais escreveria apenas parte.

Viúvo de Janete Clair, que morrera um ano antes, em 1984 Dias casa-se com a atriz Bernadeth Lyzio, com quem tem duas filhas: Mayra Dias Gomes (escritora) e Luana Dias Gomes (atriz).

Nos anos 90, Dias Gomes viraria as costas de vez para as telenovelas, dedicando-se única e exclusivamente às minisséries.

Em meio à preparação de mais um trabalho para a televisão, a minissérie Vargas - baseada em sua peça Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Glória -, Dias Gomes morre num trágico acidente automobilístico, ao sair de um restaurante no centro de São Paulo.

Dias Gomes ocupou a cadeira 21, cujo patrono é o maranhense Joaquim Serra e o atual ocupante é o escritor Paulo Coelho.



Confira abaixo a carreira do autor:

Teatro
* A Comédia dos Moralistas - 1938
* Esperidião - 1939
* Ludovico - 1940
* Amanhã Será Outro Dia - 1941
* O Homem Que Não Era Seu - 1942
* Pé-de-Cabra - 1942
* Zeca Diabo - 1943
* João Cambão - 1943
* Dr. Ninguém - 1943
* Um Pobre Gênio - 1943
* Eu Acuso o Céu - 1943
* Sinhazinha - 1943
* Toque de Recolher - 1943
* Beco Sem Saída - 1944
* A Dança das Horas (adaptação do romance Quando é Amanhã) - 1949
* O Bom Ladrão - 1951
* Os Cinco Fugitivos do Juízo Final - 1954
* O Pagador de Promessas - 1959
* A Invasão - 1960
* A Revolução dos Beatos - 1961
* O Bem-Amado - 1962
* O Berço do Herói - 1963
* O Santo Inquérito - 1966
* O Túnel - 1968
* Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Gloria (com Ferreira Gullar) - 1968
* Vamos Soltar os Demônios (Amor Em Campo Minado)- 1969
* As Primícias - 1977
* Phallus (inédita) - 1978
* O Rei de Ramos - 1978
* Campeões Do Mundo - 1979
* Olho No Olho (inédita) - 1986
* Meu Reino Por Um Cavalo - 1988
* Roque Santeiro, o musical - 1995

Literatura
* Duas Sombras Apenas - 1945
* Um Amor e Sete Pecados - 1946
* A Dama da Noite - 1947
* Quando é Amanhã - 1948
* Sucupira, Ame-a ou Deixe-a - 1982
* Odorico na Cabeça - 1983
* Derrocada - 1994
* Decadência - 1995

Cinema
* O Pagador de Promessas (1960)
* O Rei do Rio (adaptação de O Rei de Ramos) (1987)

Televisão
* A Ponte dos Suspiros - 1969
* Verão Vermelho - 1970
* Assim na Terra como no Céu - 1970/1971
* Bandeira 2 - 1971/1972
* O Bem Amado - 1973
* O Espigão - 1974
* Roque Santeiro - 1ª versão censurada - 1975
* Saramandaia - 1976
* Sinal de Alerta - 1978/1979
* Carga Pesada - seriado - supervisão de texto - 1979/1980
* O Bem Amado - seriado - 1980/1984
* Um Tiro No Coração - minissérie (inédita) - 1982
* Roque Santeiro - 1985/1986
* Expresso Brasil - seriado - 1987
* Mandala - 1987/1988 - até o 35° capítulo
* O Pagador de Promessas - minissérie - 1988
* Araponga - 1990/1991
* As Noivas de Copacabana - minissérie - 1992
* Irmãos Coragem - remake - supervisão de texto - 1995
* Decadência - minissérie - 1995
* O Fim do Mundo - 1996
* Dona Flor e Seus Dois Maridos - minissérie - 1998

Adaptações em outros países
* Así en La Tierra Como en el Cielo - Argentina - 1971
* Sucupira (O Bem Amado) - TV Nacional do Chile - 1996