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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Último capítulo de “Amores Roubados” consolida 27 pontos

Anúncio de "Amores Roubados": minissérie saiu de cena consagrada
Anúncio de “Amores Roubados”: minissérie saiu de cena consagrada


Exibido na sexta-feira, 17, o último capítulo de “Amores Roubados” obteve média de 27 pontos. Os dados são consolidados. A marca é dois pontos a mais do que a prévia. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo.

Apesar de não ser a maior média, os 27 pontos superam as audiências dos capítulos de terça (14), quarta (15) e quinta-feira (16), que alcançaram 25 pontos. A minissérie atingiu o seu maior ibope na segunda, 13, quando cravou 32 pontos. Na ocasião, Leandro, personagem de Cauã Reymond, acabou caindo numa emboscada e morrendo.

Com o índice, “Amores Roubados” chegou ao fim com média-geral de 28,2 pontos, uma marca e tanta para os atuais padrões da Globo. Para se ter uma ideia, é o melhor resultado desde “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor (2010), de Maria Adelaide Amaral, que obteve 29,4 pontos.

Escrita por George Moura e dirigida pelo José Luiz Villamarim, “Amores Roubados” saiu de cena elogiadíssima pelo público e crítica.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Último capítulo de “Amores Roubados” atinge média de 25 pontos

Cauã Reymond e Isis Valverde: "Amores Roubados" chega ao fim consagrada
Cauã Reymond e Isis Valverde: “Amores Roubados” chega ao fim consagrada


A excelente “Amores Roubados” chegou ao fim nessa sexta-feira, 17, de forma arrebatadora. A minissérie de George Moura (roteiro), José Luiz Villamarim (direção geral) e Walter Carvalho (direção de fotografia) manteve até o último segundo o desfecho do sommelier Leandro (Cauã Reymond).

Assim como ocorrera no livro, “A Emparedada da Rua Nova”, de Carneiro Vilela (1846 – 1913), que originou a minissérie, Leandro fora assassinado após uma emboscada provocada por Jaime Favais (Murilo Benício) – no entanto, o Don Juan do Sertão acabou caindo de um penhasco com um carro, em vez de ser morto com um tiro na cabeça.

Em relação ao enredo original, a Globo optou por dar outro desfecho a Antonia (Isis Valverde), que grávida de Leandro, acabou tendo o rebento e batizando-o com o nome do pai. No entrecho de Vilela, a mocinha, como o próprio nome entrega, acaba emparedada viva e grávida.

Jaime também ganhou outro final na adaptação televisiva. O coronel acabou despencando de um penhasco ao descobrir a gravidez de sua filha. Isabel (Patrícia Pillar) retornou ao fim, com o neto já nascido, após ser internada numa clima psiquiátrica. Cavalcanti (Osmar Prado) e Celeste (Dira Paes) acabaram reconciliados.

No ar das 23h05 às 23h55, “Amores Roubados” atingiu média de 25 pontos com 49% de share (porcentagem de televisores ligados) em seu último capítulo. É uma marca e tanto para o dia e horário de exibição. Os dados são preliminares, e podem sofrer alteração no consolidado. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.

Amores Roubados – Capítulo 10 [Final]




Tocante… Grandioso… Estupendo… Este capítulo final colocou “Amores Roubados” definitivamente na história da teledramaturgia brasileira.

Quem leu minhas últimas nove críticas sobre “Amores Roubados” sabe que, durante todo o seu percurso, eu fui um fã incondicional de todo o trabalho que George Moura e José Luiz Villamarim estavam nos entregando. Tamanha era a minha admiração pela minissérie que, em determinado momento, não sem razão, fui acusado por um leitor de uma excessiva adjetivação da obra.

Admito, sou culpado disso. Sou culpado de admirar inteiramente uma obra que em todos os seus aspectos técnicos e textuais, em suas atuações, em sua trilha sonora, em todos os seus mínimos detalhes demonstrou o esmero de sua equipe de produção em entregar um produto de qualidade para o público. Público este tão acostumado com o comum, o vulgar, o mediano… Ainda assim, utilizei o meu nem tão amplo vocabulário de adjetivos apenas para tentar mostrar em palavras aquilo que era impossível: a magnitude de sentimentos que “Amores Roubados” despertava em mim.

Mas em respeito aos meus leitores e em busca de uma objetividade, diante deste capítulo final arrebatador, decidir utilizar apenas os três adjetivos que abriram esta derradeira crítica: TOCANTE (adj. Comovente, emocionante), GRANDIOSO (adj. Com grandeza, com magnificência, imponente, nobre, sublime) e ESTUPENDO (adj. Que ocasiona assombro; que causa admiração; extraordinário. Que exprime ou provoca espanto por ser grandioso; descomunal. Maravilhoso; surpreendente, fantástico. Monstruoso; assombroso ou espantoso. Extraordinário; fora do comum, excepcional) e tentarei definir “Amores” com apenas estes três adjetivos. Árdua tarefa.

Desde que se assumiu como um thriller, “Amores Roubados” entrou em uma trama policial ágil, direta e quase sem rodeios. Desta forma, este último capítulo começou exatamente do onde paramos ontem, com a descoberta de Antônia de que o pai fora o responsável pela morte de Leandro. Poucos minutos depois o episódio já dava sinais de como seriam as coisas dali em diante, com Bigode atirando contra Fortunato e Antônia gritando contra ele e João.

Era a hora da verdade. Era a hora de finalizar as tramas. Atar os nós. As pessoas diretamente ligadas a Leandro Dantas teriam seus destinos selados de uma vez por todas.

A começar pela primeira grande amante de Leandro, Celeste. Fogosa, impetuosa e inconsequente, Celeste nunca amou Leandro – apesar do que suas cartas diziam – sentindo apenas uma obsessão, sentindo-se dona do rapaz, o que refletia bem sua personalidade possessiva, de mulher rica, poderosa, que sempre teve tudo o que quis na vida. Cavalcanti, de certa forma, fora culpado também pela traição que sofrera, por paparicar demais a mulher a vida toda. E acredito que até pelo grau de envolvimento que Celeste teve com Leandro, que nunca foi tão sentimental e sim carnal, ela foi a personagem que menos teve o seu destino impactado pelo sommelier. Seu final, apesar dos pesares, foi feliz. Celeste sofreu sim quando o marido descobriu a traição, mas não sofreu nada mais do que merecia sofrer pela sua inconsequência… Talvez por isso, no final, deixou de lado a impetuosidade e tornou-se mais humilde ao enxergar aquilo que realmente valia a pena. O que sempre valeu. Sua família. E assim, balançados, mas unidos, nos despedimos dos Cavalcanti.

Outra mulher com seu destino eternamente atrelado ao de Leandro, mesmo que não tenha sido sua amante, foi Carolina. O relacionamento dos dois começou de maneira terrível mas foi evoluindo, e ouso dizer ser um dos relacionamentos mãe/filho mais bonitos que já vi na televisão brasileira. No auge das perseguições, segredos e reviravoltas que tivemos nos últimos capítulos não tivemos tempo para parar e refletir sobre os últimos momentos de Leandro. E a verdade é que seu último grande ato foi perdoar e ser perdoado pela mãe.

Lembro-me bem a emoção que a cena do pedido de perdão me causou e, ainda com aquela ela clara na minha cabeça, me arrepiei completamente quando vi a última cena de Carolina, que foi igualmente tocante, arrebatadora. E assim nos despedimos desta personagem da incomparável Cássia Kis Magro, e foi neste momento que “Amores Roubados” tornou-se TOCANTE.

Mal tínhamos visto a segunda chance dada à família Cavalcanti – representada pela cena de Celeste, Roberto e Thiaguinho brincavam felizes – e já fomos lançados para a sequência entre Carolina e Fortunato. A dor já me atingiu naquele momento, pois assim como Fortunato, eu me senti ali diante de Carolina incapaz de comunicar a ela o que de fato ocorrera com seu filho. No fundo, Carolina sabe que não voltará a ver Leandro. Ela é mãe. Seu coração provavelmente já lhe dizia a verdade. Não cabia a Fortunato lhe contar isso. Sobretudo depois de ouvir Carolina dizer que só seria totalmente feliz com o filho…

E neste momento – o primeiro momento realmente marcante deste último capítulo – quando Carolina abraça Fortunato em prantos, eu também me encontrava em prantos e percebi a capacidade da minissérie em ser emocional, visceral… tocante. Ali havia a certeza que nunca mais voltaríamos a ver Carolina – assim como ela não voltaria a ver seu filho – e havia um misto de luto e alegria em vê-la ali, em prantos, de coração destruído, mas ainda assim com toda a pompa, vestida como imaginava se vestir a mulher respeitosa que Carolina sempre quis ser. E assim nos despedíamos da magistral Cássia Kis Magro, que me levou às lágrimas na metade do capítulo com essa que já é uma de suas personagens mais marcantes.

