domingo, 10 de abril de 2011

MÉDIAS SEMANAIS: “Amor e Revolução” fecha primeira semana com 6 pontos

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Com o término da semana podemos calcular a média semanal das novelas eixibidas entre 4 e 9 de Abril.

Destaque negativo para “Amor e Revolução”, que investiu pesado em divulgação e marcou audiência pífea. 

:globo:
Clone - 17
Malhação - 20
Araguaia - 26
Morde & Assopra - 27
Insensato Coração - 33

:record:
Rebelde - 09
Ribeirão do Tempo - 12

:sbt:
Perola Negra - 5
Maria Esperança - 4
Uma Rosa com Amor - 4
Ana Raio(segunda) - 8
Amor e Revolução - 6

Lauro César Muniz quer salvar novelas atuais

“Vou gritar”, dispara Lauro César Muniz, 73, autor de telenovelas como “Salvador da Pátria” e “Roda de Fogo”.

Ele começa nesta semana a convidar colegas como Aguinaldo Silva, Silvio de Abreu, Gilberto Braga e Manoel Carlos para uma campanha contra o que considera uma ameaça à sobrevivência das novelas no Brasil.

“O processo industrial está acabando com a qualidade e a solução é cortar pela metade o número de capítulos.”

Lauro diz que as novelas foram tomadas por um “fordismo”, em referência ao norte-americano Henry Ford (1863-1947), criador de técnicas para a produção em série.

“Hoje um autor de novela não senta no computador para criar histórias. Ele virou um distribuidor de tarefas.”
Até meados dos anos 90, quase todos os autores davam conta de, sozinhos, escrever uma novela inteira. Depois, exaustos, passaram a chefiar grupos de roteiristas que redigem os capítulos.

Na avaliação de Lauro, isso aconteceu em razão da mudança no ritmo das novelas. “Antes, as histórias podiam ser mais lentas. Hoje, com a pressão da disputa por audiência, acredita-se que o público exige muita ação, cenas fortes que chamem a atenção a todo o momento.”

Segundo ele, é inviável segurar uma história assim sozinho por oito meses, tempo em que os mais de 200 capítulos da novela vão ao ar.

A ampliação do número de colaboradores, avalia Lauro, fez com que “a autoria se perdesse”. “Isso acontece também na direção. Grande parte das cenas fica com assistentes do diretor. Perde-se, assim, a unidade estética.”


MENOS É MAIS
Para Lauro, as novelas devem passar a ter 120 capítulos. “Seriam mais concentradas na história central, com menos tramas paralelas, um elenco mais enxuto, o que reduziria também os custos.”

Lauro crê que isso facilitaria o lançamento de novos autores. “É muito mais viável para uma emissora arriscar um novo nome em uma novela de quatro, cinco meses do que em uma de oito.”

Para o elenco, defende, também seria uma vantagem. “Atores como Wagner Moura, Rodrigo Santoro e Alice Braga, que não fazem novela porque têm de abandonar projetos no cinema e no teatro por muito tempo, podem topar tramas curtas.”

Nos anos 90, Lauro e outros defenderam a ideia na Globo, mas a mudança do processo de produção era recente, e a emissora preferiu deixar tudo como estava.

No segundo semestre de 2011, contudo, a Globo se aproximará dessa experiência com um remake de “O Astro”, sucesso de Janete Clair.

Enquanto o original da trama dos anos 70, famosa pelo mistério “Quem matou Salomão Hayala?”, teve 186 capítulos, o remake deve ter 80.

DESABAFO
Contratado da Record desde 2006, após 33 anos na Globo, Lauro prepara uma novela para 2012, no atual padrão de 200 e poucos capítulos.

“Isso já está fechado assim e a campanha, se for bem aceita, não deverá mudar as coisas tão cedo. Eu, com 73 anos, nem sei se vou chegar a participar disso, mas quero lançar a discussão.”

Sua insatisfação com a qualidade teledramatúrgica fica clara no livro “Lauro César Muniz Solta o Verbo”, recém-lançado pelo Coleção Aplauso (leia ao lado).

Em depoimento biográfico ao escritor Hersch Basbaum, o autor revela bastidores de seu trabalho na Globo e desabafa sobre aspectos de sua vida pessoal, como a morte do filho Ricardo, ao 28 anos, soropositivo desde os 23.

Foi um raro momento em que o ex-militante do Partido Comunista e crítico feroz das religiões questionou seu ateísmo. Conta que sabia que todo mundo que entra em uma igreja desconhecida tem direito a três pedidos.
“Fazia três pedidos iguais: salve o meu filho!”.

