Os episódios escritos por Paula Richard, Camilo Pellegrini, Maria Claudia Oliveira, Renato Modesto e Vívian de Oliveira são protagonizadas por um grande elenco, como os atores, Taumaturgo Ferreira, Thais Fersoza, Giselle Itié, Cássio Scapin e Ângelo Paes Leme. Este último interpreta Gabriel, personagem principal do primeiro episódio da temporada ‘O Endemoniado de Cafarnaum’. A primeira temporada de "Milagres de Jesus" está disponível na Netflix e a cada semana um novo episódio estará disponível no serviço, sempre uma semana após sua exibição na Rede Record. A segunda temporada de "Milagres de Jesus" estreia dia 09 de fevereiro na Netflix. |
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Netflix estreia segunda temporada de "Milagres de Jesus"
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domingo, 4 de maio de 2014
Globo acelera produção de minissérie sobre dona de bordel
Investindo maciçamente na produção de séries e minisséries nacionais de curta duração, a Globo acaba de receber mais um produto do gênero, já pronto para ser gravado.
Escrevendo desde o ano passado uma minissérie de quatro capítulos sobre Eny Cezarino, dona do mais famosos bordel da história do Brasil, os autores Walther Negrão e Suzana Pires concluíram o trabalho e entregaram o roteiro à emissora. Segundo o colunista Flávio Ricco, “Dama da Noite”
não citará nominalmente os clientes mais famosos de Eny, tendo cuidado
especial em manter o sigilo das personalidades que inspiraram os
personagens do enredo.
Prevista para ir ao ar no ano que vem, a produção tem Alinne Moraes
como candidata favorita ao posto de protagonista, mas sua gravidez e a
consequente licença-maternidade podem impedi-la de assumir o papel.
Neste caso, Bárbara Paz aparece como segunda opção da emissora, enquanto Heloísa Perissé foi descartada do projeto.
A minissérie deve ser exibida em 2015.
sábado, 3 de maio de 2014
‘Oxigênio’, minissérie brasileira de ficção científica, é exibida no Sul
O canal RBS TV, afiliado da Rede Globo na região Sul, está exibindo a minissérie Oxigênio, dentro do programa Curtas Gaúchos. Criada por Pedro Zimmerman, Jerri Dias e Carlos Ferreira, Oxigênio trabalha com um gênero pouco explorado pela produção seriada brasileira.
A minissérie apresenta uma história sobre universos paralelos. Na
Terra Zero, a poluição e a destruição da biosfera provocou diversos
desastres naturais, levando este universo a se conectar com a Terra. Aos
poucos, os sobreviventes do universo paralelo passam a ocupar a Terra,
onde tomam posse de corpos e mentes. Alguns não têm ideia do que está
acontecendo, outros têm suas consciências trocadas com as dos
terráqueos, e existem também os simbiontes, seres que habitam ao mesmo
tempo os dois universos.
Neste cenário, o público acompanha as tentativas de Vitor (Felipe Mônaco) em ocupar totalmente a Terra. Ele enfrenta a resistência de Helena (Maria Carolina Ribeiro),
uma cientista que deseja restaurar o equilíbrio entre os universos
paralelos, revertendo a invasão. Os dois tentam localizar Gabriel (João Vitor Reis), um menino que tem o poder de acelerar ou interromper as trocas entre os universos.
No elenco também estão Amanda Grimaldi, Adriano Basegio, Brigida Menegatti, Thiago Prade e Marcos Verza. Oxigênio também conta com a participação de Ingra Liberato, Marcos Breda e Bruno Torres.
O projeto de Oxigênio foi originalmente desenvolvido para o
cinema. Mas em 2009 o projeto entrou na seleção do Fundo Setorial do
Audiovisual que auxilia a produção televisiva, concedida pela Agência
Nacional do Cinema - Ancine. Com isso, o projeto passou de filme de
longa-metragem para minissérie em seis episódios. No entanto, uma versão
compacta para o cinema não está descartada.
Filmada em Porto Alegre, Salinas, Caçapava do Sul, São Leopoldo,
Viamão e Canoas, a minissérie tem produção da Panda Filmes, com direção
de Zimmerman. Os efeitos visuais são da Santa Transmedia.
Maio: Viva ganha programação especial para celebrar 4º aniversário
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No dia 6, é a vez do humorístico "A Diarista" chegar ao canal. Exibido pela TV Globo de 2004 a 2007, o programa mostra as trapalhadas de Marinete (Claudia Rodrigues), que vive se metendo em roubadas causadas pelo seu chefe Figueirinha (Sergio Loroza). O dono da agência "Dia a Dia Diarista" manda suas funcionárias cada dia para uma casa diferente, com vários tipos de patrões - malucos ou avarentos, na maioria. A divertida Solineuza (Dira Paes) é a inseparável amiga da protagonista. Provida de pouca inteligência, foi apelidada de Pôia por Nete. As atrizes Helena Fernandes e Claudia Mello também estão no elenco do seriado.
Para o mês de comemorações, o VIVA também reservou cinco grandes produções nacionais para compor a faixa de seriados, substituindo o horário ocupado até então pelas minisséries. A partir do dia 12, de segunda a sexta-feira, cada dia uma produção ganhará destaque na programação. "Afinal, o Que Querem as Mulheres?" abre a semana. Protagonizada por Michel Melamed, a série mostra um escritor obcecado com sua tese de doutorado em psicologia. Em seis episódios, a atração traz nomes como Paolla Oliveira, Tarcísio Meira, Osmar Prado, Vera Fischer, entre outros. Terça é dia de "Carandiru - Outras Histórias" (2005), que tem Lázaro Ramos, Milton Gonçalves, Caio Blat, Chica Xavier, Alice Braga e Gabriel Braga Nunes no elenco. "Mulher" (1998), seriado das quartas, aborda o cotidiano de uma clínica especializada no público feminino. As médicas vividas por Eva Wilma e Patrícia Pillar permeiam as histórias.
"A Cura" é a atração das quintas, com Selton Mello no papel de Dimas Bevilláqua, um jovem cirurgião com dons mediúnicos. Para encerrar a faixa, o canal apresenta as aventuras de Pedro (Antonio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia) pelas estradas do Brasil em "Carga Pesada".
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domingo, 23 de março de 2014
Alinne Moraes pode viver cafetina em nova minissérie da Globo
Alinne Moraes está fora
do vídeo em razão da sua primeira gravidez, atualmente no sexto mês de
gestação. Por conta disso, a atriz deixou o elenco de “Em Família”, onde
foi substituída por Tainá Müller.
Sua ausência na TV, no entanto, pode não ser tão prolongada. Ela é cotada para interpretar a cafetina Eny Cezarino, cuja trajetória será retratada na Globo através da minissérie “Dama da Noite”.
A produção, que terá quatro capítulos e é escrita por Walter Negrão e Suzana Pires, deve contar, ainda, com Ivete Sangalo no elenco, entretanto, não lhe caberá o papel de protagonista, já que interpretou Maria Machadão em “Gabriela”.
Wolf Maia, diretor de núcleo da novela “Lady Marizete”, ainda não é confirmado como o responsável pela produção. As informações são da coluna de Flávio Ricco.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Sophie Charlotte vive prostituta em Serra Pelada.
Sophie interpreta prostitua Tereza
(Foto: TV Globo/Divulgação)
Em Serra Pelada - A Saga do Ouro, Sophie Charlotte dá
vida a Tereza, uma prostituta que se envolve com homens em busca do
sonho do ouro. Apesar dos momentos difíceis vividos por sua personagem, a
atriz garante que não sentiu desconforto em fazer um papel tão
diferente de todos os outros em seu histórico. "Não teve nada de
constrangimento no processo de criação desse trabalho. Devo muito ao
Chico Accioly (Francisco Accioly, produtor de elenco), ao Heitor (Dhalia, diretor) e
aos meus parceiros de cena. Fiz sem julgar a personagem e os desvios de
caráter dela. Foi maravilhoso", avaliou a atriz durante a coletiva de
imprensa dedicada à minissérie.
Para a construção da personagem, a atriz focou em estudar materiais das
décadas de 70 e 80. “Era um material realmente vasto, com tudo que saiu
na época: pesquisa de música, de fotografia, para criar um universo,
descobrindo uma mulher dessa realidade”, contou.