Até então eram finalizados também os destinos daqueles que, mesmo não se envolvendo diretamente com Leandro, tiveram suas vidas impactadas pelo rapaz. É o caso de Fortunato que, fugido, manteve consigo o que tinha de mais valioso: sua própria vida. E o que Fortunato deixou para trás? Uma excelente atuação de Jesuíta Barbosa que, após esta chance, deve ser melhor observado pela Globo e receber tantas outras chances, pois se trata de um ator novo e talentosíssimo.

Outro ator talentosíssimo que também teve, em “Amores Roubados”, uma vitrine – embora ligeiramente mais famoso que Jesuíta, sobretudo por Tropa de Elite 2 – foi Irandhir Santos que conseguiu manter seu João enigmático e sombrio do primeiro ao último capítulo da série. E ainda que muitos tenham reclamado pela falta de uma finalização concreta para seu personagem, eu não chego a achar isso um problema. O poder e a força de João só existia em razão da subordinação deste a Jaime e, com o fim do reinado de seu “padrinho”, é de se desconfiar que João se perdeu na vida. Mas não sem antes nos revelar o grande mistério por trás dos desenhos de cadeiras – que simbolizavam, de uma só vez, sua ambição de ter tudo o que pertencia aos Favais e o amor que sentia por Antônia, que para ele era o caminho até a cadeira que era sua por direito – e se livrar também de Bigode.

Restava então dar um fim definitivo à família Favais, a mais impactada por Leandro Dantas. E este final foi sendo criado gradativamente, durante todo o último capítulo, enquanto víamos outras famílias tendo seus destinos definidos apenas para que conseguíssemos, no final, comparar e entender o que faziam os Favais tão diferentes de Celeste, Carolina, Fortunato e os outros… E mais, entender porque eles foram os mais devastados após a passagem de Leandro por Sertão.

E a verdade é que não foi o sommelier quem destruiu a família Favais. Ela já estava destruída bem antes disso. Dá pra enxergar nos Favais uma grande alegoria a muitas famílias reais, que são construídas a partir do amor, do respeito, da admiração, da lealdade, mas que, no decorrer dos anos, vai perdendo esses valores… É o marido que trabalha demais e perde o contato com a família. É a mulher que é abandonada pelo marido e pela filha e simplesmente não suporta viver com seus fantasmas. É a filha que sabe que o mundo é maior do que o que fora planejado para ela pelos pais. São as mentiras. São os segredos. São as não-verdades. São os falsos sorrisos. A falsa sensação de que está tudo bem. É a poeira jogada debaixo do tapete. São os remédios que te ajudam a sobreviver a mais um dia. É a necessidade de ser em público aquilo que já não se é na privacidade… Foi tudo isso que destruiu a família Favais, não foi Leandro.

E se Jaime utiliza-se do seu coronelismo e de sua arrogância para por um fim em sua mulher – afinal, o “adeus” dele demonstra que, por ele, Isabel não sairia do manicômio tão cedo – o mesmo não ocorre quando ele enfrenta de uma vez por todas a filha, onde ele é totalmente subjugado por ela. É engraçado notar que, até saber sobre a verdade acerca da morte de Leandro, Antônia não tinha ainda enfrentado o pai e a minissérie nunca trabalhou nos conflitos existentes entre eles, sempre se focando nas relações amorosas e nas traições. Mas eles sempre estiveram ali, acumulando-se. E explodiram, todos de uma vez só, na cena final entre pai em filha, na beira do penhasco. Ísis Valverde (absolutamente FANTÁSTICA) e Murilo Benício nos deram uma cena tão bela, tão crua, tão real, tão violenta, que naquele momento “Amores Roubados” tornou-se GRANDIOSA por tudo o que ousava nos oferecer. Bem mais do que a televisão normalmente nos oferece. Era o desaforo da minissérie pedindo seu lugar de direito na história da teledramaturgia nacional.

Durante toda sua trajetória na série, Jaime Favais acumulou o ódio de muitas pessoas – o meu incluso – mas sua morte não foi nada bonita. Não foi um final feliz. Não foi o final merecido de um vilão. E simplesmente porque Jaime não era um vilão… Ele era tão vítima quanto Isabel e Antônia. Vítima daquela rotina que matou a família Favais.

A belíssima cena em que vimos um Jaime mais jovem brincando com a pequena Antônia serviu para mostrar isso. Serviu para nos dizer: “Ei, não fique feliz com o que vai acontecer. Jaime não merecia isso”. Ver sua filha dizer-lhe que ele desgraçou a sua vida, ver o ódio nos olhos da pessoa que ele mais amou, simplesmente não foi bom para Jaime. Ele não merecia isso. Nenhum pai merece passar por isso. E isso dilacerou o seu coração. Foi isso que o empurrou daquele penhasco e o fez cair sem ao menos gritar. Jaime morreu no momento em que ouviu tudo o que Antônia lhe disse e não quando caiu. Jaime morreu no momento que constatou o quanto tinha destruído a vida da própria filha. E ver um embate desses entre pai e filho, gente, não é natural. É feio. É doentio. É violento. É animal.


A morte da Jaime é a grande tragédia anunciada da minissérie. É o fim definitivo da família Favais. E isso é lindamente simbolizado quando vemos a plantação seca, quando vemos a vinícola morta. Essa cena foi tão significativa de tudo o que eu disse que eu senti um arrepio em todo o meu corpo ao assisti-la. Foi mais cruel do que qualquer outra cena poderia ser. E ao mesmo tempo, mais poética do que eu jamais poderia imaginar. Foi GRANDIOSA.

E a opção de terminar a minissérie com Antônia na praia com o pequeno Leandro e Isabel foi o consolo que um pai dá a um filho após um pesadelo. “Amores Roubados” foi genial em toda sua trajetória, mas também foi perversa, foi pesada… E terminar com aquela pequena cena ensolarada foi a forma de dizer: Hey, apesar dos pesares, Antônia tem uma nova chance. Apesar de tudo, Leandro deu-lhe a chance de recomeçar… De criar sua própria família… Ali mesmo em Sertão, mas não na terra suja do sangue de Leandro e Jaime, e sim a beira do rio São Francisco, que com sua água pura leva tudo, até o pior dos sofrimentos…
Bem, pelo menos foi isso o que a própria Antônia nos disse no capítulo anterior.

“E o que faz “Amores Roubados” ESTUPENDA, Thiago?” – Vocês me indagam…

- Além de tudo isso, o que é que não a faz? – Eu lhes devolvo a indagação.

::: Alguns Devaneios Finais:
- Não é hora de tentar mensurar o imensurável. Não há no elenco UM ator que se destaque perante os outros. Todos foram excepcionais. Meus parabéns a Patrícia Pillar, Dira Paes, Ísis Valverde, Cássia Kis Magro, Murilo Benício, Cauã Reymond, Irandhir Santos e Osmar Prado pelo trabalho excepcional.

- Parabéns também a Jesuíta Barbosa pela espetacular estreia na televisão. Já ficarei ansioso em vê-lo em outro trabalho.

- Parabéns também a George Moura que, novamente, apresenta uma obra fantástica, delicada, bem trabalhada. Um roteirista talentosíssimo. E parabenizo também José Luiz Villamarim por mais uma direção impecável. Um dos diretores mais fantásticos que a Globo tem. E aproveito também para agradecer a todos os envolvidos na produção da minissérie… Esses dois são geniais, mas só quem faz TV sabe que eles não fariam nada sozinhos. O crédito é de todos os envolvidos nesta produção.

- Um parabéns especial a Walter Carvalho, diretor de fotografia, que transformou os cenários áridos do sertão nordestino em um personagem vivo da minissérie.

- Durante o episódio, em uma das passagens mais tocantes, fomos presenteados com uma linda versão de “Jura Secreta”, do Fagner. Essa música coroou uma trilha que, durante toda a minissérie, foi espetacular.

- Foi triste ver a abertura pela última vez. Primeiro, porque foi triste se despedir da minissérie, mas também porque a abertura era primorosa. Linda.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Amores Roubados – Capítulo 9




Toda a tensão do momento que antecede o Grand Finale.

