Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Diretor de 'O Astro' diz que Globo está investindo em novelas mais adultas

Cena do assassinato de Salomão Hayalla, inspirada em Assassinato em Gosford Park
Cena do assassinato de Salomão Hayalla, inspirada em "Assassinato em Gosford Park"

Dinâmica, curta, com diálogos inteligentes, muitas referências cinematográficas, cenas de sexo, ótimas interpretações e uma atmosfera meio kitsch meio retrô. Esta é a novela do futuro. Ou do presente. “O Astro”, remake de Janete Clair no ar na faixa das 23h da Globo foi feita para dialogar com um público diferente do da novela das 21h. É o que diz o diretor de “O Astro”, Mauro Mendonça Filho. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

UOL -  Por que você acha que a Globo resolveu investir em novelas no horário das 23h? Teve influência da alta audiência que as reprises do canal “Viva” têm obtido ou é também para concorrer com outras produções de outras emissoras que vão ao ar no mesmo horário?

Mauro Mendonça Filho - Existe uma demanda por uma dramaturgia mais adulta, na qual os autores possam desenvolver temas mais delicados com certa tranquilidade. Uma novela das 21hs tem classificação de 12 anos. A das 23hs, 16 anos. Aliado a isso, percebeu-se que tem muita gente chegando tarde em casa, a fim de ver novelas e séries. A Globo vem sentindo que precisa dialogar com esse público. Outro dia, o Tiago Leifert, do esporte, falou que ‘não somos mais o País do Futebol, mas o País das Novelas’. Acho que ele está certo.”
UOL -  Então a Globo descobriu um novo segmento de público de novelas, mais jovem, mais sofisticado e com menos paciência para certos clichês da teledramaturgia tradicional?
Mauro Mendonça Filho - Acho que esse público é ávido pela renovação do gênero e celebra as mudanças que dão certo. O sucesso de "Cordel Encantado" é um bom exemplo. Mas os clichês nunca deixarão de existir. Clichê só existe porque funciona, senão não seria clichê.

UOL -  “O Astro” terá 64 capítulos. Você acredita que o futuro das novelas é serem mais curtas?

Mauro Mendonça Filho - A novela longa nunca deixará de fazer parte do cotidiano do brasileiro. Ela é como um companheiro, alguém íntimo. Você vai para a casa, sabendo que vai encontrá-lo. Acho, porém, que esse formato de 60 capítulos também chegou para ficar, pois é uma novela mais ágil, mais dinâmica, sem barriga. Você fica com vontade de não perder nem um capítulo sequer.


Alex Carvalho/TV Globo
Regina Duarte se inspira em cena clássica de Bette Davis no filme "A Malvada" para "O Astro"

UOL -  Na cena da festa que antecede o assassinato de Salomão Hayalla, há uma clara referência a “Assassinato em Gosford Park” de Robert Altman, inclusive na maneira com que a câmera desliza por entre os convidados. Clô Hayalla diz, em determinado momento, “apertem os cintos que a noite será turbulenta”, frase de Bette Davis em “A Malvada”. O assassinato de Salomão também lembra cena de “Watchmen”. Que outros filmes você usa ou utilizará como inspiração na novela?

Mauro Mendonça Filho - Num sentido geral, me inspirei em Pedro Almodóvar, pela renovação do melodrama; em Hollywood dos anos 50, pelo glamour das festas; nas novelas das 22h dos anos 70, pela adequação ao novo horário das 23h; na série “Mad Men”, pelo comportamento sexual no trabalho; em “Hamlet”, pela tragédia após o crime de Salomão; em Quentin Tarantino, que é o rei do retrô; em David Cooperfield, que faz magia com o uso de mídias modernas e em Brian de Palma, que faz suspense, inspirado em filmes do passado. Pincei referências ora aqui, ora ali de filmes como “Ladrões de Bicicleta”, “Lenny”, “Watchmen”, “Caçadores de Emoção”, “Assassinato em Gosford Park”, “Estômago”, “Um Beijo Roubado”. Mas a grande referência é a própria Janete Clair, a lembrança de novelas como “Irmãos Coragem”, “Pecado Capital” e “Pai Herói”.