Matheus Nachtergaele, que vive Carvalho e contracena com Sophie em
diferentes momentos da trama, não poupou elogios à colega de elenco.
"Sophie é muito corajosa. Fiquei impressionado com ela. Fizemos algo
ousado e perigoso em cena e ela estava totalmente disponível
artisticamente. Ela foi brilhante", destacou o ator.
Serra Pelada – A Saga do Ouro é uma adaptação para a
televisão do filme homônimo, que estreou nos cinemas em 2013. Em formato
de minissérie, exibida em quatro capítulos, o programa ganha nova
montagem e edição, com a inclusão de cenas inéditas. Com direção de
Heitor Dhalia e direção de núcleo de José Alvarenga Júnior, estreia HOJE, logo após o Big Brother Brasil.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Serra Pelada: a jornada de dois amigos em busca do sonho do ouro
Serra Pelada - A Saga do Ouro
(Foto: TV Globo/Divulgação)
Serra Pelada - A Saga do Ouro conta a história de
Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade), dois amigos que
decidem ir para o Pará em busca do sonho do ouro, no maior garimpo a céu
aberto do mundo. O ano é 1980, quando milhares de homens começam a
chegar à Floresta Amazônica. Alguns anos depois, Serra Pelada se
tornaria a maior concentração de trabalho desde a construção das
Pirâmides do Egito.
Juliano vê no garimpo uma chance de fugir dos seus problemas. Boxeador
fracassado, ele precisa deixar alguns inimigos para trás. Já o sonhador
Joaquim só quer achar o ouro e voltar para os braços da esposa grávida,
que deixou em São Paulo. Seu maior desejo é ficar rico para que seu
filho não viva na pobreza em que ele cresceu.
A dura vida no garimpo, no entanto, muda os planos da dupla.
Rapidamente, os dois tornam-se parte daquele universo, onde a busca
desenfreada pela riqueza degrada os valores, o caráter e pode destruir
até mesmo uma grande amizade. Juliano se torna um gângster violento. O
poder vindo com a alcunha de ‘bamburrado ‘ – nome dado ao garimpeiro que
encontra ouro – faz de Juliano um homem sem princípios, obcecado pelo
dinheiro a qualquer custo.
Joaquim (Julio Andrade) e Juliano (Juliano Cazarré)
(Foto: TV Globo/Divulgação)
Mas a principal batalha de Juliano passa a ser conquistar Tereza
(Sophie Charlotte). De beleza marcante, ela é noiva de Carvalho (Matheus
Nachtergaele), um poderoso fazendeiro local. O desafio de possuir a
mulher de um dos homens mais poderosos do Pará atrai Juliano, capaz de
fazer o que for preciso para tê-la em seus braços.
Apesar de logo perceber a mudança do amigo, Joaquim só o deixará quando
ele se tornar alvo do companheiro, que tira sua autonomia do negócio,
inicialmente administrado pelos dois. Quem aproveita a situação é Lindo
Rico (Wagner Moura), rival mais perigoso de Juliano. De temperamento
violento e explosivo, ele envenena Joaquim contra o ex-amigo e causa a
discórdia entre eles galgar um novo patamar no garimpo. Sua cobiça vai
além do dinheiro, ele quer o poder absoluto e, para isso, é capaz de
tudo.
Serra Pelada – A Saga do Ouro é uma adaptação para a
televisão do filme homônimo, que estreou nos cinemas em 2013. Em formato
de minissérie, exibida em quatro capítulos, o programa ganha nova
montagem e edição, com a inclusão de cenas inéditas. Com direção de
Heitor Dhalia e direção de núcleo de José Alvarenga Júnior, estreia na
terça-feira, 21/01, logo após o Big Brother Brasil. Imperdível!
Wagner Moura volta à TV como o chefe de garimpo corrupto Lindo Rico
Wagner Moura interpreta Lindo Rico
(Foto: Globo Filmes/Divulgação)
Quem estava com saudade de Wagner Moura na telinha vai poder matar a
vontade de vê-lo atuando a partir do dia 21/01, na minissérie Serra Pelada – A Saga do Ouro. A última aparição do prestigiado ator na TV Globo foi em 2009, quando Wagner fez o papel dele mesmo na série Som & Fúria.
Depois de uma temporada de sucessos no cinema, com direito a papel de
destaque em longa hollywoodiano, Wagner está de volta como Lindo Rico,
um chefe de garimpo que faz de tudo para defender os seus negócios.
Na película - a minissérie é uma extensão do filme que estreou nos
cinemas em setembro de 2013 -, Wagner Moura também assumiu a função de
produtor. Para ele, uma experiência que o ajudou bastante a entender
ainda mais os processos por trás das câmeras. “A minha participação é
muito maior como produtor do que como intérprete. Em ‘Serra Pelada’, eu
filmei pouco, então pude acompanhar melhor e ficar em contato com o
Heitor (Dhalia, diretor). Sou um ator que tem muito interesse no que
acontece ao redor. Sempre tive. Isso vai me ajudar bastante no filme que
vou dirigir no ano que vem”, adianta Wagner.
Ator volta às telinhas como vilão
(Foto: TV Globo/Divulgação)
Sobre Lindo Rico, ele explica que o personagem denuncia uma realidade
que ainda acontece naquela região do Pará. Rico usa da corrupção para
atingir seu objetivo: quebrar os negócios de Juliano (Juliano Cazarré).
“A relação de corrupção com o policial é um fato naquela região até
hoje. O poder instituído, muitas vezes com relações promíscuas com a
autoridade, é explícito ali. Isso me interessa. Eu gosto de política”,
diz.
Mas, apesar do gosto pelo tema, Moura entrega que a construção de Lindo
Rico teve outro viés: “A minha motivação e a do Heitor com este
personagem foi absolutamente dramática”. Curioso para saber o que Lindo
Rico será capaz de fazer? Então não perca a estreia da minissérie!
Serra Pelada – A Saga do Ouro tem direção de Heitor
Dhalia e direção de núcleo de José Alvarenga Júnior. A minissérie, em
quatro capítulos, estreia dia 21 de janeiro, após o Big Brother Brasil 14.
Cazarré é ex-boxeador que tenta a sorte no garimpo em ‘Serra Pelada’
Juliano vive personagem com caráter duvidoso
(Foto: TV Globo/Divulgação)
"Um cara pragmático”, define Juliano Cazarré ao falar sobre seu personagem em Serra Pelada - A Saga do Ouro.
O ex-boxeador frustrado, que tem o mesmo nome do ator, largou tudo em
São Paulo para tentar a vida no garimpo. Com o sucesso na nova
atividade, Juliano acabou ganhando poder e destaque em seu novo
universo. “É um faroeste brasileiro: é a saga do ouro, mas também é a
história de dois amigos e de um amor bonito”, adianta.
Ambicioso, o garimpeiro se rende às leis do garimpo. “Ele chega ao
lugar, entende que aquele mundo é regido por novas regras, que não são
as da cidade, e se adapta a elas. A gente vê que ele toma algumas
decisões duras e entende que ele estava fazendo tudo aquilo para
proteger o que achava ser certo”, defende o ator, que acredita na
capacidade empreendedora de seu personagem.
Cazarré não tem dúvidas sobre os pontos fortes dessa história. “A gente
bate bastante nessa tecla do ouro, mas é o que o ouro causa nas
relações que eu acho que é onde está a riqueza do trabalho. É amor o que
esses personagens sentem uns pelos outros. O que o Juliano sente pela
Tereza (Sophie Charlotte) é amor. Aquele é o jeito que ele sabe amar”,
avalia.
A trama conta ainda a história de uma amizade que pode ser ameaçada com
a nova realidade de Juliano e Joaquim (Júlio Andrade). Na vida real, o
ator não esconde a consideração que tem por suas amizades. "Eu acredito
realmente que a maior riqueza que um homem pode possuir são os amigos.
Não sou um cara de muitos amigos, mas os amigos que tenho quero levar
para o resto da vida”, enfatiza.