LAURO CÉSAR MUNIZ SOLTA O VERBO
AUTOR Hersch W. Basbaum
EDITORA Imprensa Oficial
QUANTO R$ 15 (354 págs.)

Fafá de Belém é convidada para participar de "Amor & Revolução"

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A cantora e atriz Fafá de Belem  foi convidada a participar da novela "Amor & Revolução".

A cantora gravou especialmente para a nova trama, do SBT, as músicas ‘Carcará’ e ‘Para Não Dizer Que Não Falei das Flores’.

O autor Tiago Santiago já desenvolve um papel especial para Fafá no folhetim.

Insensato Coração funciona como recomeço para alguns atores



Os autores não admitem, mas, de acordo com a Veja, Insensato Coração está funcionando como um revitalizador de carreiras. A novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares deu um gás às carreiras de Lavínia Vlasak e Cristiana Oliveira, por exemplo.

Cristiana não teve um grande papel desde Pantanal, da Rede Manchete, há 21 anos atrás. De lá pra cá participou de algumas novelas das 7, Malhação e várias séries da Globo. O seu último papel em uma grande novela foi em O Clone.

Em um folhetim de grande repercussão, Lavínia Vlasak deve estar bastante feliz, depois de voltar à Globo. Depois de Celebridade, ficou na geladeira da emissora e foi contratada pela Record, onde fez grandes papéis, mas nada parecido com uma novela do horário nobre global.

Outros dois nomes que saíram da Record e hoje estão consolidados na área dramatúrgica graças a Insensato Coração é Petrônio Gontijo, que não participava de nenhuma produção global desde 2002 e Tuca Andrada, que saiu da novela já no dia seguinte, mas com escalação acertada para Cordel Encantado.

Fina Estampa: Edson Celulari será um jogador de futebol

http://s.glbimg.com/og/rg/f/original/2010/08/23/edson.jpg

Edson Celulari ganhou papel de destaque na novela substituirá "Fina Estampa".

Ele será um jogador de futebol. Edson havia sido escalado para a novela "Um Mundo Melhor", de Miguel Falabella. Mas, deixou a vaga para se dedicar ao novo  personagem.

A última novela do ator foi "Araguaia", onde interpretou Fernando Rangel.

Substituta de "Vale Tudo" ainda não foi escolhida


"Vale Tudo" caminha para sua reta final com a sensação, mais uma vez, de missão cumprida. A reprise da trama de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva triplicou a audiência da faixa em que é exibida, às 00h45, assim que entrou no ar.

Com final previsto para 8 de julho, a história de Odete Roitman (Beatriz Segall) e Cia ainda não tem uma substituta escolhida. A dúvida ainda gira em torno dos sucessos "Dancin' Days" (1978), de Gilberto Braga, e "Roque Santeiro" (1985), de Dias Gomes e Aguinaldo Silva.

De acordo com informações da jornalista Keila Jimenez da Folha, desde outubro, quando estreou, até agora, mais de cinco milhões de pessoas diferentes  assistiram "Vale Tudo", que levou o Viva ao ranking dos mais vistos da TV por assinatura. Durante sua exibição, o canal costuma ficar em primeiro lugar entre o público feminino com mais de 35 anos.

Letícia Muhana, diretora-geral do Canal Viva, atribiu o sucesso do folhetim às redes sociais, como o twitter, que com frequência leva o nome da trama aos trending topics.

Uma das novidades para a substituta de "Vale Tudo" será o horário de exibição. A diretoria, a pedidos do público, estuda adiantar a faixa em 30 minutos.

O blog NOVELAS ONLINE apóia a reprise de "Dancin' Days" (1978), de Gilberto Braga!

Atores de ‘Insensato coração’ posam contra a homofobia


Paola Oliveira responsabiliza a educação machista nas escolas pela intolerância / Foto: Bruna Prado / Extra

Mulher de fases estréia na HBO


Recém-separada, Graça é uma mulher de 30 anos à procura do príncipe encantado. Em sua busca, encontra vários tipos e sempre tenta se adaptar ao estilo de vida de seus pretendentes. A transformação da personalidade da moça a cada episódio é o fio condutor de "Mulher de fases", série do HBO que estreia nesta segunda-feira, às 20h30m.

 Produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre e rodado na capital gaúcha durante quatro meses, o programa de meia hora e 13 episódios é a primeira aposta do HBO em comédia. 

- Estamos sempre à procura do novo, a exemplo de "Mandrake", "Alice" e "Filhos do carnaval". Queríamos algo com a cara do canal. Fazer comédia é difícil, é outro tempo, outra narrativa. E essa sai daquele feijão com arroz, até no cenário - valoriza Roberto Rios, produtor da HBO Latin America Group. 