A esta altura de “Amores Roubados” tudo o que me resta é me impressionar com toda a estruturação narrativa da trama. Todos os atores do elenco principal já tiveram inúmeras chances de se provarem – e o fizeram com perfeição – a trilha sonora continua sendo impecável, assim como a fotografia de Walter Carvalho. Assim, perto do fim, tudo se volta novamente a George Moura e José Luiz Villamarim, pois é graças à estes dois – roteirista e diretor, respectivamente – que se imprimiu este ritmo à minissérie. Ritmo este que simplesmente arrematou o público.

De princípio tínhamos a introdução e durante três capítulos vimos Leandro envolver-se com suas amantes: primeiro Celeste, depois Isabel e por fim Antônia. Durante os dois capítulos posteriores vimos esses relacionamentos ruírem, causando a destruição do próprio Leandro Dantas. Sua morte, durante o sexto capítulo é o grande ponto de virada da trama que, a partir de então adotou ares de thriller e em uma trama policial, imprimiu um ritmo mais rápido, deixando o público sem fôlego. O oitavo capítulo foi a bomba que destruiu todas as estruturas restantes da trama, deixando para o final apenas a imprevisibilidade. E agora, neste nono capítulo, começamos a ver através da poeira, após a explosão, os contornos do que restou daquela trama. O final está ali, na nossa frente, mas inteligentemente este capítulo apenas nos entregou vultos, as imagens se materializarão no derradeiro capítulo.

O final não é muito difícil de prever. Desde e o começo de “Amores Roubados”, mesmo com as cenas românticas e a trilha sonora inebriante, era claro que a história da minissérie não era uma história de amor. Era uma tragédia. Sempre foi. Se enganou quem pensou que não seria, seja um telespectador ou até mesmo um personagem. A tragédia sempre esteve rondando cada um dos personagens da minissérie e continuará ali, até destruir todos os principais envolvidos. Leandro foi a primeira vítima, morto. Depois foi Isabel, que certamente preferia estar morta a viver consigo mesma, neste momento. Depois a tragédia atingiu Celeste, que perdeu o que de mais valioso tinha: a confiança do marido. O mundo de Celeste já acabou. Ainda devemos ver alguma coisa relacionada a personagem no capítulo final, mas o fim dela já está traçado.

No tabuleiro que era “Amores Roubados” sobraram apenas alguns peões e duas peças importantes: um Rei e uma Dama. O Rei, representado por Jaime, está a apenas uma jogada de um Xeque-Mate. Matar Leandro criou uma reação em cadeia do qual Jaime simplesmente não foi capaz de prever e não está sendo capaz de controlar. A morte do sogro foi apenas mais uma tentativa desesperada de evitar o inevitável. Jaime será preso, morto ou vai fugir. Fato é que ele não conseguirá simplesmente esconder tudo o que fez e prosseguir com sua vida como era antigamente. Esta vida não existe mais.

O Rei está morto, Xeque-Mate.

A dúvida que resta apenas é o destino de alguns dos peões mais leais ao rei, como João e Bigode. Este último é um pobre coitado e certamente será sacrificado antes mesmo que se chegue ao próprio Jaime, mas João é uma peça interessante nesse tabuleiro. O destino do personagem é, provavelmente, a maior surpresa que o último capítulo vai nos apresentar e eu realmente não sou capaz nem de arriscar nada.

Do outro lado do tabuleiro temos a última grande peça a resistir: Antônia, a bela e formosa Dama vivida por Ísis Valverde. Até então parada, sem ser acionada para absolutamente nada e apenas sofrendo os golpes deferidos contra seus parceiros e aliados, chegou finalmente a hora dela entrar no jogo. Na cena final do capítulo encontramos aquele que foi o maior – e provavelmente o último – grande gancho que a minissérie nos apresentou. Ao descobrir que o pai foi o grande responsável pela morte de seu amado, “Amores” já nos antecipou logo o grande último embate da minissérie: Antônia x Jaime. E se Isabel – que também descobriu tudo – não tem força psicológica para enfrentar o marido, a situação muda completamente quando vemos Antônia que desde duas primeiras cenas já enfrentava o pai e já chegou, inclusive, a indagar claramente o porquê de todo mundo ter medo de seu pai.

Fortunato cumpriu divinamente o seu papel de armar Antônia nesta guerra contra o pai e, infelizmente, como o bom peão que é neste tabuleiro, também deve ser eliminado antes que o jogo se encerre. No meio deste embate – que coloca como o grande protagonista da minissérie no seu capítulo final exatamente o núcleo da família Favais – ainda existem segredos a serem revelados (como a gravidez de Antônia e o próprio relacionamento que a moça tivera com Leandro) e creio que alguma surpresas também nos foram reservadas. A única coisa certa sobre este final é que a tragédia que já destroçou grande parte dos personagens também atingirá todos os membros desta família.

Aliás, admito não estar inteiramente correto em meus palpites acerca do final de “Amores Roubados”. A tragédia não atingirá a todos os personagens, mas apenas àqueles que colocaram suas peças no tabuleiro. Cavalcanti, que até então era uma peça no joguinho de sua mulher, já assumiu o controle da situação e está mais interessando em jogar seus próprios jogos com a mulher.

E Carolina… Bem, a esta altura do campeonato Carolina se mostrou ser a melhor jogadora de todos, nunca entrando diretamente no jogo, mas apenas observando tudo a distância. Não acho que seu final será a tragédia que foi o de seu filho, mas assim como no caso de João, não faço a mínima ideia de qual vai ser seu final… Torço para que seja o melhor possível.

::: Alguns Devaneios Finais:
- Osmar Prado continuou fantástico em sua vingança contra a mulher. A cena em que Cavalcanti obriga Celeste a ler os e-mails que escrevera para Leandro foi uma das melhores do capítulo. “Meu homem… Meu macho”.

- No que diz respeito a Ísis Valverde, não tenho muito o que adicionar. Mesmo “competindo” com Patrícia Pillar e Dira Paes, tem sido a dona da minissérie desde o começo dessa semana. Um dos melhores momentos da atriz em sua carreira. Seu texto é o mais complexo entre os personagens centrais e ela varia entre as diferentes nuances de Antônia com maestria. Confirma com todas as forças o posto de uma das melhores atrizes de sua geração.

- Por mais que a Globo tenha tentado evitar grandes quedas de audiência, “Amores Roubados” novamente ficou com 25 pontos – entrando ainda mais tarde do que na terça – o que ainda é impressionante (a média das 23h na Globo é 15 pontos), mas que certamente atrapalhará sua média-final que certamente seria superior a 30 pontos, não fosse o BBB.

- Na Globo há a vontade de continuar a ter minisséries de George Moura no início de ano da emissora. A ideia, novamente, era pegar um livro marcante de algum escritor nordestino brasileiro para a adaptação do roteirista. O problema é que George, no momento, só tem olhos para O Rebu, novela das 23h que estreia no segundo semestre deste ano e já disse também querer voltar-se para o cinema em breve.

- E mesmo para aqueles que não gostam de novela, “O Rebu” será um bom produto, pois contará com apenas 40 capítulos. E a dupla Moura/Villamarim promete imprimir um ritmo mais próximo ao de uma série à novela.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

“Amores Roubados” é sucesso em todo o Brasil; confira os números

Cauã Reymond é o protagonista de "Amores Roubados"
Cauã Reymond é o protagonista de “Amores Roubados”

A Globo está surpresa com os resultados de “Amores Roubados”. A minissérie, que estreou no dia 06 de janeiro, registrou em sua primeira semana no ar um aumento de 3 pontos na média do horário em São Paulo. A história marcou 30 pontos ante os 27 registrados nas quatro semanas anteriores. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na região.

Além disso, a situação no Rio de Janeiro também foi bem semelhante. A série aumentou em 2 pontos a faixa horária, também com 30 pontos. Cada ponto equivale a 40 mil domicílios na Grande RJ.

Mas é em Fortaleza (CE) que “Amores Roubados” bateu recorde. A produção registrou 69% de share (participação no total de televisores ligados no horário). Ou seja, a cada 10 telespectadores, 7 estavam assistindo à Globo. Em Recife (PE) e Florianópolis (SC), os números também foram impressionantes, com 68% e 67% de share, respectivamente.

Na última terça-feira (14), mesmo com a estreia do “Big Brother Brasil 14″, a série registrou 25 pontos de audiência em São Paulo. Houve uma queda de 7 pontos, mas considerada pequena em relação aos outros anos.
As informações são da jornalista Keila Jimenez.