Serra Pelada – A Saga do Ouro é uma adaptação para a
televisão do filme homônimo, que estreou nos cinemas em 2013. Em formato
de minissérie, exibida em quatro capítulos, o programa ganha nova
montagem e edição, com a inclusão de cenas inéditas. Com direção de
Heitor Dhalia e direção de núcleo de José Alvarenga Júnior, estreia na
terça-feira, 21/01, logo após o Big Brother Brasil.
Último capítulo de “Amores Roubados” consolida 27 pontos
Exibido na sexta-feira, 17, o último capítulo de “Amores Roubados” obteve média de 27
pontos. Os dados são consolidados. A marca é dois pontos a mais do que a
prévia. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo.
Apesar de não ser a maior média, os 27
pontos superam as audiências dos capítulos de terça (14), quarta (15) e
quinta-feira (16), que alcançaram 25 pontos. A minissérie atingiu o seu
maior ibope na segunda, 13, quando cravou 32 pontos. Na ocasião,
Leandro, personagem de Cauã Reymond, acabou caindo numa emboscada e morrendo.
Com o índice, “Amores Roubados” chegou ao fim com média-geral de 28,2 pontos, uma marca e tanta para os atuais padrões da Globo. Para se ter uma ideia, é o melhor resultado desde “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor (2010), de Maria Adelaide Amaral, que obteve 29,4 pontos.
Escrita por George Moura e dirigida pelo José Luiz Villamarim, “Amores Roubados” saiu de cena elogiadíssima pelo público e crítica.
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Último capítulo de “Amores Roubados” atinge média de 25 pontos
A excelente “Amores Roubados” chegou ao fim nessa sexta-feira, 17, de forma arrebatadora. A minissérie de George Moura (roteiro), José Luiz Villamarim (direção geral) e Walter Carvalho (direção de fotografia) manteve até o último segundo o desfecho do sommelier Leandro (Cauã Reymond).
Assim como ocorrera no livro, “A Emparedada da Rua Nova”, de Carneiro Vilela (1846 – 1913), que originou a minissérie, Leandro fora assassinado após uma emboscada provocada por Jaime Favais (Murilo Benício) – no entanto, o Don Juan do Sertão acabou caindo de um penhasco com um carro, em vez de ser morto com um tiro na cabeça.
Em relação ao enredo original, a Globo optou por dar outro desfecho a Antonia (Isis Valverde),
que grávida de Leandro, acabou tendo o rebento e batizando-o com o nome
do pai. No entrecho de Vilela, a mocinha, como o próprio nome entrega,
acaba emparedada viva e grávida.
Jaime também ganhou outro final na
adaptação televisiva. O coronel acabou despencando de um penhasco ao
descobrir a gravidez de sua filha. Isabel (Patrícia Pillar) retornou ao fim, com o neto já nascido, após ser internada numa clima psiquiátrica. Cavalcanti (Osmar Prado) e Celeste (Dira Paes) acabaram reconciliados.
No ar das 23h05 às 23h55, “Amores Roubados” atingiu média de 25 pontos com 49%
de share (porcentagem de televisores ligados) em seu último capítulo. É
uma marca e tanto para o dia e horário de exibição. Os dados são
preliminares, e podem sofrer alteração no consolidado. Cada ponto
equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.
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Amores Roubados – Capítulo 10 [Final]
Tocante… Grandioso… Estupendo… Este capítulo final colocou “Amores
Roubados” definitivamente na história da teledramaturgia brasileira.
Quem leu minhas últimas nove críticas sobre “Amores Roubados” sabe
que, durante todo o seu percurso, eu fui um fã incondicional de todo o
trabalho que George Moura e José Luiz Villamarim estavam nos entregando.
Tamanha era a minha admiração pela minissérie que, em determinado
momento, não sem razão, fui acusado por um leitor de uma excessiva
adjetivação da obra.
Admito, sou culpado disso. Sou culpado de admirar inteiramente uma
obra que em todos os seus aspectos técnicos e textuais, em suas
atuações, em sua trilha sonora, em todos os seus mínimos detalhes
demonstrou o esmero de sua equipe de produção em entregar um produto de
qualidade para o público. Público este tão acostumado com o comum, o
vulgar, o mediano… Ainda assim, utilizei o meu nem tão amplo vocabulário
de adjetivos apenas para tentar mostrar em palavras aquilo que era
impossível: a magnitude de sentimentos que “Amores Roubados” despertava
em mim.
Mas em respeito aos meus leitores e em busca de uma objetividade,
diante deste capítulo final arrebatador, decidir utilizar apenas os três
adjetivos que abriram esta derradeira crítica: TOCANTE (adj. Comovente, emocionante), GRANDIOSO (adj. Com grandeza, com magnificência, imponente, nobre, sublime) e ESTUPENDO (adj.
Que ocasiona assombro; que causa admiração; extraordinário. Que exprime
ou provoca espanto por ser grandioso; descomunal. Maravilhoso;
surpreendente, fantástico. Monstruoso; assombroso ou espantoso.
Extraordinário; fora do comum, excepcional) e tentarei definir “Amores” com apenas estes três adjetivos. Árdua tarefa.
Desde que se assumiu como um thriller, “Amores Roubados” entrou em
uma trama policial ágil, direta e quase sem rodeios. Desta forma, este
último capítulo começou exatamente do onde paramos ontem, com a
descoberta de Antônia de que o pai fora o responsável pela morte de
Leandro. Poucos minutos depois o episódio já dava sinais de como seriam
as coisas dali em diante, com Bigode atirando contra Fortunato e Antônia
gritando contra ele e João.
Era a hora da verdade. Era a hora de finalizar as tramas. Atar os
nós. As pessoas diretamente ligadas a Leandro Dantas teriam seus
destinos selados de uma vez por todas.
A começar pela primeira grande amante de Leandro, Celeste. Fogosa,
impetuosa e inconsequente, Celeste nunca amou Leandro – apesar do que
suas cartas diziam – sentindo apenas uma obsessão, sentindo-se dona do
rapaz, o que refletia bem sua personalidade possessiva, de mulher rica,
poderosa, que sempre teve tudo o que quis na vida. Cavalcanti, de certa
forma, fora culpado também pela traição que sofrera, por paparicar
demais a mulher a vida toda. E acredito que até pelo grau de
envolvimento que Celeste teve com Leandro, que nunca foi tão sentimental
e sim carnal, ela foi a personagem que menos teve o seu destino
impactado pelo sommelier. Seu final, apesar dos pesares, foi
feliz. Celeste sofreu sim quando o marido descobriu a traição, mas não
sofreu nada mais do que merecia sofrer pela sua inconsequência… Talvez
por isso, no final, deixou de lado a impetuosidade e tornou-se mais
humilde ao enxergar aquilo que realmente valia a pena. O que sempre
valeu. Sua família. E assim, balançados, mas unidos, nos despedimos dos
Cavalcanti.
Outra mulher com seu destino eternamente atrelado ao de Leandro,
mesmo que não tenha sido sua amante, foi Carolina. O relacionamento dos
dois começou de maneira terrível mas foi evoluindo, e ouso dizer ser um
dos relacionamentos mãe/filho mais bonitos que já vi na televisão
brasileira. No auge das perseguições, segredos e reviravoltas que
tivemos nos últimos capítulos não tivemos tempo para parar e refletir
sobre os últimos momentos de Leandro. E a verdade é que seu último
grande ato foi perdoar e ser perdoado pela mãe.
Lembro-me bem a emoção que a cena do pedido de perdão me causou e,
ainda com aquela ela clara na minha cabeça, me arrepiei completamente
quando vi a última cena de Carolina, que foi igualmente tocante,
arrebatadora. E assim nos despedimos desta personagem da incomparável
Cássia Kis Magro, e foi neste momento que “Amores Roubados” tornou-se TOCANTE.