Baseada no livro "Louca por homem", de Claudia Tajes - que também assina o roteiro com Pedro Furtado e Duda Tajes -, "Mulher de fases" teve orçamento de R$ 7 milhões e demorou cerca de dois anos e meio para sair do papel. Foram adaptações na estrutura narrativa e muita troca de ideia para que a Graça do livro não perdesse a graça na TV. Na série, dirigida por Ana Luiza Azevedo e Márcio Schoenardie, o papel principal ficou com a gaúcha Elisa Volpatto, de 24 anos. Desconhecida na TV, ela conta que tem um ponto em comum com a personagem "complicada e perfeitinha": 

- Meu pai sempre disse que devemos acreditar nas pessoas até que se prove o contrário. Eu, como Graça, sou otimista nas relações. Ela se envolve de forma natural com os caras. Se não fosse a pureza, ela seria até vulgar. Graça leva a sério as situações pelas quais passa. 

Na história, ela é uma corretora imobiliária que, a cada episódio, se envolve com dois homens. Suas experiências são divididas com a mãe, Hilda (Mira Haar), a melhor amiga, Selma (Antoniela Canto), e a pré-adolescente Tereza (Julia Assis Brasil), filha de Selma. Graça ainda tem que lidar com a presença do ex-marido, Gilberto (Rodrigo Pandolfo). 

- Ele é um bon vivant que não quer responsabilidades, o que decepciona Graça. Mas, na verdade, é um grande detetive atrás dela - define Pandolfo.

'Insensato coração': Norma vai parar na solitária por causa de Araci

 

Antes de matar Araci (Cristiana Oliveira), Norma (Glória Pires) passará por poucas e boas na cadeia por causa de sua rival em "Insensato coração". Nos próximos capítulos da novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, a enfermeira acabrá passando uma noite na solitária devido às armações de Araci.

A detenta estará organizando um plano de fuga da cadeia e acabará deixando um celular na enfermaria. Norma será acusada de ter escondido o telefone e, diante da diretora da penitenciária, será pressionada a dizer o que está acontecendo. Com medo de ir para o isolamento, a enfermeira acabará revelando as intenções de Araci.

Apesar de ter colaborado, Norma será enviada para a solitária por questões de segurança. A diretora do presídio ficará com medo de que ela sofra alguma represália de Araci na sua cela.

- Pelo amor de Deus, me tira daqui. Não quero passar a noite aqui nesse troço - dirá Norma, que terá de matar um rato a pisadas na solitária.

Quando sair do isolamento, a enfermeira estará jurada de morte por Araci.

SESSÃO CHAMADAS: Mulher de Fases

Ricardo Hofstetter: autor é candidato à vaga às 19h


Ricardo Hofstetter entregou à direção da Globo a sinopse de uma novela para as 19h. Hofstetter foi o autor das temporadas de “Malhação” de 2004 (estrelada pela Vagabanda) e de 2010 (protagonizada por Fiuk). Enquanto espera a avaliação, ele lançará, em maio, o romance “A Transilvânia é o Catete”.

Primeira mulher de Cortez também morreu em acidente


Nos próximos capítulos de "Insensato coração", uma revelação vai lançar mais uma suspeita no ar: assim como Clarice (Ana Beatriz Nogueira), a primeira mulher de Cortez (Herson Capri) também terá morrido num acidente.

A história virá à tona quando perguntarem para Paula (Tainá Muller) como Rafa (Jonatas Faro) está reagindo à perda de Clarice. A filha mais velha do banqueiro irá relembrar como foi quando ela perdeu sua mãe.

O acidente ocorreu na serra, quando a família planejava uma viagem para sua casa de campo. Sua mãe foi antes para a Fazenda Inglesa, para preparar o sítio para o fim de semana. Paula ainda era bem pequena.

- Naquela época, os aquecedores ficavam dentro do banheiro. O da suíte deles (Cortez e sua mãe) teve um vazamento - contará Paula. - Pelo menos ela morreu dormindo, não deve ter sofrido.

Coincidência?

Divã: Mercedes descobre quem é a mulher de Carlos em jantar de família

divã (Foto: Rede Globo)

Na continuação do primeiro episódio de Divã, "Doutor, posso voltar?", que vai ao ar nesta terça, dia 12, às 23h10, logo após Tapas & Beijos, na Rede Globo Mercedes (Lilia Cabral) mal consegue acreditar ao descobrir que Suzana (Patricia Pillar), além de ser esposa de Carlos (Domingos Montagner), também é mãe de Michele (Lara Rodrigues), namorada de Thiago (Johnny Massaro), seu filho mais novo.