UOL – Quando você foi criticado no Twitter por suas referências, disse que essa patrulha da originalidade é muito chata. Por quê?
Mauro Mendonça Filho - Quando falo da “patrulha da originalidade” não quero dizer que sou contra a criação original. Falo desse movimento que vem da internet, essa coisa de não deixar passar nada de ninguém, de tudo ser comentado, dissecado e por vezes execrado. Também não sou contra a liberdade da internet, mas sempre onde há excessos, aparece a polícia, o clima de denúncia, de patrulha, que quando não atinge, soa até ingênua. A verdade é que todo o audiovisual trabalha com referências, seja filme, TV, comercial, clipe etc. É uma eterna cadeia. A própria cena do “Watchmen”, na qual me inspirei, vem de uma cadeia. Vou provar:  sou fã absoluto do Alan Moore, não do filme, mas li a HQ umas quatro vezes. Veja o caso do personagem Comedian, o mesmo que é jogado pela janela. Ele foi inspirado em outro personagem de um quadrinho dos anos 1950, chamado Peacemaker. A associação Comedian/Joker (o Coringa do Batman), é fácil de ser feita. Esse Peacemaker foi provavelmente inspirado em algum Flash Gordon ou similar dos anos 30, que se inspirou em Meliés, que se inspirava na literatura infantil do século 19. Que nome dão para a cena da escadaria em “Os Intocáveis”, de Brian de Palma, totalmente igual à cena do “Encouraçado Potemkim” ou a “Dublê de Corpo”, do mesmo Brian de Palma, inspirado em “Janela Indiscreta”? Que nome dão para “Kill Bill”, que é totalmente igual ao original do Bruce Lee? No fundo, soa até engraçado, uma cena de morte de uma novela no Brasil causar essa pequena polêmica, pois ainda estamos a anos-luz dos efeitos especiais das produções do cinema Sci-fi americano. No fim das contas, nada disso tem a menor importância.

UOL - Há muitas cenas de festa em “O Astro” e muitas em outras novelas. Por que as cenas de festa funcionam tão bem?

Mauro Mendonça Filho - Os autores adoram uma festa, onde todos estão reunidos e coisas constrangedoras podem acontecer. Mas a verdade é que dá um trabalho danado gravá-las, pois os atores são muito brincalhões, ficam muito tempo sem fazer nada, a figuração fala alto, toda hora temos que pedir silêncio, ordem. A direção e a equipe ralam em dobro. Mas percebo que funciona. Gosto de fazer uma festa, com a câmera dentro dela, perdida entre os convidados. Em uma festa boa, na vida real, depois de uns goles, a gente perde a referência do tempo e do espaço (e, às vezes, de si mesmo). Procuro passar esse clima.

UOL -  A polícia entrou no caso Salomão Hayalla e, ao contrário de outras novelas, parece mais realista. Foi uma opção estética de ter diálogos e policiais menos estúpidos?
Mauro Mendonça Filho - A gente esbarra no clichê policial, pela tangente. Não acho que estamos tentando ser realistas e sim fazer um Poirot moderno, com o investigador vivido pelo Daniel Dantas, obcecado com a solução do crime. Algo como um “Zodiac”, sem perder o romance, a tragédia. Márcio Hayalla também vai ficar também obcecado com a solução desse crime e se portará como um Hamlet, inconformado. Não faltarão emoções.

UOL -  Não espero que você conte quem será o assassino de Salomão Hayalla, mas espero que você me responda que não vai ser o Felipe [como na versão original], estou certo?

Mauro Mendonça Filho - Isso é segredo de Estado. Só posso adiantar é que haverá surpresas.