Mal tínhamos visto a segunda chance dada à família Cavalcanti –
representada pela cena de Celeste, Roberto e Thiaguinho brincavam
felizes – e já fomos lançados para a sequência entre Carolina e
Fortunato. A dor já me atingiu naquele momento, pois assim como
Fortunato, eu me senti ali diante de Carolina incapaz de comunicar a ela
o que de fato ocorrera com seu filho. No fundo, Carolina sabe que não
voltará a ver Leandro. Ela é mãe. Seu coração provavelmente já lhe dizia
a verdade. Não cabia a Fortunato lhe contar isso. Sobretudo depois de
ouvir Carolina dizer que só seria totalmente feliz com o filho…
E neste momento – o primeiro momento realmente marcante deste último
capítulo – quando Carolina abraça Fortunato em prantos, eu também me
encontrava em prantos e percebi a capacidade da minissérie em ser
emocional, visceral… tocante. Ali havia a certeza que nunca mais
voltaríamos a ver Carolina – assim como ela não voltaria a ver seu filho
– e havia um misto de luto e alegria em vê-la ali, em prantos, de
coração destruído, mas ainda assim com toda a pompa, vestida como
imaginava se vestir a mulher respeitosa que Carolina sempre quis ser. E
assim nos despedíamos da magistral Cássia Kis Magro, que me levou às
lágrimas na metade do capítulo com essa que já é uma de suas personagens
mais marcantes.
Até então eram finalizados também os destinos daqueles que, mesmo não
se envolvendo diretamente com Leandro, tiveram suas vidas impactadas
pelo rapaz. É o caso de Fortunato que, fugido, manteve consigo o que
tinha de mais valioso: sua própria vida. E o que Fortunato deixou para
trás? Uma excelente atuação de Jesuíta Barbosa que, após esta chance,
deve ser melhor observado pela Globo e receber tantas outras chances,
pois se trata de um ator novo e talentosíssimo.
Outro ator talentosíssimo que também teve, em “Amores Roubados”, uma
vitrine – embora ligeiramente mais famoso que Jesuíta, sobretudo por
Tropa de Elite 2 – foi Irandhir Santos que conseguiu manter seu João
enigmático e sombrio do primeiro ao último capítulo da série. E ainda
que muitos tenham reclamado pela falta de uma finalização concreta para
seu personagem, eu não chego a achar isso um problema. O poder e a força
de João só existia em razão da subordinação deste a Jaime e, com o fim
do reinado de seu “padrinho”, é de se desconfiar que João se perdeu na
vida. Mas não sem antes nos revelar o grande mistério por trás dos
desenhos de cadeiras – que simbolizavam, de uma só vez, sua ambição de
ter tudo o que pertencia aos Favais e o amor que sentia por Antônia, que
para ele era o caminho até a cadeira que era sua por direito – e se
livrar também de Bigode.
Restava então dar um fim definitivo à família Favais, a mais
impactada por Leandro Dantas. E este final foi sendo criado
gradativamente, durante todo o último capítulo, enquanto víamos outras
famílias tendo seus destinos definidos apenas para que conseguíssemos,
no final, comparar e entender o que faziam os Favais tão diferentes de
Celeste, Carolina, Fortunato e os outros… E mais, entender porque eles
foram os mais devastados após a passagem de Leandro por Sertão.
E a verdade é que não foi o sommelier quem destruiu a família
Favais. Ela já estava destruída bem antes disso. Dá pra enxergar nos
Favais uma grande alegoria a muitas famílias reais, que são construídas a
partir do amor, do respeito, da admiração, da lealdade, mas que, no
decorrer dos anos, vai perdendo esses valores… É o marido que trabalha
demais e perde o contato com a família. É a mulher que é abandonada pelo
marido e pela filha e simplesmente não suporta viver com seus
fantasmas. É a filha que sabe que o mundo é maior do que o que fora
planejado para ela pelos pais. São as mentiras. São os segredos. São as
não-verdades. São os falsos sorrisos. A falsa sensação de que está tudo
bem. É a poeira jogada debaixo do tapete. São os remédios que te ajudam a
sobreviver a mais um dia. É a necessidade de ser em público aquilo que
já não se é na privacidade… Foi tudo isso que destruiu a família Favais,
não foi Leandro.
E se Jaime utiliza-se do seu coronelismo e de sua arrogância para por
um fim em sua mulher – afinal, o “adeus” dele demonstra que, por ele,
Isabel não sairia do manicômio tão cedo – o mesmo não ocorre quando ele
enfrenta de uma vez por todas a filha, onde ele é totalmente subjugado
por ela. É engraçado notar que, até saber sobre a verdade acerca da
morte de Leandro, Antônia não tinha ainda enfrentado o pai e a
minissérie nunca trabalhou nos conflitos existentes entre eles, sempre
se focando nas relações amorosas e nas traições. Mas eles sempre
estiveram ali, acumulando-se. E explodiram, todos de uma vez só, na cena
final entre pai em filha, na beira do penhasco. Ísis Valverde
(absolutamente FANTÁSTICA) e Murilo Benício nos deram uma cena tão bela,
tão crua, tão real, tão violenta, que naquele momento “Amores Roubados”
tornou-se GRANDIOSA por tudo o que ousava nos oferecer. Bem mais
do que a televisão normalmente nos oferece. Era o desaforo da
minissérie pedindo seu lugar de direito na história da teledramaturgia
nacional.
Durante toda sua trajetória na série, Jaime Favais acumulou o ódio de
muitas pessoas – o meu incluso – mas sua morte não foi nada bonita. Não
foi um final feliz. Não foi o final merecido de um vilão. E
simplesmente porque Jaime não era um vilão… Ele era tão vítima quanto
Isabel e Antônia. Vítima daquela rotina que matou a família Favais.
A belíssima cena em que vimos um Jaime mais jovem brincando com a
pequena Antônia serviu para mostrar isso. Serviu para nos dizer: “Ei, não fique feliz com o que vai acontecer. Jaime não merecia isso”.
Ver sua filha dizer-lhe que ele desgraçou a sua vida, ver o ódio nos
olhos da pessoa que ele mais amou, simplesmente não foi bom para Jaime.
Ele não merecia isso. Nenhum pai merece passar por isso. E isso
dilacerou o seu coração. Foi isso que o empurrou daquele penhasco e o
fez cair sem ao menos gritar. Jaime morreu no momento em que ouviu tudo o
que Antônia lhe disse e não quando caiu. Jaime morreu no momento que
constatou o quanto tinha destruído a vida da própria filha. E ver um
embate desses entre pai e filho, gente, não é natural. É feio. É
doentio. É violento. É animal.
A morte da Jaime é a grande tragédia anunciada da minissérie. É o fim
definitivo da família Favais. E isso é lindamente simbolizado quando
vemos a plantação seca, quando vemos a vinícola morta. Essa cena foi tão
significativa de tudo o que eu disse que eu senti um arrepio em todo o
meu corpo ao assisti-la. Foi mais cruel do que qualquer outra cena
poderia ser. E ao mesmo tempo, mais poética do que eu jamais poderia
imaginar. Foi GRANDIOSA.
E a opção de terminar a minissérie com Antônia na praia com o pequeno
Leandro e Isabel foi o consolo que um pai dá a um filho após um
pesadelo. “Amores Roubados” foi genial em toda sua trajetória, mas
também foi perversa, foi pesada… E terminar com aquela pequena cena
ensolarada foi a forma de dizer: Hey, apesar dos pesares, Antônia tem
uma nova chance. Apesar de tudo, Leandro deu-lhe a chance de recomeçar…
De criar sua própria família… Ali mesmo em Sertão, mas não na terra suja
do sangue de Leandro e Jaime, e sim a beira do rio São Francisco, que
com sua água pura leva tudo, até o pior dos sofrimentos…
Bem, pelo menos foi isso o que a própria Antônia nos disse no capítulo anterior.
“E o que faz “Amores Roubados” ESTUPENDA, Thiago?” – Vocês me indagam…
- Além de tudo isso, o que é que não a faz? – Eu lhes devolvo a indagação.
::: Alguns Devaneios Finais:
- Não é hora de tentar mensurar o imensurável. Não há no elenco UM
ator que se destaque perante os outros. Todos foram excepcionais. Meus
parabéns a Patrícia Pillar, Dira Paes, Ísis Valverde, Cássia Kis Magro,
Murilo Benício, Cauã Reymond, Irandhir Santos e Osmar Prado pelo
trabalho excepcional.
- Parabéns também a Jesuíta Barbosa pela espetacular estreia na televisão. Já ficarei ansioso em vê-lo em outro trabalho.
- Parabéns também a George Moura que, novamente, apresenta uma obra
fantástica, delicada, bem trabalhada. Um roteirista talentosíssimo. E
parabenizo também José Luiz Villamarim por mais uma direção impecável.