A mulher de Carlos é também a mãe de Michele
Tentando lidar com um turbilhão de sentimentos, Mercedes acaba transformando o jantar em família em uma grande confusão. Ainda incomodada com sua condição de amante, ela busca uma forma de cortar o mal pela raiz. E se depender da "ajudinha" do cabeleireiro Renée (Paulo Gustavo) e de Jurandir (Marcello Airoldi), o vizinho eternamente apaixonado, não será muito difícil encontrar uma saída para seus problemas. Ou, pelo menos, de colocá-la no caminho correto: encerrar um novo capítulo de sua vida, por mais que ele tenha sido repleto de erros e acertos.

Clássico das telenovelas, Irmãos Coragem retorna em caixa de DVDs


Exibida na Rede Globo entre 1970 e 1971, Irmãos Coragem foi um marco na teledramaturgia nacional. Para quem quiser matar as saudades ou conhecer a trama, a Globo Marcas lançou uma caixa com oito DVDs que mostram a história do início ao fim - vendida com preço sugerido de R$119. Ao todo são mais de 27 horas de material. E tudo foi avaliado pelo diretor geral da trama, Daniel Filho.

irmãos coragem (Foto: TV Globo/Divulgação)

Irmãos Coragem, novela que abre a década de 1970, além de levar a Rede Globo à liderança nacional, marca o início da modernização e industrialização da telenovela brasileira que viria a ser solidificada com Selva de Pedra, também de Janete Clair.

A trama, um épico da nossa teledramaturgia, não por um acaso, foi ambientada no interior de um estado distante dos grandes centros urbanos: Goiás. Ainda que pese a região diamantífera ser totalmente adequada para ambientar a novela, Janete considerava que desta maneira seria mais fácil a ponte para a fantasia do público; afinal, ela sempre deixava claro que seu objetivo maior era contar histórias a partir de sua imaginação; ainda que utilizando elementos da realidade (aspectos estes que foram ampliando-se com a evolução de sua magnífica obra televisiva, escola para qualquer profissional de comunicação).

Na dúvida sobre a aceitação da trama oriunda dos faroestes norte-americanos transpostos devidamente para o cenário brasileiro, Janete criou um núcleo de personagens no Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa vivia Duda Coragem (jogador do Flamengo). Duda era casado com Ritinha (Regina Duarte) e lembro-me perfeitamente o quanto angustiante era a relação dos dois. Ele sempre envolto por cartolas do futebol (Ernani – Paulo Araújo), mulheres (Paula – Myrian Pérsia) que queriam sua fama, seu status social. Ritinha queria apenas ser feliz ao lado do homem que havia escolhido para viver um grande amor.

Para surpresa de Janete, o público foi identificando-se cada vez mais com o western de Coroado e o núcleo do Rio termina na pequena cidade perdida no interior do Brasil. Em Coroado mora o pai de Ritinha, Dr. Maciel (Ênio Santos), médico embriagado. As coisas complicam-se quando Duda leva um tiro na perna.
A trama do jogador de futebol ainda sofreria mais um golpe, mas muito bem resolvido por Janete. Como as gravações no clube do Flamengo, na Gávea, ficaram complicadas, Duda teve seu passe comprado pelo Corinthians. Com isso, autora e novela agradavam em cheio as duas maiores torcidas futebolísticas do Brasil.
O grande heroi (épico) da novela foi João Coragem (Tarcísio Meira), um justiceiro. Além de encontrar o diamante, vivia um grande conflito sentimental. Apaixonou-se por Lara (Glória Menezes), filha do temível coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho). Pedro Barros era um homem extremamente autoritário, manipulador e explorador. Enquanto vivia num casarão, os mineradores moravam em verdadeiros casebres; passavam fome, tinham sede durante o trabalho e todo o tesouro que encontravam seguia diretamente para suas mãos. Nesta situação encontrava-se Brás Canoeiro (Milton Gonçalves, que também dirigiu a novela), casado com Cema (Suzana Faíni).

Pedro Barros (o grande papel da vida do saudoso Gilberto Martinho), era senhor absoluto de Coroado. Comprava a tudo e a todos que curvavam-se diante dele; inclusive o delegado Falcão (Carlos Eduardo Dolabella).

A grande luta de João era manter-se proprietário de seu diamante.

Pedro Barros tinha como grande capanga Juca Cipó (Emiliano Queiroz), um desequilibrado mental – que teve as maldades amenizadas porque sua interpretação conquistou as crianças.

Na verdade, Juca era filho de Pedro Barros com Domingas (Ana Ariel).