*Colaborou Edu Fernandes

sexta-feira, 16 de julho de 2010

‘Só se preocupam com a novela’, reclama Silvio de Abreu


Para Silvio de Abreu, autor de Passione, a queda de audiência da novela das oito "é um movimento natural" da TV aberta como um todo. "Não sei porque só se preocupam com a novela", reclama, lembrando que a produção que a Globo leva ao ar às 21h continua sendo o programa mais visto da TV brasileira.

Nesta entrevista exclusiva, concedida por e-mail, Abreu fala dos resultados das pesquisas feitas há três semanas com grupos de telespectadoras, para avaliar a aceitação da novela. E nega que Gerson (Marcello Antony) seja o pai de Fátima (Bianca Bin). Confira:

R7 - Segundo pesquisas feitas pela Globo, parte do público da novela das oito estranhou o que chamou de ritmo alucinado de Passione. Não é um contra-senso ter que puxar o freio numa época em que os seriados americanos arrastam parte do público, o mais jovem, para uma narrativa ainda mais frenética?

Silvio de Abreu - Não sei se é contra-senso ou não, só sei que a novela vai continuar como está. É claro que as observações do grupo [de discussões, que fez parte das pesquisas] foram importantes, mas Passione já está em uma outra fase de narrativa em que algumas histórias são privilegiadas por um período, sem que as outras percam o interesse.

R7 - O que de fato mudou em Passione por causa da audiência abaixo dos 40 pontos?

Abreu - Nada. Como já disse a novela já está mais concentrada desde o final do primeiro mês no ar, capítulo 24, e nem por isso perdeu o seu ritmo inicial. É só assistir e observar.

R7 - Quais tramas foram para o centro? Quais tramas vão ficar de molho por algum tempo?

Abreu - O molho nunca é por muito tempo. Todas as tramas estão sendo desenvolvidas ao mesmo tempo, umas ocuparão mais espaço do que as outras, por algum período, mas o revezamento será sempre constante.

R7 - O que o público pesquisado disse sobre a suspeita de Gerson (Marcello Antony) ser pedófilo ou homossexual?

Abreu - O público está muito curioso com relação ao que ele chama de "O segredo de Gerson". Isso prova que a novela tem interessado, e muito. [As pessoas que participaram da pesquisa] Discutem a possibilidade de ele ser isso ou aquilo, mas quando a pesquisa foi feita já sabiam que ele não era nem pedófilo nem homossexual. Apostavam então que ele fosse estéril, mas como isso já foi dito no ar, depois da pesquisa, que ele também não é, agora devem estar pensando que ele é hacker, como eu já li em algum lugar...

R7 - O que as donas de casa pesquisadas preferem que Gerson seja?

Abreu - Não perguntamos sobre isso. Mesmo porque eu já sei o que ele é desde a sinopse e isso não vai mudar.

R7 - A repórter Laura Mattos, da Folha de S.Paulo, descobriu que o segredo de Gerson é a paternidade de Fátima (Bianca Bin) e que ele procura obsessivamente, na internet, imagens da filha. Você vai mudar a história?

Abreu - Não sei que sinopse Laura Mattos leu. A que eu escrevi e envie à Globo não fala isso. A minha resposta cheia de pontos de interrogação não era uma afirmação, era só uma brincadeira em cima da especulação que se criou em torno de Gerson. Não vou mudar nada da história que planejei e não posso ser responsável pelas especulações que fazem sobre os personagens e tramas da novela.

R7 - As pesquisas mostraram que as telespectadoras torcem para que você torne Clara (Mariana Ximenes) em uma pessoa boa. Por quê? Você vai atender à torcida?

Abreu - Clara tem uma grande empatia com o público, além do carisma e talento de Mariana Ximenes, porque é uma vilã com ampla justificativa. Ela foi explorada pela avó, cresceu num ambiente hostil, mas tem um pronunciado lado bom ao se preocupar com a irmã, não querendo que Kelly (Carol Macedo) sofra o mesmo que ela sofreu. Isso faz com que as pessoas vejam nela uma grande chance de redenção. Mas quem colocou essas atenuantes no seu caráter para que o público gostasse dela foi o autor, portanto tudo está correndo como o previsto. Agora, se ela vai ficar boa ou não, eu não falo.