Amores Roubados – Capítulo 8




Mentiras reveladas, segredos descobertos… Nada será igual em Sertão após este oitavo capítulo de “Amores Roubados”…

Mantendo o ritmo sempre, a minissérie apresentou um oitavo capítulo para cardíaco nenhum botar defeito e, mesmo que eu quisesse respirar, mal consegui tirar os olhos da tela. Afinal, desde o momento em que Isabel chegou à casa de Celeste e ouviu da amiga a revelação de que Leandro era seu amante deu-se início uma reação em cadeia onde cada um dos segredos mais obscuros das personagens principais foram caindo um por um, com reações quase que imediatas.

O grande acontecimento do capítulo foi a revelação de que Celeste e Isabel eram amantes de Leandro e, a partir deste ponto, foi-se desenvolvendo uma cuidadosa trama explorando as dimensões psicológicas que esta bomba causou nos diferentes relacionamentos da minissérie. E aqui sou obrigado a destacar a perfeita união entre roteiro e direção mas, sobretudo, uma edição ágil que, intercalando todos os acontecimentos na casa de Celeste com algumas cenas esparsas de Jaime e de Fortunato, foi de uma inteligência ímpar, deixando-me literalmente ofegante.

Sou obrigado a começar a abordar esta sucessão de acontecimentos do ponto de vista de Isabel. A última vez que vimos a personagem, ela estava a beira da loucura, completamente sem rumo e se prendendo a um fio de sanidade que ainda lhe restava. Quando escuta de Celeste que a amiga também era amante de Leandro, este fiio se rompe e Isabel cede por completo. É inimaginável tentar entender todo o drama pelo qual a personagem passava – e aqui a frase de Jaime, de que faria a mulher sangrar de dor, faz completo sentido – mas ainda assim, Patrícia Pillar esteve tão espetacular em cena que, mesmo no meio do surto de sua personagem, conseguiu atrair muito do capítulo para si.

A próxima impactada pela informação dos casos de Celeste e Isabel com Leandro fora Antônia. Presenciar a própria mãe surtar e assumir o caso com o seu amado foi demais para a personagem e Ísis Valverde foi soberba neste momento. O choque, a dor, a dimensão de tudo o que acabara de escutar, a forma com que se afasta da mãe desvalida procurando por ar, foi tudo absolutamente perfeito. Cena fantástica para ambas as atrizes. Aliás, cena fantástica para a teledramaturgia nacional e ponto. Mas não acabou por aí, durante todo o resto do episódio o roteiro demonstrou um cuidado especial com Antônia e, dentro do furacão em que se encontrava a personagem, buscou mostrar sua dor com cenas simples e belas – com– a do banheiro e a da piscina – para que, claramente, o público se colocasse em seu lugar.

E então temos Celeste, cujo choque também foi genuíno, mas muito mais egoísta que o das outras personagens. Antônia e Isabel estavam de luto, sofrendo, sangrando pela dor que tamanhas mentiras lhe causaram. Celeste, muito fiel à sua personalidade, continuava preocupada apenas consigo mesmo. Tanto que, em seu momento chave no episódio, quando revela toda a história ao pai de Isabel, ainda assim ela está em busca do dinheiro que calaria a boca de Carolina e evitaria o prejuízo que essa bomba causaria em seu casamento. E por mais odiável que tenha sido essa atitude de Celeste – afinal, o fim de sua melhor amiga e sua filha não deveria ser o seu também, em sua cabeça – não há como não bater palmas para Dira Paes também. Odiável é a personagem, e a atriz a fez com maestria. Acompanhar a reação de Celeste ao furacão que estava acontecendo em sua casa deveria ser aula em cursos de teatro em todo o país, para mostrar que mesmo sem ser o centro das atenções, mesmo sem falas, uma grande atriz se faz presente em uma cena como essa.

Pena para Celeste que Cavalcanti friamente escutou toda a confissão da mulher, barbarizado, apenas tentando digerir tudo o que escutava ali, atrás da porta. E agora é chegado o momento que eu esperava desde que a minissérie começou, aquele em que eu devo elogiar também Osmar Prado. O ator foi simplesmente grandioso em cena – e olha que ele dividia o texto com Dira Paes naquele momento – e, por mais que a cena tenha durado pouco mais de dois minutos, acompanhar a gradação da reação de Cavalcanti, desde sua incredulidade até sua ira, foi simplesmente glorioso.

Quanto ao resto, a muitos quilômetros dali, vimos Fortunato fazer o inimaginável e conseguir fugir – pelo menos neste primeiro momento – de João e Bigode. Inteligente, o rapaz evitou que seu destino fosse o mesmo de seu melhor amigo ao fugir e continua sendo uma grande pedra no sapato de Jaime, mesmo que este não saiba disso graças à mentira de João que, certamente, voltará para assombrá-lo quando Fortunato reaparecer.

Não que Jaime precise de mais pedras no sapato, na verdade, pois a cena final do capítulo nos mostrou exatamente que essa história está bem longe de terminar para o poderoso empresário. A descoberta de uma gravação de ligação de Jaime para Bigode encomendando a morte de Leandro era exatamente o que a personagem de Murilo Benício não precisava neste momento e o cerco definitivamente se fecha ao seu redor. Vai ser lindo ver Jaime bradar e descabelar-se quando não houver mais nada a fazer senão aceitar as consequências de seu crime.

Aliás, a cena final do capítulo tem um poder gigantesco por nos surpreender e mostrar o caminho de destruição que “Amores” continuará seguindo até o seu fim. Se durante todo o capítulo vimos a destruição psicológica total da família Favais, a prisão iminente de seu patriarca selará a destruição fática da família.

Foi como um grande aviso de “Amores” nos falando: nos dois capítulos restantes, não sobrarão pedras sobre pedras.

Vai ser simplesmente explosivo.

::: Alguns Devaneios Finais:
- A Globo fez toda uma estratégia para evitar que a série perdesse muita audiência no novo horário, incluindo diminuir o tempo do BBB – que fez uma estreia corridíssima – e colocar o Bial o tempo todo falando sobre a minissérie. Não deu certo, a minissérie fez 25 pontos no consolidado de terça, com 49% de share. Não são números ruins, mas prejudicam a média final da minissérie que com certeza terminaria sua trajetória com média superior a 30 pontos, dada a tensão destes últimos capítulos.

- Desde que começou a minissérie vejo gente reclamando de algumas escalações como Cauã Reymond e Ísis Valverde o que sempre me deu a ideia de comentar acerca deles, mas fui deixando que seus personagens crescessem mais para fazê-lo.

- Sobre Cauã Reymond, divido da opinião de muitos leitores e o acho um ator completamente mediano (isso para ser bom com ele). Houve sim um crescimento em sua carreira, mas longe de garantir seu nome entre os melhores de sua geração. Entretanto, e digo isso com grande surpresa, presenciamos em “Amores Roubados” Cauã em seu melhor momento. Sua composição de Leandro me convenceu por completo e foi a melhor atuação do ator que vi em anos. Talvez sejam as características do personagem que, como um Don Juan, o deixou mais relaxado. Ou o texto que, privilegiando seus momentos de conquista o manteve distante de grandes embates com outras personagens – Patrícia Pillar e Dira Paes iriam simplesmente engoli-lo por completo em um embate desses – mas toda a composição e trajetória do personagem foram perfeitas, ainda mais se considerarmos as deficiências de seu intérprete. Portanto, pela atuação de Cauã como Leandro Dantas, dou-lhe uma nota de 7,5. Muito acima das expectativas que eu poderia ter.

- Aliás, em defesa de Cauã, sou obrigado a dizer que poucos atores na Globo são mais do que medianos para mim, sobretudo nesta faixa etária de 20 a 30 anos. A Globo tem atrizes fantásticas e algumas até superiores a muitas estrelas americanas multipremiadas – alô, Fernanda Montenegro – mas quando vamos olhar os homens, dá uma tristeza sem fim. Entre os mais maduros, com mais de 40 anos, até encontramos grandes atores, mas quando olhamos os “galãs” mais jovens, me dá uma tristeza enorme. Esse é preço que se paga quando, ao iniciar na profissão, no auge de seus vinte e poucos, os atores são mais cobrados pela beleza e pelo físico do que pelo talento, afinal, atores da mesma idade “desses Cauãs” da vida, mas com carreiras voltadas pro teatro e pro cinema – como é o caso de Jesuíta Barbosa – demonstram nessas poucas chances que têm na TV que o talento existe, a TV que não procura.