A esposa de Pedro Barros, Estela (Glauce Rocha) tinha um amante: Lourenço D’Ávila (Hemílcio Fróes), o braço-direito de Pedro Barros. Era uma mulher da moda, da cidade grande, liberada e, portanto, crítica do estilo de vida em Coroado.

Pedro Barros significava toda a repressão que ganhava corpo em nosso País.

A personagem mais equilibrada da trama era Dalva (interpretada pela saudosa e inesquecível Mirian Pires), tia de Lara; além do padre Bento (Macedo Neto) – mas este e sua igreja também deviam favores a Pedro Barros.

Lara, muito reprimida por seu pai, com a ausência da mãe, e vítima de uma epilepsia traumática, desenvolveu tripla personalidade: Lara era totalmente frágil e submissa; Diana, uma libertina e, por fim, encontramos Márcia, um equilíbrio entre as três.

Também há a boa lembrança de Sinhana (Zilka Salaberry) a Mãe Coragem da trama.

Aliás, Janete inspirou-se em Mãe Coragem, de Bertolt Brecht, para criar a personagem. E daí, Daniel Filho, o diretor geral, criou o nome da novela: Irmãos Coragem.

Outras fontes de inspiração para Janete foram: os romances O Garimpeiro, de Herberto Salles, A Pérola, de John Steinbeck e o filme As Três Máscaras de Eva.

A união faroeste, futebol e política trouxe de maneira definitiva o público masculino e infanto-juvenil para frente da telenovela.

À época eu contava com oito anos de idade. Fui com minha avó na loja Mappin comprar um Forte-Apache e o lojista comentou que “a novela Irmãos Coragem havia aumentado a venda do brinquedo!”

Na feira, na barraca de peixe, sempre escutava os vendedores comentando a novela; em particular a luta de João para reaver o diamante roubado por Pedro Barros.

Particularmente emocionante foi a trajetória de Jerônimo Coragem (Cláudio Cavalcanti) e sua grande paixão, a índia Potira (Lúcia Alves). Jerônimo, ao enveredar para a política estava, de certo modo, traindo a confiança de seu povo, de sua gente. Chega a casar-se com Lídia (Sônia Braga, em sua estreia em novelas), filha do Dr. Siqueira (Felipe Wagner), amigo pessoal de Pedro Barros. Por fim, retorna às origens, com a índia Potira e, em posse do diamante, ambos são mortos (liderados pelo ambicioso Rodrigo César – José Augusto Branco) em nome do poder e da ambição financeira – aspectos estes que perpassam toda a obra de Janete Clair.

Enlouquecido em seu poder, Pedro Barros incendeia a cidade. O monólogo final de João Coragem (digno de momento épico das grandes tragédias gregas), conclamando o povo para reconstruir Coroado, sintetiza, de certo modo, a integração e a construção de uma identidade nacional por meio da telenovela.

Neste quesito, aproximo a obra de Janete Clair, matriarca da telenovela brasileira, à de José de Alencar, patriarca de nossa literatura. Ambos, por meio de suas histórias, tinham como desejo supremo mostrar o Brasil na ficção integrando-o no imaginário coletivo.
 

Resumo da primeira semana de "Cordel Encantado" 11/04 à 16/04 de Abril 2011

Carmo Dalla Vecchia fez lindas fotos de Alinne Moraes nos bastidores
 
Resumo do primeiro capítulo de "Cordel Encantado", segunda-feira, 11/04: Miguézim brada uma profecia em Brogodó. Rei Augusto sonha com o sertão nordestino e Amadeus interpreta seu significado. Rainha Cristina se desespera quando o marido sai para guerrear e sente as contrações do parto. Augusto salva a vida de seu irmão Petrus na batalha. Cristina dá à luz uma menina. O exército de Teobaldo desiste da guerra e um soldado atira contra o rei. Teobaldo assina um tratado de paz com Augusto antes de morrer. Augusto anuncia que Aurora e Felipe se casarão para selar a paz entre os reinos de Seráfia do Norte e do Sul. Zenóbio mostra o mapa de um tesouro no sertão nordestino brasileiro e todos ficam interessados. Herculano leva seu filho Jesuíno e sua esposa Benvinda para viverem escondidos na fazenda do coronel Januário. Petrus ouve Úrsula conspirando com Nicolau e é levado para a masmorra por ela e seu comparsa. Úrsula forja a morte de Petrus. A família real de Seráfia chega ao Brasil. Os cangaceiros interceptam Úrsula e Nicolau. Augusto encontra o tesouro. Úrsula prende Cristina e Aurora na carroça onde o tesouro está escondido. Augusto é capturado por Herculano e Zenóbio mostra onde está o tesouro. Cristina foge e entrega sua filha para Virtuosa. Cristina pede que Herculano espere 20 anos para avisar a seu marido que Aurora está viva. Nicolau conta para o rei que sua esposa e sua filha estão mortas. Virtuosa decide chamar a princesa de Açucena. Euzébio e Virtuosa chegam com Açucena à fazenda do coronel Januário. Depois de vinte anos, Jesuíno pede Açucena em casamento. No reino de Seráfia, Felipe fica desolado em ter que se casar com Carlota, filha de Úrsula. Herculano dá o recado de Cristina para Zenóbio. O rei Augusto e Miguézim têm o mesmo sonho novamente. Zenóbio interrompe o casamento de Felipe e Carlota e avisa que Aurora está viva no Brasil. Miguézim profetiza a chegada do rei à cidade e Jesuíno e Açucena se olham intrigados.