R7 - O sr. acredita em pesquisas? Faz todas as mudanças que elas sugerem?

Abreu - As pesquisas são excelentes para saber se a novela está se comunicando bem com o seu público, se eles estão com alguma dificuldade de entendimento, ou se existe alguma rejeição forte com relação a algum tema ou personagem. A única dificuldade apontada em Passione está realacionada à velocidade da narrativa.

R7 - É mais difícil escrever novelas hoje do que, por exemplo, nos anos 1980 e 1990? Por quê?

Abreu - É a mesma coisa. Novela é um produto específico e muito trabalhoso.

R7 - Em 2006, para citar uma novela sua, Belíssima trafegava no trilhos dos 45 aos 50 pontos (e, muitas vezes, até mais de 50). Hoje, é difícil uma novela das oito se manter entre os 35 e os 40 pontos? O que aconteceu em apenas quatro anos?

Abreu - Não tenho a menor idéia. O que eu sei é que a novela das oito ou das 21h continua a ser o programa de maior audiência da televisão brasileira. Ou seja, esse é um movimento natural. Não sei porque só se preocupam com a novela.

R7 - Tem muita gente hoje assistindo à sua novela fora do horário em que ela vai ao ar ou em outra mídia, como a internet?

Abreu - O número de acessos diários no site de Passione já chega a um milhão de internautas. É muita gente interessada na novela e, não posso afirmar isso, mas imagino que muitios assistem aos capítulos no computador.

R7 -Você vai mesmo voltar a dirigir filmes depois de Passione? Qual será o projeto?

Abreu - Toda vez que penso em voltar a dirigir cinema me dá uma grande preguiça. Vamos ver quando acabar a novela.

R7 - Escrever novela não é muito mais trabalhoso do que dirigir um filme?

Abreu - É diferente, no momento prefiro escrever novela. Como já disse, quando acabar eu penso no assunto.

domingo, 25 de outubro de 2009

ENTREVISTA: Carla Marins


Um ano depois de viver exclusivamente para o filho, Leon, fruto da união com Hugo Di Martino, Carla Marins — conhecida por suas atuações na Globo (a última foi no seriado ‘Faça sua História’, como Adalgisa, mulher de Osvaldir (Vladimir Brichta) — assinou com o SBT para ser protagonista de ‘Uma Rosa Com Amor’, de Tiago Santiago e direção de Del Rangel.

Como surgiu o convite do SBT?
Del Rangel, que me dirigiu em ‘Bebê a Bordo’, minha segunda novela na Globo, me convidou. Ser protagonista é mais um desafio e, quanto mais trabalho, a gente fica mais feliz. Além do que, vou interpretar a Serafina, papel que foi vivido pela Marília Pêra em 1972.

Foi uma proposta irrecusável?
Sim. Mas não foi apenas pelo dinheiro. Se eu não acreditasse artisticamente, não aceitaria o convite. Posso dizer que o pacote me seduziu.

Como vai conciliar a novela e os cuidados com Leon?
Vou levar o pimpolho comigo. Estou muito feliz porque dia 16 de outubro ele fez 1 ano. Durante esse período me dediquei só a ele. Foi maravilhoso e prazeroso vivenciar a maternidade. Leon é saudável, sociável, não estranha ninguém. Mulher não é só mãe e esposa, é também profissional. E é importante que todas as instâncias da vida sejam realizadas.

Você é uma mãe babona?
Minha vida era focada em mim, na minha carreira. Ser mãe é olhar para o outro. É uma fonte de amadurecimento. Não tem desafio maior do que criar um filho. Agora é que estou voltando a olhar para mim.

Vai se mudar para São Paulo?
Ficarei em um hotel. Enquanto estiver gravando, minha mãe, Helena, avó-coruja, ficará com ele e a babá. Não é pra sempre. As oportunidades acontecem e a gente tem que viver o momento.