- Outro que vi algumas críticas – em menor escala, é claro – e que também merece meu elogio é Murilo Benício. Tentarei não ser tiete, pois sou fã absoluto do ator, e manter essa análise a mais crua possível. Murilo Benício sofreu do mesmo problema que Cauã, virando um galã rapidamente em razão da sua beleza e convencendo pouco, em razão de ser muito cru para a TV. Mas logo Murilo cresceu e tenho que dizer que acho que o tempo lhe fez muito bem. Primeiro porque, como ator, ele percebeu suas imperfeições e usou isso a seu favor, como é o caso da sua dicção problemática que se transformou em sotaques e trejeitos incríveis para seus personagens – e sim, estou falando do inesquecível Arthur de “Pé na Jaca” e do Dodi, de “A Favorita”. O segundo ponto foi que com a idade, passaram a lhe destinar papéis mais maduros e estes papéis lhe caem incrivelmente bem. Se compararmos qualquer um dos três “mocinhos” que ele fez em “O Clone” e pegarmos esses papéis de “pai” que ele vem fazendo ultimamente vemos a bagagem que o ator tem imprimido em seus papéis e como isso o torna um dos melhores atores de sua geração no casting da Globo atualmente e com uma versatilidade impressionante que o faz sair de um papel cômico como em “Pé na Jaca” e impressionar em uma série de ação como “Força-Tarefa” ou quando sai do doce e inocente Tufão de “Avenida Brasil” e emenda no poderoso e amedrontador Jaime em “Amores Roubados”.

- Aliás, acho que as escolhas de papéis também estão fazendo muito bem a Murilo Benício.
- Até aqui daria um 8.5 para a composição de Jaime feita por Murilo Benício. Mas teremos muito Jaime pela frente e acho que essa nota ainda aumenta mais um pouco.

- Só a título de curiosidade: amo Murilo Benício, amo João Emanuel Carneiro e amo Avenida Brasil mas, mesmo marcante e emblemático – afinal, Murilo até hoje é chamado de Tufão e continuará por um bom tempo – acho esse um dos papéis recentes mais fracos do ator. Mas nem culpo tanto Murilo por isso, muito menos o texto. Era culpa da personagem mesmo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

“Amor à Vida” atinge pico de 45 pontos; “Amores Roubados” perde público

Desfecho do plano de Aline irá ao ar nessa quarta-feira, 15
Desfecho do plano de Aline irá ao ar nesta quarta-feira, 15


A reta final de “Amor à Vida” tem monopolizado a atenção do público. Nessa terça-feira, 14, a trama de Walcyr Carrasco voltou a atingir altos índices de audiência. No ar das 21h08 às 22h20, o folhetim obteve média de 40 pontos com pico de 45, ante 5 do SBT e 4 da Record. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP.

O destaque ficou por conta do plano de Aline (Vanessa Giácomo) de tentar se livrar de César (Antonio Fagundes) e Ninho (Juliano Cazarré) ao mesmo tempo.

Atrasada em pouco menos de 20 minutos por conta da estreia do “BBB 14″, a excelente “Amores Roubados” não foi tão prejudicada como se imaginava. A minissérie protagonizada por Cauã Reymond e Isis Valverde registrou média de 25 pontos com pico de 26.

Apesar de ser a menor audiência da produção e significar uma queda de 7 pontos em relação ao capítulo de segunda-feira (32), “Amores Roubados” aumentou em 7 pontos a média da faixa (das 22h53 às 23h34) em comparação com as quatro terças-feiras anteriores.

Amores Roubados – Capítulo 7




Entrando em sua reta final, Amores Roubados abre mão do romance e se assume como um ótimo e eletrizante thriller.

E eis que o que eu não imaginava aconteceu: “Amores Roubados” conseguiu surpreender e, mesmo em um capítulo que teoricamente não aconteceria muita coisa, continuou com sua trajetória ascendente, deixando-nos mais uma vez aflitos com todos os acontecimentos que presenciamos após a morte de Leandro.

O mais fantástico na minissérie, a esta altura do campeonato, é como ela vestiu a camisa e se assumiu por completo como um thriller, mantendo a atenção e a expectativa do público a cada instante. Após a morte de Leandro era de se esperar uma pisada no freio, um episódio mais calmo e mais focado no luto daqueles que o amavam. Mas não foi o que aconteceu neste sétimo capítulo. Toda a tensão que a série desenvolveu até aqui, toda a história do triângulo amoroso, todo o mistério foi mantido e apenas redirecionado a um novo núcleo, que tem Jaime, João e Fortunato como destaque.

É aquela velha história do castelo de cartas novamente. Assim como expliquei que Leandro, ao brincar com mulheres casadas com poderosos homens de Sertão, estava construindo um castelo de cartas que hora ou outra iria desmoronar – e desmoronou – quem vê seu próprio castelo desmoronar agora é Jaime, afinal, não existe crime perfeito e foi isso que este sétimo capítulo nos mostrou.

Por mais que Jaime tenha articulado um plano meticuloso e bem inteligente, plantando a ideia de que Leandro roubou a vinícola e fugiu e usando Oscar para se passar pelo rapaz – de forma que o corpo parecesse o do próprio Oscar, que aparentemente teria dirigido bêbado e causado o acidente – é exatamente nos detalhes não pensados que se encontra a ruína de Jaime. É exatamente pelas coisas que ele não pensou – e tantas outras que ele não previu – que, cedo ou tarde, a revelação de sua participação na morte do sommelier virá à tona.

A começar pela própria arrogância que é característica da personalidade de um homem da posição social de Jaime. Óbvio que na cabeça dele Leandro era um pobre coitado, sem ninguém que se importasse com ele, sem ninguém que o conhecesse e notasse as inconsistências dessa história, de forma a querer tirá-la a limpo. Aqui está o primeiro grande erro de Jaime. Fortunato, Carolina, Antônia e até mesmo Celeste terão motivos o suficiente para buscar respostas sobre o sumiço do rapaz.

Aliás, já neste capítulo Fortunato se torna a grande pedra no sapato de Jaime e, sobretudo, de João. O rapaz, que havia recebido um telefonema do amigo pouco antes de seu assassinato foi atrás das respostas necessárias e rapidamente fez os links cabíveis para perceber que se tratava de uma queima de arquivo. Ele, como confidente de Leandro, sabe que Jaime tinha motivos, estava no local do crime e tinha condições de executar o sommelier. Neste momento, vale destacar o brilhante trabalho de Jesuíta Barbosa que já vinha se destacando com o pouco que o roteiro lhe reservava mas aqui teve seu momento de glória. O jovem ator – que já conta com um ótimo currículo no cinema – soube mostrar bem o luto e a dor de Fortunato pela perda do amigo e, sobretudo, soube mostrar com precisão a dúvida que se encontrava entre buscar vingança pelo Leandro – o que o colocaria em risco de vida – ou calar-se.

Mas Fortunato criou a coragem necessária e, em seu melhor momento no episódio, desafiou perante todos a versão da morte de Oscar que era dada como certa até então. Aqui entra outra observação sobre aqueles detalhes que Jaime desconhecia: Oscar não sabia dirigir. Se Fortunato sabe disso, certamente outras pessoas em Sertão também sabem. E cito outras pessoas porque a situação da Fortunato não tornou-se nada boa após gritar para todos a verdade, já que ele logo caiu no radar de João e tem grandes chances de ser a próxima vítima de Jaime/João.

Não quero que Fortunato morra, acho que o personagem tem muito para mostrar nessa nova fase investigativa de “Amores”, mas é o mais lógico que o roteiro nos apresenta. Além do mais, vai corroborar a ideia de que não há crime perfeito. Certamente, para evitar ser pego, Jaime ainda vai precisar matar muitas outras pessoas para, em vão, tentar esconder seus rastros. A ficção já nos mostrou inúmeras vezes que cometer um assassinato é como derrubar uma peça de dominó que começará uma reação em cadeia.

Outro fator que Jaime não poderia prever é o bilhete deixado por Oscar para Isabel. O garoto continua rondando a casa dos Favais e se desencontrando de Isabel simplesmente para nos deixar aflitos. É um recurso conhecido – e competente – da dramaturgia, em geral. Certamente Isabel colocará as mãos naquele bilhete oportuno.