Resumo do segundo capítulo de "Cordel Encantado", terça-feira, 12/04: Augusto decide voltar ao sertão nordestino para procurar Aurora. Açucena teme que Timóteo volte do Rio de Janeiro e Jesuíno tenta acalmá-la. Timóteo foge de um agiota e afirma que vai voltar para a fazenda de seu pai. Augusto prepara sua partida para o Brasil e Úrsula exige acompanhá-lo. Felipe fala para Helena que vai encontrar seu grande amor durante a viagem. Açucena e Jesuíno se arrumam para o noivado. Timóteo viaja com Dora. Cândida convence Herculano a buscar seu filho. Jesuíno vai à casa de Açucena sozinho. Timóteo fica desapontado ao saber que Açucena vai se casar. Euzébio concede a mão de sua filha para Jesuíno. Timóteo invade a festa de noivado de Açucena. Miguézim pede para Batoré avisar ao prefeito sobre a vinda do rei. Patácio, Ternurinha e o delegado se surpreendem com a ligação de Zenóbio informando sobre a viagem do rei de Seráfia para Brogodó.

Resumo do terceiro capítulo de "Cordel Encantado", quarta-feira, 13/04: Patácio, Ternurinha e Batoré acreditam em Miguézim, depois da notícia da chegada do rei em Brogodó. Jesuíno enfrenta Timóteo, que tenta se aproximar de Açucena. Patácio e Batoré não entendem o que Miguézim diz e chamam padre Joaquim para falar com ele. Juca leva Florinda para ver o prefeito. Açucena dá o cordão que ganhou quando nasceu para Jesuíno. Florinda mente sobre o motivo da vinda do rei à cidade. Timóteo mente que Jesuíno roubou um cordão de Dora e o rapaz é preso. Açucena, Filó, Rosa e Téinha ajudam Jesuíno, Quiquiqui, Galego e Setembrino a fugir da cadeia. Patácio e Ternurinha pedem que o coronel seja o patrono da festa para o rei. Dora aparece na casa de Januário e inocenta Jesuíno na frente de todos. Açucena fica enciumada ao perceber o interesse de Dora por seu noivo. Timóteo reclama da proteção que Januário dá ao afilhado. Juca vê capitão Herculano nos arredores da cidade. Patácio recebe um telegrama do rei. A comitiva do rei inicia sua partida de Seráfia. Úrsula promete a Carlota que irá acabar com a princesa Aurora.

Resumo do quarto capítulo de "Cordel Encantado", quinta-feira, 14/04: Açucena e Jesuíno conversam e são surpreendidos pela presença de Herculano. Açucena se apavora e Jesuíno tenta acalmá-la. Patácio manda Batoré cuidar da segurança da corte do rei. Januário passa mal durante a conversa com Timóteo. Benvinda consegue convencer Herculano a levar Jesuíno após a morte de Januário. Januário tem um ataque de tosse e Antônia e Lilica o ajudam. Cícero leva Dora para ver Jesuíno e Açucena não gosta. Dora decide dar um voto de confiança para Timóteo. Januário acredita ter decifrado o telegrama do rei. Patácio anuncia a chegada do rei para o povo. Galego tenta defender a irmã das ofensas de Tibungo, mas Damião o repreende. Juca leva Maria Cesária para ajudar Guiomar na cozinha. Virtuosa reconhece Cristina em uma foto e descobre que Açucena é a filha do rei Augusto. Guiomar impede Cesária de acrescentar ingredientes na comida preparada para o rei. Padre Joaquim coloca Nidinho de castigo na igreja. Antônia e Açucena reclamam por não poderem ir à festa para o rei. Herculano recepciona Augusto.