Um dos diretores mais fantásticos que a Globo tem. E aproveito também
para agradecer a todos os envolvidos na produção da minissérie… Esses
dois são geniais, mas só quem faz TV sabe que eles não fariam nada
sozinhos. O crédito é de todos os envolvidos nesta produção.
- Um parabéns especial a Walter Carvalho, diretor de fotografia, que
transformou os cenários áridos do sertão nordestino em um personagem
vivo da minissérie.
- Durante o episódio, em uma das passagens mais tocantes, fomos
presenteados com uma linda versão de “Jura Secreta”, do Fagner. Essa
música coroou uma trilha que, durante toda a minissérie, foi
espetacular.
- Foi triste ver a abertura pela última vez. Primeiro, porque foi
triste se despedir da minissérie, mas também porque a abertura era
primorosa. Linda.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Amores Roubados – Capítulo 9
Toda a tensão do momento que antecede o Grand Finale.
A esta altura de “Amores Roubados” tudo o que me resta é me
impressionar com toda a estruturação narrativa da trama. Todos os atores
do elenco principal já tiveram inúmeras chances de se provarem – e o
fizeram com perfeição – a trilha sonora continua sendo impecável, assim
como a fotografia de Walter Carvalho. Assim, perto do fim, tudo se volta
novamente a George Moura e José Luiz Villamarim, pois é graças à estes
dois – roteirista e diretor, respectivamente – que se imprimiu este
ritmo à minissérie. Ritmo este que simplesmente arrematou o público.
De princípio tínhamos a introdução e durante três capítulos vimos
Leandro envolver-se com suas amantes: primeiro Celeste, depois Isabel e
por fim Antônia. Durante os dois capítulos posteriores vimos esses
relacionamentos ruírem, causando a destruição do próprio Leandro Dantas.
Sua morte, durante o sexto capítulo é o grande ponto de virada da trama
que, a partir de então adotou ares de thriller e em uma trama policial,
imprimiu um ritmo mais rápido, deixando o público sem fôlego. O oitavo
capítulo foi a bomba que destruiu todas as estruturas restantes da
trama, deixando para o final apenas a imprevisibilidade. E agora, neste
nono capítulo, começamos a ver através da poeira, após a explosão, os
contornos do que restou daquela trama. O final está ali, na nossa
frente, mas inteligentemente este capítulo apenas nos entregou vultos,
as imagens se materializarão no derradeiro capítulo.
O final não é muito difícil de prever. Desde e o começo de “Amores
Roubados”, mesmo com as cenas românticas e a trilha sonora inebriante,
era claro que a história da minissérie não era uma história de amor. Era
uma tragédia. Sempre foi. Se enganou quem pensou que não seria, seja um
telespectador ou até mesmo um personagem. A tragédia sempre esteve
rondando cada um dos personagens da minissérie e continuará ali, até
destruir todos os principais envolvidos. Leandro foi a primeira vítima,
morto. Depois foi Isabel, que certamente preferia estar morta a viver
consigo mesma, neste momento. Depois a tragédia atingiu Celeste, que
perdeu o que de mais valioso tinha: a confiança do marido. O mundo de
Celeste já acabou. Ainda devemos ver alguma coisa relacionada a
personagem no capítulo final, mas o fim dela já está traçado.
No tabuleiro que era “Amores Roubados” sobraram apenas alguns peões e
duas peças importantes: um Rei e uma Dama. O Rei, representado por
Jaime, está a apenas uma jogada de um Xeque-Mate. Matar Leandro criou
uma reação em cadeia do qual Jaime simplesmente não foi capaz de prever e
não está sendo capaz de controlar. A morte do sogro foi apenas mais uma
tentativa desesperada de evitar o inevitável. Jaime será preso, morto
ou vai fugir. Fato é que ele não conseguirá simplesmente esconder tudo o
que fez e prosseguir com sua vida como era antigamente. Esta vida não
existe mais.
O Rei está morto, Xeque-Mate.
A dúvida que resta apenas é o destino de alguns dos peões mais leais
ao rei, como João e Bigode. Este último é um pobre coitado e certamente
será sacrificado antes mesmo que se chegue ao próprio Jaime, mas João é
uma peça interessante nesse tabuleiro. O destino do personagem é,
provavelmente, a maior surpresa que o último capítulo vai nos apresentar
e eu realmente não sou capaz nem de arriscar nada.
Do outro lado do tabuleiro temos a última grande peça a resistir:
Antônia, a bela e formosa Dama vivida por Ísis Valverde. Até então
parada, sem ser acionada para absolutamente nada e apenas sofrendo os
golpes deferidos contra seus parceiros e aliados, chegou finalmente a
hora dela entrar no jogo. Na cena final do capítulo encontramos aquele
que foi o maior – e provavelmente o último – grande gancho que a
minissérie nos apresentou. Ao descobrir que o pai foi o grande
responsável pela morte de seu amado, “Amores” já nos antecipou logo o
grande último embate da minissérie: Antônia x Jaime. E se Isabel – que
também descobriu tudo – não tem força psicológica para enfrentar o
marido, a situação muda completamente quando vemos Antônia que desde
duas primeiras cenas já enfrentava o pai e já chegou, inclusive, a
indagar claramente o porquê de todo mundo ter medo de seu pai.
Fortunato cumpriu divinamente o seu papel de armar Antônia nesta
guerra contra o pai e, infelizmente, como o bom peão que é neste
tabuleiro, também deve ser eliminado antes que o jogo se encerre. No
meio deste embate – que coloca como o grande protagonista da minissérie
no seu capítulo final exatamente o núcleo da família Favais – ainda
existem segredos a serem revelados (como a gravidez de Antônia e o
próprio relacionamento que a moça tivera com Leandro) e creio que alguma
surpresas também nos foram reservadas. A única coisa certa sobre este
final é que a tragédia que já destroçou grande parte dos personagens
também atingirá todos os membros desta família.
Aliás, admito não estar inteiramente correto em meus palpites acerca
do final de “Amores Roubados”. A tragédia não atingirá a todos os
personagens, mas apenas àqueles que colocaram suas peças no tabuleiro.
Cavalcanti, que até então era uma peça no joguinho de sua mulher, já
assumiu o controle da situação e está mais interessando em jogar seus
próprios jogos com a mulher.
E Carolina… Bem, a esta altura do campeonato Carolina se mostrou ser a
melhor jogadora de todos, nunca entrando diretamente no jogo, mas
apenas observando tudo a distância. Não acho que seu final será a
tragédia que foi o de seu filho, mas assim como no caso de João, não
faço a mínima ideia de qual vai ser seu final… Torço para que seja o
melhor possível.
::: Alguns Devaneios Finais:
- Osmar Prado continuou fantástico em sua vingança contra a mulher. A
cena em que Cavalcanti obriga Celeste a ler os e-mails que escrevera
para Leandro foi uma das melhores do capítulo. “Meu homem… Meu macho”.
- No que diz respeito a Ísis Valverde, não tenho muito o que
adicionar. Mesmo “competindo” com Patrícia Pillar e Dira Paes, tem sido a
dona da minissérie desde o começo dessa semana. Um dos melhores
momentos da atriz em sua carreira. Seu texto é o mais complexo entre os
personagens centrais e ela varia entre as diferentes nuances de Antônia
com maestria. Confirma com todas as forças o posto de uma das melhores
atrizes de sua geração.
- Por mais que a Globo tenha tentado evitar grandes quedas de
audiência, “Amores Roubados” novamente ficou com 25 pontos – entrando
ainda mais tarde do que na terça – o que ainda é impressionante (a média
das 23h na Globo é 15 pontos), mas que certamente atrapalhará sua
média-final que certamente seria superior a 30 pontos, não fosse o BBB.
- Na Globo há a vontade de continuar a ter minisséries de George
Moura no início de ano da emissora. A ideia, novamente, era pegar um
livro marcante de algum escritor nordestino brasileiro para a adaptação
do roteirista. O problema é que George, no momento, só tem olhos para O
Rebu, novela das 23h que estreia no segundo semestre deste ano e já
disse também querer voltar-se para o cinema em breve.