E isso sem falar em Carolina. Ela realmente acredita, neste primeiro momento, na fuga do filho e, por isso, está mais focada na chantagem à Celeste. Mas, mesmo tendo uma índole terrível, Carolina sempre se mostrou uma mãe preocupada com o filho. Quando perceber que há algo errado nesta “fuga” de Leandro, ela não vai parar até descobrir tudo. E o amor é um sentimento forte, mas o amor de mãe simplesmente não há limites.

Por fim temos Antônia. Grávida de Leandro, ela simplesmente se nega a acreditar que ele a abandonaria e, mesmo que pareça ceder a esta história pouco a pouco, ainda tem aquela voz na cabeça dela que grita que há algo errado. A sequência que mesclou sua investigação com a de Fortunato foi excelente e serviu para mostrar exatamente que nada vai fazer aquela mulher esquecer o homem que ama tão facilmente. Ou seja, Jaime tem uma inimiga dentro de sua própria casa.

Por fim temos Isabel. Engraçado notar que ela foi a única personagem de luto durante o capítulo, afinal, além de Fortunato – que só descobriu a morte do amigo mais adiante – ninguém mais vê Leandro como morto. Mas ela vê. Para ela, o que eles viveram foi tão intenso que a suposta traição de Leandro significa o mesmo que sua morte. Por isso, o que presenciamos de Isabel durante todo o episódio foi puro e genuíno luto. Aquela mulher, que nunca esteve bem, diga-se de passagem, se desmontou por completo, perdeu seu rumo. E aqui vale destacar a poesia da cena em que ela dirige que traduz para o audiovisual a perda de rumo, com o carro ziguezagueando na pista enquanto lembranças lhe vinham à memória.

Assumindo-se como um thriller e deixando seu público sem fôlego, “Amores Roubados” continua marcando sua trajetória de maneira positiva na televisão brasileira, mostrando que mesmo em seu sétimo capítulo consegue prender seu público da mesma maneira que fazia quando estreou. A audiência sempre crescente da série demonstra isso.

::: Alguns Devaneios Finais:
- A crítica em si quase não faz citações aos atores – com exceção de Jesuíta Barbosa – simplesmente porque, desde a estreia, este foi o capítulo mais equilibrado da minissérie, com todos os atores principais tendo praticamente o mesmo destaque e ninguém roubando a cena. Desta forma, meus parabéns à Ísis Valverde, Patrícia Pillar, Murilo Benício e Irandhir Santos que estiveram irretocáveis no episódio.

- O clima de thriller, além da abertura e das chamadas, também atingiu a trilha sonora que adotou tons mais sombrios e mais sérios neste capítulo. “Angels”, por exemplo, só tocou rapidamente num raro momento mais leve, quando Antônia revia vídeos de Leandro.

- Alguns problemas de ordem lógica surgiram para mim no episódio, mas não a ponto de parecerem furos do roteiro. O primeiro é sobre a aceitação da palavra de Jaime. Acho que um teste de DNA na vítima era obrigatório para certificar sua morte, não? O segundo é sobre o fato de ter ocorrido um tiroteio antes da queda do carro, o que simplesmente inviabiliza a história de Jaime e João, de que Oscar teria dirigido bêbado e causado o acidente, afinal, deve haver várias marcas de tiro e até capsulas das balas dentro do veículo.

- Esses problemas, no entanto, não se tornaram tão grandes, pois podem ser abordados nos próximos capítulos – e eu estou apenas me apressando – ou podem ter uma justificativa de ordem prática plausível: o velho coronelismo brasileiro, que encerraria uma investigação com base na palavra de um figurão como Jaime Favais.

- Sobre a audiência, “Amores Roubados” novamente surpreendeu a Globo e quebrou seus próprios recordes no capítulo de ontem. A minissérie atingiu 32 pontos em São Paulo (com picos de 35) e um share (índice de televisores sintonizados na Globo) de 59%, superior ao de “Amor a Vida” no mesmo dia. No Rio os números foram ainda mais impressionantes: 34 pontos (picos de 37) e um share assustador de 64%.

- A audiência surpreendente da minissérie quebrou por completo o planejamento de começo de ano da Globo. Dessa forma, há comentários que para evitar quedas com a estreia do BBB, a Globo reajustou toda sua grade (“roubando” alguns minutos de alguns programas no decorrer do dia) de forma a garantir que a minissérie entre no ar antes das 23h. Mesmo que as fontes sobre essa informação não sejam das mais famosas, isso se verificou hoje, tendo até mesmo o BBB tido uma estreia bem corrida. Veremos amanhã se isto se confirma.

- A imagem que abre essa review faz parte de uma das cenas mais lindas do capítulo – e mais memoráveis de Ísis na série – quando ela grita por Leandro e, em desespero, assume sua gravidez para a amiga.

- Por outro lado, achei completamente irreal a cena de Isabel transando com um completo desconhecido que atropelou na rua. Entendi seu propósito de mostrar como a personagem estava perdida. Mas foi irreal demais. Nada crível.

- Faltando três capítulos para o encerramento da minissérie, começarei amanhã a tecer alguns comentários sobre a atuação, em geral, de alguns atores aqui nestes devaneios finais. Começarei com Cauã e Ísis. A ideia era começar hoje mas, com o tamanho desta review, optei por não deixa-la maior ainda.

- Adoro a relação que crio com vocês através dessas reviews, nos comentários. Mas estou dando uma pausa nela a partir de hoje e evitarei ler os comentários. Apesar de 99% de eles serem úteis e inteligentes, infelizmente tenho me deparado com gente idiota (me perdoem a grosseria) que dá spoilers sobre a trama sem ao menos avisá-los. Odeio spoilers, perco o tesão de acompanhar algo quando me “estragam” o final e acho isso atitude de gente mesquinha, sem o mínimo de bom-senso… Aliás, sem o mínimo de noção. Por isso, vou deixar que o Michel faça a moderação dos comentários e abro àqueles que realmente querem comentar a série comigo o meu Twitter e Facebook. Adorarei respondê-los lá.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

“Amores Roubados” fecha com média semanal de 30 pontos e Globo comemora

"Amores Roubados" é o novo sucesso da Globo
“Amores Roubados” é o novo sucesso da Globo


A audiência de “Amores Roubados” continua surpreendendo a Globo. No ar desde a semana passada, a série já aumentou em 3 pontos a média do horário em relação às últimas quatro semanas.

De acordo com a emissora carioca, a produção fechou sua primeira semana com 30 pontos de média. A história, protagonizada por Cauã Reymond e Isis Valverde, termina na sexta-feira (17).

Os dados correspondem à Grande São Paulo. Cada ponto equivale a 62 mil espectadores. As informações são do colunista Flávio Ricco.

“Amor à Vida” bomba com morte de Leila; “Amores Roubados” bate recorde de audiência

Leila (Fernanda Machado) morre queimada em cena trash de "Amor à Vida"
Leila (Fernanda Machado) morre queimada em cena trash de “Amor à Vida”


“Amor à Vida” entrou em sua reta final repetindo vícios de seu autor, Walcyr Carrasco. Nessa segunda-feira, 13, a trama levou ao ar a cena em que Leila (Fernanda Machado) morre queimada na mansão de Nicole (Marina Ruy Barbosa). Qualquer semelhança com a morte de Cristina (Flávia Alessandra) em “Alma Gêmea” (2005), do mesmo autor, não é mera coincidência. A sequência, inclusive, gerou um tsunami de críticas e chacotas.

Porém, a “passagem” da vilã rendeu alta audiência ao folhetim. No ar das 21h06 às 22h32, “Amor à Vida” obteve média de 40 pontos com pico de 43 e 58% de share (porcentagem de televisores ligados). No mesmo horário, o SBT e a Record empataram em 4 pontos.

Exibida na sequência, a excelente “Amores Roubados” bateu o seu recorde de audiência. No ar das 22h33 às 23h13, a minissérie protagonizada por Cauã Reymond e Isis Valverde obteve média de 32 pontos com 61% de share, ante 5 do SBT e 4 da Record. É a melhor marca desde a estreia da produção, superando assim os dois primeiros capítulos (31). Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP.

Amores Roubados – Capítulo 6




Explosivo.

Começo a achar injusto ter assumido o compromisso de fazer essas reviews quando percebo que continuo sem palavra para tudo que assisti hoje em “Amores Roubados”. O “explosivo” que abriu esta pequena e humilde crítica é simples, mas revela toda a complexidade deste sexto capítulo da minissérie, que abre sua semana final de maneira fantástica.