Resumo do quinto capítulo de "Cordel Encantado", sexta-feira, 15/04: Virtuosa e Euzébio se preocupam com a chegada do rei a Brogodó. Bel saqueia Úrsula, Carlota e Cecília. Nidinho avisa a padre Joaquim que Herculano saiu com o rei. Herculano leva Augusto ao local onde enterrou Cristina. Patácio apresenta as personalidades da cidade para a comitiva do rei. Dora e Felipe são hostis um com o outro. Carlota se insinua para Timóteo. Augusto pede para Úrsula e Nicolau contarem o que realmente aconteceu após a morte de Cristina. Açucena fica enciumada ao saber que Dora se ofereceu para entrar com seu noivo na cidade. Guiomar vai embora e Ternurinha é obrigada a colocar Cesária para terminar o almoço. Augusto e os convidados se deliciam com a comida e o rei exige conhecer a cozinheira. Úrsula percebe o flerte entre Carlota e Timóteo. Antônia reclama do pai para Benvinda. Cesária decide ir à missa para ouvir o pronunciamento do rei. Augusto anuncia o motivo de sua ida a Brogodó.

Resumo do sexto capítulo de "Cordel Encantado", sábado, 16/04: Augusto se emociona ao contar sua história para o povo e avisa que vai oferecer um baile para tentar encontrar sua filha. Virtuosa e Euzébio retiram Açucena à força da igreja. Felipe tenta confortar Dora, mas é destratado por ela. Ternurinha repreende Cesária por não ter arrumado a cozinha e Augusto reprova a atitude da primeira-dama. Timóteo vê um rapaz saindo do quarto de Antônia e avisa Januário. Açucena aconselha Cícero a se afastar de Antônia para ajudá-la. Neusa diz a Filó que ela poderia ser a filha de Augusto. Úrsula orienta a primeira-dama na organização do baile. Januário dá um lindo vestido para Antônia. Açucena fica revoltada por Virtuosa não deixá-la ir ao baile. Cesária espera encontrar novamente Augusto. Antônia não consegue esconder a decepção ao ver que Batoré é o seu acompanhante. Augusto e Efigênia ficam perplexos ao ver o salão repleto de moças afirmando ser a princesa Aurora. Dora fica indignada com Ternurinha que diz que ela é a princesa Aurora. Cícero sugere que Açucena vá com ele e Jesuíno ao baile, mesmo sem o consentimento dos pais.Fonte: TV Globo. 
 

Autoras contam novidades de "Cordel Encantado"



Thelma Guedes e Duca Rachid são parceiras natas. Conseguem, simultaneamente, ter sintonia, a mesma visão estética das coisas, afinidades artísticas, ideológicas e existenciais, além de histórias de vida muito parecidas. Pensam um dia em apresentar novelas à emissora da Globo sozinhas, cada uma para seu lado, mas agora, dizem, “ainda não é o momento de pensar nisso”.

As autoras de “Cordel Encantado”, a nova novela das seis da Globo, parecem ter esta ideia bem fixada. E a rara tarefa de dividir um trabalho de criação artística parece que dará bons resultados pela terceira vez. Afinal, a nova trama de ambas é a terceira consecutiva que escrevem nesse horário, em dupla, em pouco mais de seis anos. “É um horário extremamente importante, porque a novela das seis toca no fundo das pessoas, cria empatia e usa elementos da cultura brasileira para se aproximar das pessoas”, explica Thelma Guedes.

Depois do remake de “O Profeta” e de “Cama de Gato”, as autoras da nova novela criaram um autêntico conto de fadas, descompromissado com a realidade brasileira, mas que lida com dois elementos míticos, o sertão e uma realeza atemporais.

A ideia de “Cordel Encantado” ficou na gaveta da Globo por pelo menos quatro anos, tempo suficiente para que a emissora se convencesse a retomar as produções de época num horário que já foi rotulado por esse gênero de folhetim. “Chegamos a fazer uma versão contemporânea, sem os cangaceiros, que  era interessante também porque tinha os seus ganhos em termos de situações dramáticas”, adianta Duca Rachid. Apesar da longa espera, as autoras estão confiantes no sucesso e repercussão da nova trama. Em entrevista exclusiva, a parceria mais bem-sucedida dos últimos tempos da Globo fala de tudo isso e de um pouco mais.

Depois de “O Profeta” e de “Cama de Gato”, exibidas com sucesso e repercussão pela Globo, vocês voltam a trabalhar juntas em “Cordel Encantado”. Como está sendo pela terceira vez consecutiva repetir a parceria no horário das 18 horas?