- E mesmo para aqueles que não gostam de novela, “O Rebu” será um bom
produto, pois contará com apenas 40 capítulos. E a dupla
Moura/Villamarim promete imprimir um ritmo mais próximo ao de uma série à
novela.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
“Amores Roubados” é sucesso em todo o Brasil; confira os números
A Globo está surpresa com os resultados de “Amores Roubados”. A minissérie, que estreou no dia 06 de janeiro, registrou em sua primeira semana no ar um aumento de 3 pontos na média do horário em São Paulo. A história marcou 30 pontos ante os 27 registrados nas quatro semanas anteriores. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na região.
Além disso, a situação no Rio de Janeiro também foi bem semelhante. A série aumentou em 2 pontos a faixa horária, também com 30 pontos. Cada ponto equivale a 40 mil domicílios na Grande RJ.
Mas é em Fortaleza (CE) que “Amores Roubados” bateu recorde. A produção registrou 69% de share
(participação no total de televisores ligados no horário). Ou seja, a
cada 10 telespectadores, 7 estavam assistindo à Globo. Em Recife (PE) e Florianópolis (SC), os números também foram impressionantes, com 68% e 67% de share, respectivamente.
Na última terça-feira (14), mesmo com a estreia do “Big Brother Brasil 14″,
a série registrou 25 pontos de audiência em São Paulo. Houve uma queda
de 7 pontos, mas considerada pequena em relação aos outros anos.
As informações são da jornalista Keila Jimenez.
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Amores Roubados – Capítulo 8
Mentiras reveladas, segredos descobertos… Nada será igual em Sertão após este oitavo capítulo de “Amores Roubados”…
Mantendo o ritmo sempre, a minissérie apresentou um oitavo capítulo
para cardíaco nenhum botar defeito e, mesmo que eu quisesse respirar,
mal consegui tirar os olhos da tela. Afinal, desde o momento em que
Isabel chegou à casa de Celeste e ouviu da amiga a revelação de que
Leandro era seu amante deu-se início uma reação em cadeia onde cada um
dos segredos mais obscuros das personagens principais foram caindo um
por um, com reações quase que imediatas.
O grande acontecimento do capítulo foi a revelação de que Celeste e
Isabel eram amantes de Leandro e, a partir deste ponto, foi-se
desenvolvendo uma cuidadosa trama explorando as dimensões psicológicas
que esta bomba causou nos diferentes relacionamentos da minissérie. E
aqui sou obrigado a destacar a perfeita união entre roteiro e direção
mas, sobretudo, uma edição ágil que, intercalando todos os
acontecimentos na casa de Celeste com algumas cenas esparsas de Jaime e
de Fortunato, foi de uma inteligência ímpar, deixando-me literalmente
ofegante.
Sou obrigado a começar a abordar esta sucessão de acontecimentos do
ponto de vista de Isabel. A última vez que vimos a personagem, ela
estava a beira da loucura, completamente sem rumo e se prendendo a um
fio de sanidade que ainda lhe restava. Quando escuta de Celeste que a
amiga também era amante de Leandro, este fiio se rompe e Isabel cede por
completo. É inimaginável tentar entender todo o drama pelo qual a
personagem passava – e aqui a frase de Jaime, de que faria a mulher
sangrar de dor, faz completo sentido – mas ainda assim, Patrícia Pillar
esteve tão espetacular em cena que, mesmo no meio do surto de sua
personagem, conseguiu atrair muito do capítulo para si.
A próxima impactada pela informação dos casos de Celeste e Isabel com
Leandro fora Antônia. Presenciar a própria mãe surtar e assumir o caso
com o seu amado foi demais para a personagem e Ísis Valverde foi soberba
neste momento. O choque, a dor, a dimensão de tudo o que acabara de
escutar, a forma com que se afasta da mãe desvalida procurando por ar,
foi tudo absolutamente perfeito. Cena fantástica para ambas as atrizes.
Aliás, cena fantástica para a teledramaturgia nacional e ponto. Mas não
acabou por aí, durante todo o resto do episódio o roteiro demonstrou um
cuidado especial com Antônia e, dentro do furacão em que se encontrava a
personagem, buscou mostrar sua dor com cenas simples e belas – com– a
do banheiro e a da piscina – para que, claramente, o público se
colocasse em seu lugar.
E então temos Celeste, cujo choque também foi genuíno, mas muito mais
egoísta que o das outras personagens. Antônia e Isabel estavam de luto,
sofrendo, sangrando pela dor que tamanhas mentiras lhe causaram.
Celeste, muito fiel à sua personalidade, continuava preocupada apenas
consigo mesmo. Tanto que, em seu momento chave no episódio, quando
revela toda a história ao pai de Isabel, ainda assim ela está em busca
do dinheiro que calaria a boca de Carolina e evitaria o prejuízo que
essa bomba causaria em seu casamento. E por mais odiável que tenha sido
essa atitude de Celeste – afinal, o fim de sua melhor amiga e sua filha
não deveria ser o seu também, em sua cabeça – não há como não bater
palmas para Dira Paes também. Odiável é a personagem, e a atriz a fez
com maestria. Acompanhar a reação de Celeste ao furacão que estava
acontecendo em sua casa deveria ser aula em cursos de teatro em todo o
país, para mostrar que mesmo sem ser o centro das atenções, mesmo sem
falas, uma grande atriz se faz presente em uma cena como essa.
Pena para Celeste que Cavalcanti friamente escutou toda a confissão
da mulher, barbarizado, apenas tentando digerir tudo o que escutava ali,
atrás da porta. E agora é chegado o momento que eu esperava desde que a
minissérie começou, aquele em que eu devo elogiar também Osmar Prado. O
ator foi simplesmente grandioso em cena – e olha que ele dividia o
texto com Dira Paes naquele momento – e, por mais que a cena tenha
durado pouco mais de dois minutos, acompanhar a gradação da reação de
Cavalcanti, desde sua incredulidade até sua ira, foi simplesmente
glorioso.
Quanto ao resto, a muitos quilômetros dali, vimos Fortunato fazer o
inimaginável e conseguir fugir – pelo menos neste primeiro momento – de
João e Bigode. Inteligente, o rapaz evitou que seu destino fosse o mesmo
de seu melhor amigo ao fugir e continua sendo uma grande pedra no
sapato de Jaime, mesmo que este não saiba disso graças à mentira de João
que, certamente, voltará para assombrá-lo quando Fortunato reaparecer.
Não que Jaime precise de mais pedras no sapato, na verdade, pois a
cena final do capítulo nos mostrou exatamente que essa história está bem
longe de terminar para o poderoso empresário. A descoberta de uma
gravação de ligação de Jaime para Bigode encomendando a morte de Leandro
era exatamente o que a personagem de Murilo Benício não precisava neste
momento e o cerco definitivamente se fecha ao seu redor. Vai ser lindo
ver Jaime bradar e descabelar-se quando não houver mais nada a fazer
senão aceitar as consequências de seu crime.
Aliás, a cena final do capítulo tem um poder gigantesco por nos
surpreender e mostrar o caminho de destruição que “Amores” continuará
seguindo até o seu fim. Se durante todo o capítulo vimos a destruição
psicológica total da família Favais, a prisão iminente de seu patriarca
selará a destruição fática da família.
Foi como um grande aviso de “Amores” nos falando: nos dois capítulos restantes, não sobrarão pedras sobre pedras.
Vai ser simplesmente explosivo.
::: Alguns Devaneios Finais:
- A Globo fez toda uma estratégia para evitar que a série perdesse
muita audiência no novo horário, incluindo diminuir o tempo do BBB – que
fez uma estreia corridíssima – e colocar o Bial o tempo todo falando
sobre a minissérie. Não deu certo, a minissérie fez 25 pontos no
consolidado de terça, com 49% de share. Não são números ruins, mas
prejudicam a média final da minissérie que com certeza terminaria sua
trajetória com média superior a 30 pontos, dada a tensão destes últimos
capítulos.
- Desde que começou a minissérie vejo gente reclamando de algumas
escalações como Cauã Reymond e Ísis Valverde o que sempre me deu a ideia
de comentar acerca deles, mas fui deixando que seus personagens
crescessem mais para fazê-lo.