Acha que ainda existe muito preconceito com relação às novelas das outras emissoras, já que a Globo é considerada a melhor?
É inegável que a Globo tem um padrão de qualidade. Eles são muito bons no que fazem. Mas acho que as pessoas assistem às novelas das outras emissoras.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ENTREVISTA: Tiago Santiago garante ter trunfos para atingir 20 pontos com novelas no SBT


A novela Uma Rosa com Amor, adaptação da obra original de Vicente Sesso, vem sendo escrita a todo vapor para ser lançada no SBT. Dividido entre seu apartamento no Rio de Janeiro e um flat em São Paulo, o autor Tiago Santiago – completamente desvencilhado das tramas sobrenaturais que marcaram os últimos anos de sua carreira com a trilogia de Os Mutantes – idealiza novas sequências da comédia romântica que estreia em janeiro de 2010.

No início da semana, Santiago participou de um almoço em São Paulo com Sesso, que recebeu o primeiro capítulo da trama para a avaliar a maneira com que ela vem sendo conduzida.

Em entrevista a O Fuxico, Santiago afirmou que tem uma estratégia secreta para alavancar a audiência da emissora de Silvio Santos e abalar a concorrência. Confira.

O Fuxico: Silvio Santos e Vicente Sesso viram algum capítulo da adaptação de Uma Rosa com Amor?
Tiago Santiago: Assim que finalizei o primeiro tratamento do primeiro capítulo, almocei com Vicente Sesso. E, claro, agradeci por ele ter autorizado que eu adaptasse sua trama. Ainda não tive esse feedback, mas estou muito animado.

OF: Você vem sempre a São Paulo para se reunir com Silvio Santos?
TS: Tenho vindo bastante para cá. Hoje mesmo, estou escrevendo do 27º andar de um flat da Alameda Santos, de onde vi um magnífico pôr-do-sol, sobre esta linda e poderosa cidade, que mais uma vez me atraiu. Falo sempre com o Silvio. Aliás, vou gravar uma participação no programa dele. Também tenho conversado com a Íris Abravanel.

OF: Você tem acompanhado as novelas da concorrência?
TS: Claro! Preciso sempre me manter atualizado. Informação é essencial. Fico de olho nos acertos e erros, para aprender cada vez mais sobre este mercado da tevê.

OF: As audiências das novelas da Record despencaram. O que acha que ocasionou essa queda?
TS: Uma série de fatores que não quero comentar. Afinal, não sou mais consultor de teledramaturgia da Record. Meu contrato agora é com o SBT.

OF: Você e Silvio Santos planejam alcançar alguma média de audiência?
TS: Não posso responder pelo Silvio, mas pretendo trabalhar para atingir média acima de dois dígitos. Temos trunfos e estratégias secretas, que em breve serão conhecidas, para atingir uns 20 pontos. O que está acontecendo no mercado é acirramento da concorrência. Quem tiver competência se estabelecerá. Quem não tiver, vai tremer.

OF: Há poucas semanas, você declarou a O Fuxico que estava negociando com grandes nomes da teledramaturgia. Já fechou contrato com alguém?
TS: Não posso adiantar nada sobre esse assunto. Qualquer informação pode nos atrapalhar. Aguardem...

OF: Algumas emissoras estão investindo muito mais em reality shows que em novelas. Como avalia essa situação?
TS: Ouço falar disso desde que começou a onda reality, há uns dez anos. E, a cada ano, vejo mais novelas no ar. Não creio que haja crise neste mercado. Há evidente expansão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Entrevista: Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann.



Entrevista com as três atrizes principais da novela Três Irmãs.