Aliás, falando em coisas fantásticas, tenho que elogiar novamente a narrativa construída pelo brilhante roteiro de George Moura (Sérgio Goldenberg, Flávio Araújo e Teresa Frota) que foi gradativamente construindo a trama da ruína de Leandro Dantas, que chegou hoje ao seu ápice. Desta forma, com esta gradação da trama, ganhamos um capítulo melhor que o outro e se o quinto foi pólvora pura, este fez questão de acender o pavio e mandar tudo pelos ares.

É aquela velha história que venho contando desde que comecei a fazer esses textos: a trama envolvendo Leandro e suas três amantes é como um castelo de cartas: durante os três primeiros capítulos da minissérie as cartas foram sendo colocadas cuidadosamente uma sobre as outras… No quarto capítulo a audiência começou a perceber uma ou outra carta cair e a estrutura começar a ter pequenas aberturas. No quinto capítulo as cartas já não se mantinham e Leandro desesperadamente tentava encaixar as que iam caindo mas, a cada tentativa, mais duas ou três caíam… Então chegamos aqui, no sexto capítulo, quando este pequeno castelo desmoronou de vez.

Foi o fim para Leandro de sua inútil tentativa de mantê-lo em pé. E provavelmente foi o fim do próprio Leandro.

Começando exatamente de onde havia terminado o capítulo anterior, a minissérie abriu mão por completo das sutilezas que marcaram seu roteiro durante sua primeira semana de exibição e colocou o telespectador diante da ação alucinante que culminou na morte de Leandro. E preciso assumir sem medo de errar: toda a sequência de fuga do Leandro, a perseguição e o tiroteio intercalados com a belíssima cena de Antônia passando mal – cena de uma sensibilidade espetacular por parte da direção e de Ísis Valverde – foi uma das melhores sequências que já vi na televisão brasileira.

Que a Globo tem capacidade técnica para produzir cenas desse tipo todos nós já sabíamos há algum tempo, mas foi a primeira vez que vi algo ser feito em companhia de um roteiro de tamanha qualidade. E só para não deixar passar em branco: além dos atores, que estavam excepcionais em cena, a direção de Villamarim foi simplesmente primorosa, aliada ao sempre fantástico Walter Carvalho que é um dos melhores diretores de fotografia que temos no Brasil atualmente.

E o bom de uma cena tão bem executada é que ela é capaz de levar o telespectador para dentro da trama e este sentimento era essencial para que embarcássemos no restante do capítulo (afinal, a “morte” de Leandro ocupou apenas metade do capítulo) e assistíssemos o restante da trama de Jaime como se lá estivéssemos, e não como meros telespectadores. É aquela velha sensação de “ficar na ponta da cadeira” e, acreditem, poucas produções são competentes o suficiente para fazer isso.

E assim, no torpor daquele momento, acompanhamos numa sucessão de cenas muitíssimo bem costuradas pelo roteiro o prosseguimento do plano de Jaime, que incluía usar Oscar como bode expiatório para parecer que Leandro roubara a vinícola e fugira para São Paulo e a destruição que esta informação causou na família Favais. E foi simplesmente fantástico acompanhar as reações de Antônia e Isabel, em trabalhos irretocáveis de Ísis e Patrícia, à noticia de que seu amado havia feito algo tão sujo.

Ou seja, a minissérie deixou o público em choque e confuso (com a possibilidade de Leandro ainda estar vivo) e, aproveitando-se dessa situação frágil do telespectador, o jogou imediatamente num tubo de reações emocionais de outros personagens quando nem mesmo nós havíamos digerido por completo a situação. A este efeito eu dou o nome de “se afogar em um bom roteiro” e preciso assumir que adoro essa sensação.

Como ainda estou tentando colocar minhas ideias no lugar, encerro esta review por aqui, mas não sem antes citar uma adição importante à trama e comentar um outro momento. O primeiro ponto, que apenas citarei para não deixar em branco, mas vou esperar um pouco mais para comentar, é a gravidez de Antônia, que será a reviravolta final dessa história. E, por fim, não posso deixar de comentar a brilhante cena final, que colocou Carolina enfrentando e ameaçando Celeste. Dira Paes e Cássia Kis Magro são tão fantásticas e a construção de suas personagens foi tão magnífica que esse primeiro embate não pode passar em branco e já me deixa na expectativa de uma guerra entre essas duas. O público merece.

::: Alguns Devaneios Finais:
- A abertura da minissérie continua fantástica, mas passou por mudanças essa semana. As imagens foram trocadas e demonstram mais esse novo tom que a minissérie assumiu a partir de hoje.

- Ainda sobre esse tom mais sombrio, o mesmo é notado nas chamadas da minissérie, que estão bem mais aflitivas.

- Amores Dublados? Depois das reclamações constantes sobre o áudio da minissérie, a Globo optou por dublar algumas cenas. Não sei se isso já ocorreu neste capítulo, se foi, foi muito bem feita, pois não notei nada neste sentido.

- Murilo Benício esteve espetacular durante o episódio, Patrícia Pillar continua magnífica mas, para mim, quem roubou a cena, mesmo que praticamente calada, foi Ísis Valverde.

- E continuamos com a trilha sonora impecável da minissérie que mostrou neste capítulo ser capaz de mesclar The XX com a brasilidade poética de Geraldo Azevedo. O momento em que tocou “Coqueiros” foi um dos mais emocionantes para mim em toda a minissérie.

- Sobre Leandro, por mais que tenham deixado em aberto a possibilidade de ainda estar vivo, eu realmente acreditei em sua morte, pois não via como ele sobreviveria após o tiro e a queda do carro do precipício, mas enquanto escrevia essa review passou uma chamada do capítulo de amanhã que deixou ainda mais clara a possibilidade dele ter sobrevivido em uma pequena cena em que Jaime fala “mas esse diabo não morre não?”. Ou seja, Leandro Dantas ainda vive, gente.

- Me desculpem Irandhir Santos (João) e Jesuíta Barbosa (Fortunato) que também tiveram ótimos momentos no episódio e mereciam destaque nessa review, mas realmente ainda estou impactado demais para pensar melhor sobre qualquer outra coisa. Tenho certeza que vocês não deixarão passar nos comentários os elogios que ambos merecem.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Autor de “Amores Roubados” fará minissérie com Maria Adelaide Amaral na Globo

George Moura tem dois novos projetos na Globo
George Moura tem dois novos projetos na Globo


George Moura está em alta na Globo. Após emplacar as minisséries “O Canto da Sereia” (2013) e “Amores Roubados”, o autor prepara mais dois projetos na Globo. Além do remake de “O Rebu”, a próxima novela das 23h, Moura prepara uma nova minissérie com Maria Adelaide Amaral.

Autora de sucessos como “Queridos Amigos” (2008) e “A Casa das Sete Mulheres” (2003), Amaral convidou o colega para a produção de “Nassau”, um projeto que está na gaveta da Globo há anos. A autora foi quem supervisionou os textos de “Amores Roubados” e se surpreendeu com a qualidade do texto.

A nova trama, que narra a história de Maurício de Nassau (1604-1679), será produzida em formato de filme e só depois ganhará uma versão de quatro capítulos na telinha. A estreia prevista é para janeiro de 2015. As informações são do jornal “O Globo”.

Globo dubla capítulos de “Amores Roubados” após problemas no áudio

Cauã Reymond nos bastidores de "Amores Roubados"
Cauã Reymond nos bastidores de “Amores Roubados”

Durante a semana de estreia de “Amores Roubados”, a Globo recebeu diversas mensagens nas redes sociais e na Central de Atendimento ao Telespectador reclamando do áudio da minissérie, que estava apresentando falhas.

De acordo com o jornal “O Globo”, a emissora convocou os atores para uma dublagem. Tudo foi feito enquanto o elenco já estava de volta ao Rio de Janeiro, após gravar durante semanas no sertão nordestino.

Discreta, a dublagem passou praticamente despercebida pelo público.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Amores Roubados – Capítulo 5




Escolhas e suas difíceis consequências…

Neste capítulo que encerrou a primeira semana de “Amores Roubados” vimos um novo Leandro surgir ante os nossos olhos. Um Leandro mais calmo, mais amolecido pela paixão fulminante que sente por Antônia e, sobretudo, um Leandro com consciência de que seus atos passadas não serão esquecidos e que, por este motivo, teme que sua felicidade lhe seja tirada por causa de um dos inúmeros esqueletos em seu armário.