- Sobre Cauã Reymond, divido da opinião de muitos leitores e o acho
um ator completamente mediano (isso para ser bom com ele). Houve sim um
crescimento em sua carreira, mas longe de garantir seu nome entre os
melhores de sua geração. Entretanto, e digo isso com grande surpresa,
presenciamos em “Amores Roubados” Cauã em seu melhor momento. Sua
composição de Leandro me convenceu por completo e foi a melhor atuação
do ator que vi em anos. Talvez sejam as características do personagem
que, como um Don Juan, o deixou mais relaxado. Ou o texto que,
privilegiando seus momentos de conquista o manteve distante de grandes
embates com outras personagens – Patrícia Pillar e Dira Paes iriam
simplesmente engoli-lo por completo em um embate desses – mas toda a
composição e trajetória do personagem foram perfeitas, ainda mais se
considerarmos as deficiências de seu intérprete. Portanto, pela atuação
de Cauã como Leandro Dantas, dou-lhe uma nota de 7,5. Muito acima das
expectativas que eu poderia ter.
- Aliás, em defesa de Cauã, sou obrigado a dizer que poucos atores na
Globo são mais do que medianos para mim, sobretudo nesta faixa etária
de 20 a 30 anos. A Globo tem atrizes fantásticas e algumas até
superiores a muitas estrelas americanas multipremiadas – alô, Fernanda
Montenegro – mas quando vamos olhar os homens, dá uma tristeza sem fim.
Entre os mais maduros, com mais de 40 anos, até encontramos grandes
atores, mas quando olhamos os “galãs” mais jovens, me dá uma tristeza
enorme. Esse é preço que se paga quando, ao iniciar na profissão, no
auge de seus vinte e poucos, os atores são mais cobrados pela beleza e
pelo físico do que pelo talento, afinal, atores da mesma idade “desses
Cauãs” da vida, mas com carreiras voltadas pro teatro e pro cinema –
como é o caso de Jesuíta Barbosa – demonstram nessas poucas chances que
têm na TV que o talento existe, a TV que não procura.
- Outro que vi algumas críticas – em menor escala, é claro – e que
também merece meu elogio é Murilo Benício. Tentarei não ser tiete, pois
sou fã absoluto do ator, e manter essa análise a mais crua possível.
Murilo Benício sofreu do mesmo problema que Cauã, virando um galã
rapidamente em razão da sua beleza e convencendo pouco, em razão de ser
muito cru para a TV. Mas logo Murilo cresceu e tenho que dizer que acho
que o tempo lhe fez muito bem. Primeiro porque, como ator, ele percebeu
suas imperfeições e usou isso a seu favor, como é o caso da sua dicção
problemática que se transformou em sotaques e trejeitos incríveis para
seus personagens – e sim, estou falando do inesquecível Arthur de “Pé na
Jaca” e do Dodi, de “A Favorita”. O segundo ponto foi que com a idade,
passaram a lhe destinar papéis mais maduros e estes papéis lhe caem
incrivelmente bem. Se compararmos qualquer um dos três “mocinhos” que
ele fez em “O Clone” e pegarmos esses papéis de “pai” que ele vem
fazendo ultimamente vemos a bagagem que o ator tem imprimido em seus
papéis e como isso o torna um dos melhores atores de sua geração no casting
da Globo atualmente e com uma versatilidade impressionante que o faz
sair de um papel cômico como em “Pé na Jaca” e impressionar em uma série
de ação como “Força-Tarefa” ou quando sai do doce e inocente Tufão de
“Avenida Brasil” e emenda no poderoso e amedrontador Jaime em “Amores
Roubados”.
- Aliás, acho que as escolhas de papéis também estão fazendo muito bem a Murilo Benício.
- Até aqui daria um 8.5 para a composição de Jaime feita por Murilo
Benício. Mas teremos muito Jaime pela frente e acho que essa nota ainda
aumenta mais um pouco.
- Só a título de curiosidade: amo Murilo Benício, amo João Emanuel
Carneiro e amo Avenida Brasil mas, mesmo marcante e emblemático –
afinal, Murilo até hoje é chamado de Tufão e continuará por um bom tempo
– acho esse um dos papéis recentes mais fracos do ator. Mas nem culpo
tanto Murilo por isso, muito menos o texto. Era culpa da personagem
mesmo.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
“Amor à Vida” atinge pico de 45 pontos; “Amores Roubados” perde público
A reta final de “Amor à Vida” tem monopolizado a atenção do público. Nessa terça-feira, 14, a trama de Walcyr Carrasco voltou a atingir altos índices de audiência. No ar das 21h08 às 22h20, o folhetim obteve média de 40 pontos com pico de 45, ante 5 do SBT e 4 da Record. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP.
O destaque ficou por conta do plano de
Aline (Vanessa Giácomo) de tentar se livrar de César (Antonio Fagundes) e
Ninho (Juliano Cazarré) ao mesmo tempo.
Atrasada em pouco menos de 20 minutos por conta da estreia do “BBB 14″, a excelente “Amores Roubados” não foi tão prejudicada como se imaginava. A minissérie protagonizada por Cauã Reymond e Isis Valverde registrou média de 25 pontos com pico de 26.
Apesar de ser a menor audiência da
produção e significar uma queda de 7 pontos em relação ao capítulo de
segunda-feira (32), “Amores Roubados” aumentou em 7 pontos a média da
faixa (das 22h53 às 23h34) em comparação com as quatro terças-feiras
anteriores.
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Amores Roubados – Capítulo 7
Entrando em sua reta final, Amores Roubados abre mão do romance e se assume como um ótimo e eletrizante thriller.
E eis que o que eu não imaginava aconteceu: “Amores Roubados”
conseguiu surpreender e, mesmo em um capítulo que teoricamente não
aconteceria muita coisa, continuou com sua trajetória ascendente,
deixando-nos mais uma vez aflitos com todos os acontecimentos que
presenciamos após a morte de Leandro.
O mais fantástico na minissérie, a esta altura do campeonato, é como
ela vestiu a camisa e se assumiu por completo como um thriller, mantendo
a atenção e a expectativa do público a cada instante. Após a morte de
Leandro era de se esperar uma pisada no freio, um episódio mais calmo e
mais focado no luto daqueles que o amavam. Mas não foi o que aconteceu
neste sétimo capítulo. Toda a tensão que a série desenvolveu até aqui,
toda a história do triângulo amoroso, todo o mistério foi mantido e
apenas redirecionado a um novo núcleo, que tem Jaime, João e Fortunato
como destaque.
É aquela velha história do castelo de cartas novamente. Assim como
expliquei que Leandro, ao brincar com mulheres casadas com poderosos
homens de Sertão, estava construindo um castelo de cartas que hora ou
outra iria desmoronar – e desmoronou – quem vê seu próprio castelo
desmoronar agora é Jaime, afinal, não existe crime perfeito e foi isso
que este sétimo capítulo nos mostrou.
Por mais que Jaime tenha articulado um plano meticuloso e bem
inteligente, plantando a ideia de que Leandro roubou a vinícola e fugiu e
usando Oscar para se passar pelo rapaz – de forma que o corpo parecesse
o do próprio Oscar, que aparentemente teria dirigido bêbado e causado o
acidente – é exatamente nos detalhes não pensados que se encontra a
ruína de Jaime. É exatamente pelas coisas que ele não pensou – e tantas
outras que ele não previu – que, cedo ou tarde, a revelação de sua
participação na morte do sommelier virá à tona.
A começar pela própria arrogância que é característica da
personalidade de um homem da posição social de Jaime. Óbvio que na
cabeça dele Leandro era um pobre coitado, sem ninguém que se importasse
com ele, sem ninguém que o conhecesse e notasse as inconsistências dessa
história, de forma a querer tirá-la a limpo. Aqui está o primeiro
grande erro de Jaime. Fortunato, Carolina, Antônia e até mesmo Celeste
terão motivos o suficiente para buscar respostas sobre o sumiço do
rapaz.