ENTREVISTA: Antonio Calmon


O surfe sempre foi um tema que Antonio Calmon gostou de abordar. Não é à toa que o esporte esteve presente em dois filmes, no seriado ‘Armação Ilimitada’ e em quatro novelas. “É uma temática ‘aventuresca’ que eu gosto de abordar e acho que estava na hora de revisitá-la. E, antes que me perguntem, eu não sou surfista, só peguei onda ‘de jacaré’! Não tenho amigos surfistas, nunca freqüentei nem freqüento o meio! Mas ia sempre ao Arpoador, tenho olhos, ouvidos, cérebro e imaginação”, brinca o autor.

Aos 19 anos, Calmon abandonou a Escola de Sociologia e Política da PUC para ir atrás de uma das suas maiores paixões: o cinema. Sua filmografia inclui 12 longas-metragens, dentre eles se destacam participações como argumentista, diretor ou roteirista de obras como Eu Matei Lúcio Flávio (1979), Menino do Rio (1982), Garota Dourada (1983). Segundo o autor, em ‘Três Irmãs’, há referências de vários filmes. “Eu sou cineasta e sou cinéfilo. Cinema é uma constante na minha vida, assim como a leitura. Então, a referência ao cinema é inevitável”, destaca Calmon.

Em 1985, foi convidado por Daniel Filho para trabalhar na TV Globo, integrando a equipe de roteiristas do então inovador “Armação Ilimitada”. Pouco depois, começou a escrever novelas. Sua estréia foi “Top Model” (1989), ao lado de Walther Negrão. Dentre seus maiores sucessos da teledramaturgia estão “Vamp” (1991), “Olho no Olho” (1993), “Sex Appeal” (1993), “Cara & Coroa” (1995), “A Justiceira” (1997), “Corpo Dourado” (1998), “Um Anjo Caiu do Céu” (2001) e “O Beijo do Vampiro” (2002).

Com ‘Três Irmãs’, Calmon quer divertir o telespectador: “Quero dar 40 minutos de alegria, humor, beleza visual, sonho e romance. Não acho que isso seja alienar as pessoas. Acredito que é dar um respiro, uma folga, um alívio”.

Qual é o tema central de ‘Três Irmãs’?
Antonio Calmon: “Três Irmãs” é uma comédia romântica que tem dois vértices. De um lado, ela obedece aos padrões tradicionais de novela. Tem um tema basicamente feminino e, por outro lado, tem o surfe, uma temática que eu gosto de abordar. Eu quero atrair dois públicos: as donas-de-casa e a garotada. Para isso, localizei essa família de mulheres numa cidade que é um point de surfe e misturei a vida delas com a desses surfistas. No mais, é uma novela basicamente cômica, com elementos de melodrama que são necessários para fazer a trama andar. Até os vilões são engraçadíssimos.

Onde busca referências para criar seus personagens, suas histórias?
Antonio Calmon: Cada vez mais eu pego referências em minha própria biografia, fatos pessoais. Cada autor tem um estilo, sua praia. A partir de uma certa idade, você começa a se inspirar na sua própria vida. Eu me inspirei nos meus avós para criar a Virgínia e o Augusto, inclusive os nomes. A minha avó Virgínia era uma mulher simples, do interior do Espírito Santo, que se tornou pastora da igreja Batista e formou oito filhos. Meu avô Augusto era um boêmio, fazia filhos e sumia. Era adorável, irresistível. Eu quis colocar a história dessa mulher, que formou e criou sozinha as filhas, e destacar a união entre elas.

Você sempre escreveu novelas das 19h. Qual a maior dificuldade deste horário?
Antonio Calmon: Cada horário de novela tem suas características, suas peculiaridades, suas dificuldades. E cada autor tem uma praia. A minha é essa: o horário das 19h. Uma das diferenças deste horário em relação aos demais é o público, que é muito diversificado. As pessoas estão chegando, saindo, preparando jantar. É muito difícil captar a atenção delas. Por outro lado, o horário das 19h me permite brincar com a imaginação. Você tem muito mais liberdade, pode ser mais leve e brincar com a história.