No outro oposto tivemos Jaime, mordido, traído, sedento por vingança, saindo um pouco da postura defensiva que manteve nos três primeiros capítulos da minissérie e assumindo o centro das ações, explicitando sua personalidade forte, seu coronelismo, sua vontade pelo poder. Jaime bufou, esquentou-se, fez piada e zombou de seus “inimigos” enquanto, pelos bastidores, com a ajuda de João, arquitetava a eliminação completa de quem lhe ameaça. Como ele bem disse para João logo no começo do capítulo, ele quer fazer Isabel sangrar… Mais do que isso, Jaime quer pura e simplesmente sangue.

Na review passada destaque a curiosa divisão da série, que agora parece duas: uma com as cenas entre Leandro e Antônia, dotadas de tons românticos, e outra que é praticamente um thriller de ação, assumida por Jaime e Isabel. E neste episódio, essa divisão, além de tornar-se mais evidente, também ganhou uma justificativa. Único elemento em comum entre essas duas faces de “Amores Roubados”, Leandro passou por um processo de mudança neste capítulo e, mesmo em suas cenas com Antônia era visível sua preocupação. O sommelier falou em fugir e pareceu, em todo o tempo em que estava com a amada, incomodado com algo. É como se Leandro, de dentro da trama, estivesse tendo essa mesma visão que eu, daqui de fora, já tive. Ele sabe que por mais bonitos que sejam os pores-do-sol com a amada, o perigo está rondando aquela relação.

E se for isso mesmo, Leandro está correto, pois já na primeira cena vimos Jaime arquitetar a morte do sommelier. Como era de se esperar, o empresário não matou a mulher e conseguiu domar o ódio que sentia e pensar melhor. Decidiu que o caminho mais correto era matar Leandro – e não podemos nos esquecer de duas coisas. A primeira delas que a vinícola que ele comanda é, na verdade, do sogro e, logo, de Isabel. A segunda é que sumir com o corpo de uma grande dama da sociedade é mais difícil do que sumir com o Leandro, que não é ninguém – ou seja, eliminar o amante da mulher e fazê-la sofrer de outras formas, o que não é muito difícil dada a fragilidade mental de Isabel.

Assim o plano rodou durante todo o capítulo, com o sádico João fazendo tudo o que seu “padrinho” queria que fosse feito, com o único propósito de acabar de uma vez por todas com Leandro. Era bastante óbvio que este seria o grande gancho que encerraria a primeira semana de “Amores Roubados”, então eu não esperava outra coisa senão aquela cena final, com Jaime levando Leandro para uma emboscada.

O bom desse plano todo foi que ganhamos atuação brilhante de um Murilo Benício que entendeu a cabeça de Jaime sabendo transitar bem entre o ameaçador, o vingativo e manter-se perante todos impassível, como se nada estivesse acontecendo. Até mesmo por isso, as duas cenas de Murilo no capítulo que mais chamaram a atenção foram justamente aquelas em que ele deixa escapar algo por detrás da máscara, como quando brinca com Isabel falando que ela não havia motivos para ser infeliz naquela casa ou, já no final do episódio, quando começa por meio de indiretas em um dos momentos mais fantásticos desse roteiro, na cena do carro, tornar-se gradativamente mais ameaçador.

Quem merece todo o destaque também é Irandhir Santos que foi sadicamente perverso durante todo o planejamento da execução de Leandro. O ator que tem sido a grata surpresa da minissérie desde sua estreia finalmente cresceu e mostrou toda sua perversão. Se é compreensível o ódio de Jaime em razão da traição da mulher, as atitudes de João demonstram somente maldade, de uma pessoa que é pura inveja. João quer a vinícula, quer Antônia, quer o luxo, o glamour… João quer tudo. E Irandhir foi perfeito em imprimir o prazer de sua personagem em ver essa família desmoronando durante cada uma de suas cenas no capítulo.

E retornando a ideia que trabalhei anteriormente, de que Leandro esteve diferente durante todo este capítulo, acredito que isso foi o que mais me fascinou. É como se Leandro soubesse que iria morrer. A proposta de fuga feita à Antônia pelo rapaz deixa isso claro. Ele sabe que quanto mais tempo permanecer em Sertão, menores são suas chances.  E todas as cenas de Leandro passaram exatamente essa mensagem.

É de se destacar as ótimas conversas entre Leandro e Fortunato que, interpretado pelo ótimo Jesuíta Barbosa, é mais uma das gratas surpresas da minissérie. Fortunato funciona para Leadro como uma consciência fora de seu corpo. Fortunato é como aquele anjinho dos desenhos animados. De maneira crua e às vezes direta até demais o amigo aponta a Leandro o caminho de ruína que ele está seguindo. E foi bom ver neste capítulo, pela primeira vez, Leandro dando ouvidos ao amigo.

O crescimento do relacionamento dos dois foi tão bem desenvolvido que reservou a grande virada do episódio exatamente para essa dupla, com Leandro ligando para Fortunato quando sentiu o perigo da emboscada em que se metera. E não tenho dúvidas que o rapaz vai à procura do amigo e será, provavelmente, quem salvará Leandro da morte (por enquanto).

Mas nada no capítulo foi mais maravilhoso que Leandro e sua mãe, Carolina. O perdão, a superação dos problemas entre os dois, a reaproximação dos dois e a explicitação de que o rapaz encontra-se ameaçado e precisa da mãe foi um dos momentos mais marcantes que a minissérie nos apresentou até hoje. A cena toda foi belíssima, a troca de olhares entre Cauã e Cássia foi de fazer brotar lágrimas nos meus olhos. E o abraço emocionado entre os dois simplesmente fez essas lágrimas rolarem pelo meu rosto. Foi mais uma daquelas cenas que beiram a perfeição. Um roteiro magnífico que com poucas falas deixou escancaradas todas as mágoas existentes entre mãe e filho e uma direção minimalista, sem muitos cortes, focando-se quase que exclusivamente nos rostos de Cauã e Cássia, permitindo que os atores brilhassem. E eles brilharam. Foi uma cena de uma sensibilidade impressionante.

E assim “Amores Roubados” encerrou sua primeira semana de exibição, nos mostrando ser uma minissérie poderosa que trata de sentimentos pesados como a vingança, a ganância e o ódio, mas nos tocando da forma mais impressionante possível com o pedido de perdão mais palpável e emocional que já vi na televisão brasileira.

A expectativa pros próximos cinco – e últimos – capítulos é a melhor possível.

::: Alguns Devaneios Finais:
- Sobre a audiência, a série se recuperou da pequena queda e voltou a registrar 30 pontos no quarto capítulo (com picos de 33), e pela prévia de sexta, deve fechar sua semana de estreia com média de 30 pontos, se tornando o maior sucesso comercial da faixa nos últimos 8 anos e consolidada como a segunda maior audiência da Globo no dia, perdendo apenas para a novela das 21h.

- A audiência, no entanto, irá sofrer quedas na próxima semana uma vez que, com a estreia do BBB, “Amores Roubados” que hoje ocupa a faixa das 22h, passará a ocupar a faixa das 23h (chegando ao fim próximo das 00h). Não há previsões, na Globo, de qual vai ser o tamanho dessa queda, pois ninguém na emissora aguardava o sucesso estrondoso de “Amores Roubados”.

- De qualquer forma, a Globo espera que “Amores Roubados” ajude a aumentar a audiência do BBB, que é o que eles chamam de “sala de espera”, ou seja, o programa que o público assiste antes do que verdadeiramente quer ver. A minissérie já fez isso om Amor à Vida, que aumentou quase 4 pontos em sua média semanal depois da estreia de “Amores”.

- Sobre a emocionante cena entre Cauã Reymond e Cássia Kis Magro, vale destacar que em entrevista dada esta semana, Cauã revelou que, a pedido de Cássia, eles levaram as desavenças de seus personagens para a vida real em uma espécie de laboratório para construir essa relação. Desta forma, mesmo que juntos durante um grande período no qual a equipe gravou no Pernambuco, Cauã e Cássia mal dirigiam a palavra um ao outro, só retornando a um relacionamento ao término das gravações quando, de acordo com Cauã, Cássia lhe deu um grande abraço e os dois choraram juntos.

- Já há conversas entre Globo e George Moura sobre uma possível nova minissérie no começo do ano que vem. Após os sucessos do roteirista em O Canto da Sereia (2013) e agora em Amores Roubados (2014), Moura ganhou um novo patamar na emissora. O problema é que José Luiz Villamarim provavelmente não vai renovar a parceria com o roteirista em razão da nova novela de João Emanuel Carneiro que deverá estrear exatamente no primeiro trimestre de 2015 e deve contar, mais uma vez, com o diretor ao lado de Amora Mautner.