Aliás, já neste capítulo Fortunato se torna a grande pedra no sapato
de Jaime e, sobretudo, de João. O rapaz, que havia recebido um
telefonema do amigo pouco antes de seu assassinato foi atrás das
respostas necessárias e rapidamente fez os links cabíveis para perceber
que se tratava de uma queima de arquivo. Ele, como confidente de
Leandro, sabe que Jaime tinha motivos, estava no local do crime e tinha
condições de executar o sommelier. Neste momento, vale destacar o
brilhante trabalho de Jesuíta Barbosa que já vinha se destacando com o
pouco que o roteiro lhe reservava mas aqui teve seu momento de glória. O
jovem ator – que já conta com um ótimo currículo no cinema – soube
mostrar bem o luto e a dor de Fortunato pela perda do amigo e,
sobretudo, soube mostrar com precisão a dúvida que se encontrava entre
buscar vingança pelo Leandro – o que o colocaria em risco de vida – ou
calar-se.
Mas Fortunato criou a coragem necessária e, em seu melhor momento no
episódio, desafiou perante todos a versão da morte de Oscar que era dada
como certa até então. Aqui entra outra observação sobre aqueles
detalhes que Jaime desconhecia: Oscar não sabia dirigir. Se Fortunato
sabe disso, certamente outras pessoas em Sertão também sabem. E cito
outras pessoas porque a situação da Fortunato não tornou-se nada boa
após gritar para todos a verdade, já que ele logo caiu no radar de João e
tem grandes chances de ser a próxima vítima de Jaime/João.
Não quero que Fortunato morra, acho que o personagem tem muito para
mostrar nessa nova fase investigativa de “Amores”, mas é o mais lógico
que o roteiro nos apresenta. Além do mais, vai corroborar a ideia de que
não há crime perfeito. Certamente, para evitar ser pego, Jaime ainda
vai precisar matar muitas outras pessoas para, em vão, tentar esconder
seus rastros. A ficção já nos mostrou inúmeras vezes que cometer um
assassinato é como derrubar uma peça de dominó que começará uma reação
em cadeia.
Outro fator que Jaime não poderia prever é o bilhete deixado por
Oscar para Isabel. O garoto continua rondando a casa dos Favais e se
desencontrando de Isabel simplesmente para nos deixar aflitos. É um
recurso conhecido – e competente – da dramaturgia, em geral. Certamente
Isabel colocará as mãos naquele bilhete oportuno.
E isso sem falar em Carolina. Ela realmente acredita, neste primeiro
momento, na fuga do filho e, por isso, está mais focada na chantagem à
Celeste. Mas, mesmo tendo uma índole terrível, Carolina sempre se
mostrou uma mãe preocupada com o filho. Quando perceber que há algo
errado nesta “fuga” de Leandro, ela não vai parar até descobrir tudo. E o
amor é um sentimento forte, mas o amor de mãe simplesmente não há
limites.
Por fim temos Antônia. Grávida de Leandro, ela simplesmente se nega a
acreditar que ele a abandonaria e, mesmo que pareça ceder a esta
história pouco a pouco, ainda tem aquela voz na cabeça dela que grita
que há algo errado. A sequência que mesclou sua investigação com a de
Fortunato foi excelente e serviu para mostrar exatamente que nada vai
fazer aquela mulher esquecer o homem que ama tão facilmente. Ou seja,
Jaime tem uma inimiga dentro de sua própria casa.
Por fim temos Isabel. Engraçado notar que ela foi a única personagem
de luto durante o capítulo, afinal, além de Fortunato – que só descobriu
a morte do amigo mais adiante – ninguém mais vê Leandro como morto. Mas
ela vê. Para ela, o que eles viveram foi tão intenso que a suposta
traição de Leandro significa o mesmo que sua morte. Por isso, o que
presenciamos de Isabel durante todo o episódio foi puro e genuíno luto.
Aquela mulher, que nunca esteve bem, diga-se de passagem, se desmontou
por completo, perdeu seu rumo. E aqui vale destacar a poesia da cena em
que ela dirige que traduz para o audiovisual a perda de rumo, com o
carro ziguezagueando na pista enquanto lembranças lhe vinham à memória.
Assumindo-se como um thriller e deixando seu público sem fôlego,
“Amores Roubados” continua marcando sua trajetória de maneira positiva
na televisão brasileira, mostrando que mesmo em seu sétimo capítulo
consegue prender seu público da mesma maneira que fazia quando estreou. A
audiência sempre crescente da série demonstra isso.
::: Alguns Devaneios Finais:
- A crítica em si quase não faz citações aos atores – com exceção de
Jesuíta Barbosa – simplesmente porque, desde a estreia, este foi o
capítulo mais equilibrado da minissérie, com todos os atores principais
tendo praticamente o mesmo destaque e ninguém roubando a cena. Desta
forma, meus parabéns à Ísis Valverde, Patrícia Pillar, Murilo Benício e
Irandhir Santos que estiveram irretocáveis no episódio.
- O clima de thriller, além da abertura e das chamadas, também
atingiu a trilha sonora que adotou tons mais sombrios e mais sérios
neste capítulo. “Angels”, por exemplo, só tocou rapidamente num raro
momento mais leve, quando Antônia revia vídeos de Leandro.
- Alguns problemas de ordem lógica surgiram para mim no episódio, mas
não a ponto de parecerem furos do roteiro. O primeiro é sobre a
aceitação da palavra de Jaime. Acho que um teste de DNA na vítima era
obrigatório para certificar sua morte, não? O segundo é sobre o fato de
ter ocorrido um tiroteio antes da queda do carro, o que simplesmente
inviabiliza a história de Jaime e João, de que Oscar teria dirigido
bêbado e causado o acidente, afinal, deve haver várias marcas de tiro e
até capsulas das balas dentro do veículo.
- Esses problemas, no entanto, não se tornaram tão grandes, pois
podem ser abordados nos próximos capítulos – e eu estou apenas me
apressando – ou podem ter uma justificativa de ordem prática plausível: o
velho coronelismo brasileiro, que encerraria uma investigação com base
na palavra de um figurão como Jaime Favais.
- Sobre a audiência, “Amores Roubados” novamente surpreendeu a Globo e
quebrou seus próprios recordes no capítulo de ontem. A minissérie
atingiu 32 pontos em São Paulo (com picos de 35) e um share (índice de
televisores sintonizados na Globo) de 59%, superior ao de “Amor a Vida”
no mesmo dia. No Rio os números foram ainda mais impressionantes: 34
pontos (picos de 37) e um share assustador de 64%.
- A audiência surpreendente da minissérie quebrou por completo o
planejamento de começo de ano da Globo. Dessa forma, há comentários que
para evitar quedas com a estreia do BBB, a Globo reajustou toda sua
grade (“roubando” alguns minutos de alguns programas no decorrer do dia)
de forma a garantir que a minissérie entre no ar antes das 23h. Mesmo
que as fontes sobre essa informação não sejam das mais famosas, isso se
verificou hoje, tendo até mesmo o BBB tido uma estreia bem corrida.
Veremos amanhã se isto se confirma.
- A imagem que abre essa review faz parte de uma das cenas mais
lindas do capítulo – e mais memoráveis de Ísis na série – quando ela
grita por Leandro e, em desespero, assume sua gravidez para a amiga.
- Por outro lado, achei completamente irreal a cena de Isabel
transando com um completo desconhecido que atropelou na rua. Entendi seu
propósito de mostrar como a personagem estava perdida. Mas foi irreal
demais. Nada crível.
- Faltando três capítulos para o encerramento da minissérie,
começarei amanhã a tecer alguns comentários sobre a atuação, em geral,
de alguns atores aqui nestes devaneios finais. Começarei com Cauã e
Ísis. A ideia era começar hoje mas, com o tamanho desta review, optei
por não deixa-la maior ainda.
- Adoro a relação que crio com vocês através dessas reviews, nos
comentários. Mas estou dando uma pausa nela a partir de hoje e evitarei
ler os comentários. Apesar de 99% de eles serem úteis e inteligentes,
infelizmente tenho me deparado com gente idiota (me perdoem a grosseria)
que dá spoilers sobre a trama sem ao menos avisá-los. Odeio spoilers,
perco o tesão de acompanhar algo quando me “estragam” o final e acho
isso atitude de gente mesquinha, sem o mínimo de bom-senso… Aliás, sem o
mínimo de noção. Por isso, vou deixar que o Michel faça a moderação dos
comentários e abro àqueles que realmente querem comentar a série comigo
o meu Twitter e Facebook. Adorarei respondê-los lá.
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