O personagem Augusto, interpretado pelo José Wilker, tem um pouco do realismo fantástico do Dias Gomes?
Antonio Calmon: Essa novela é uma homenagem ao Dias Gomes, que sempre foi absolutamente gentil e correto comigo. Eu adoro as coisas que ele fez. Dias Gomes é indiscutivelmente o autor do maior sucesso da televisão brasileira, ‘Roque Santeiro’. Estou revisitando esse universo, através da cidadezinha, das coisas meio mágicas, meio estranhas, que acontecem nela. No meio da novela, Augusto chega à cidade com outro nome e fica a dúvida sobre quem ele realmente é: se é o Augusto, um sósia, uma figura negativa. Como aconteceu em ‘Roque Santeiro’. O Glauco, personagem do Guilherme Piva, por exemplo, é dono de uma funerária que está indo à falência, porque ninguém morre na cidade. Toda vez que alguém está doente, ele fica na porta que nem um urubu, para ver se a pessoa morre.

Você fala muito da luta do bem contra o mal. Como ela será mostrada em ‘Três Irmãs’?
Antonio Calmon: A luta entre o bem e o mal é inevitável, é um elemento das novelas. Em ‘Três Irmãs’, eu transformei essa luta do bem contra o mal numa luta pela ecologia, encabeçada pelos surfistas Zig (Brenno Leone) e Thor (Caio Vaz). Vamos focar muito na defesa da praia que os vilões querem não só tomar da população e ocupar, como também fazer uma grande negociata com o dinheiro público.

Logo no primeiro capítulo, a personagem Natalia (Cecília Dassi) fica grávida. Alma (Giovanna Antonelli) é uma ginecologista que trabalha no ambulatório de Caramirim. Como você vai abordar questões como gravidez na adolescência e saúde da mulher?
Antonio Calmon: Eu não me programo sobre os temas que vou abordar. As tramas saem naturalmente, porque eu me informo, leio jornal, livro, vejo televisão. Na história, Natalia tem 17 anos. No mundo real, tem casos de gravidez muito mais cedo do que eu estou mostrando. Outra questão que surgiu com naturalidade foi a da saúde da mulher. Como eu tenho uma experiência prévia do seriado ‘Mulher’ e a personagem da Giovanna será uma ginecologista, vamos falar sobre o problema seríssimo de HPV e do câncer de mama. As pessoas na cidade de ‘Três irmãs’ têm vergonha de fazer o exame, porque o único médico da cidade é homem. A Alma vai tentar vencer essa resistência.

Como é sua relação com o elenco?
Antonio Calmon: Gosto de me reunir com os atores antes da novela começar. Chamo de vestir o personagem para o ator. Ou seja, chamo a atriz e quero ver como ela está ou conhecê-la, se for o caso. Eu quero ouvir a sua voz para saber como escrever os diálogos. Quero saber o que ela está achando do personagem, o que gosta mais, o que gosta menos, se tem alguma idéia. Cada encontro me dá umas cinco idéias de trama e me enriquece muito. Eu adoro ator inventivo. Eles já chegam cheios de idéias. A Dora tinha um tom mais pesado, mas a Cacau (Claudia Abreu) me convenceu a mudá-la. Chegou cheia de idéias e, inclusive, com uma sugestão de trilha sonora para a personagem. Acho isso comovente e incorporo à trama. A Regina Duarte, por exemplo, mudou o personagem dela e nós topamos porque ficou muito divertido. Este será o primeiro personagem, desde a Viúva Porcina, que sai do “padrão Regina Duarte”. Ela vem a mil por aí, cheia de gás. É um personagem que estamos fazendo juntos, em um trabalho coletivo.

Como é a escolha da trilha sonora?
Antonio Calmon: Eu participo muito da trilha sonora da novela. Tenho reuniões para decidir o tema de abertura, as trilhas incidentais. Haverá uma novidade: pela primeira vez, os dois discos serão mistos: nacional e internacional. E já adianto: a trilha de ‘Três Irmãs’ será bem diversificada.