Thelma: Muitos fatores permitem que nossa parceria seja tão boa, em tantos sentidos. Sei que é muito raro fazer bem e em paz um trabalho de criação artística em dupla. A primeira coisa que contribui pra isso é a sintonia. A nossa visão de mundo é parecida, a visão estética das duas é muito próxima. Não é fácil, mas eu me esforço muito pra não desrespeitar o espaço da Duca. Porque ela é uma grande amiga, antes de qualquer coisa. E eu quero preservar essa amizade. E é muito bom esse exercício de adestramento da vaidade... E assim, a dupla vai se criando, criando histórias bonitas, e se divertindo com isso! Trabalhar feliz é tudo!

Duca: Está sendo ótimo. A gente tem muitas afinidades artísticas, ideológicas, existenciais... Temos histórias de vida muito parecidas. Ideia e pensamentos semelhantes. A Thelma é uma pessoa de quem eu ficaria amiga, mesmo se não trabalhássemos juntas..


NT: Como nasceu a ideia de “Cordel Encantado”?

Duca: Cordel é um projeto bastante antigo. Estamos tentando emplacá-lo há pelo menos uns quatro anos. Ele foi apresentado à emissora ainda antes de Cama de Gato.  A ideia agradou todo mundo, mas, na época, a TV Globo tinha decidido suspender por um tempo as novelas de época. Chegamos a fazer uma versão contemporânea, sem os cangaceiros.  Era interessante também. Tinha os seus ganhos, em termos de situações dramáticas. Mas, de fato, a união desses dois universos, a corte europeia e o cangaço, era um apelo muito mais forte.Cordel é isso, uma fábula que reúne esses dois universos atemporais: a corte e o cangaço. São universos quem têm símbolos e rituais muito próprios. E que estão presentes na literatura de cordel, há muito tempo. Embora hoje em dia o cordel fale sobre qualquer assunto. Essa é uma novela que tem por objetivo levar o telespectador para um mundo de sonho e fantasia. Uma história de amor, temperada com muito humor e aventura.

Telma: A historia nasceu quando terminamos de escrever nossa primeira novela, o remake de O Profeta. Nós começamos a pensar, então, no que ofereceríamos à emissora. Inicialmente apresentamos três idéias: outro remake; uma novela de época e uma trama atual. Cordel era a ideia de época, que, como a Duca já disse, foi a que mais agradou. Mas naquele momento o objetivo da Globo era dar um tempo em tramas de época. Oferecemos a versão atual dela, mas todos diziam que não era tão encantadora quanto a versão original. Era melhor esperar um pouco, para levá-la ao ar mais tarde. Apresentamos então a sinopse de Cama de Gato, que acabou dando certo. Mas enquanto Cama de Gato nasceu de uma angústia existencial, de papos que Duca e eu tínhamos sobre a realidade dura de hoje, em que o individualismo impera sobre uma visão mais humanista e humanitária, acho que Cordel Encantado nasceu, por outro lado, da nossa alma de contadoras de história, do nosso amor pela ficção, pelo sonho, pela fantasia, pela literatura, enfim, pela arte, que é o que nos faz transcender à nossa condição de seres finitos e tão ínfimos


Em que se distingue “Cordel Encantado” das restantes tramas de época já apresentadas pela emissora?

Telma: Uma coisa que me parece ser uma característica bem particular dessa novela é que, mesmo sendo uma novela “de época”, ela não tem compromisso com a realidade histórica. Cordel Encantado lida com dois universos míticos: um sertão e uma realeza atemporais.


Com “Cordel Encantado”, Cauã Reymond e Bianca Bin assumem pela primeira vez o par protagonista. É um risco, para vocês, colocar nas mãos deles os papéis de Jesuino e de Açucena?

Telma: Não há risco nenhum! Só pelas chamadas é possível o público ver que eles estão maravilhosos! Os dois são jovens muito talentosos. Estamos apostando na Bianca Bin como protagonista, atriz na qual botamos a maior fé. Quanto ao Cauã, somos grandes admiradoras do trabalho dele há muito tempo.

Duca: Eles têm dado aos personagens os atributos que imaginamos para cada um. O Jesuíno é o nosso herói,  nosso Robin Hood,  que não consegue fugir de sua sina. Açucena é uma moça que tem que escolher entre o amor e as suas verdadeiras origens. Pelo que já vimos os dois têm uma química forte, poderosa.


Nathália Dill e Bruno Gagliasso completam o principal quarteto amoroso. Acham que o público não está cansado das constantes personagens que eles têm vindo a desempenhar, todas elas num curto espaço de tempo? Quais as diferenças entre os personagens que vão agora desempenhar e os anteriores?

Duca: As diferenças são claras. São histórias totalmente distintas e personagens idem.

Telma: A Nathalia está em seu terceiro papel em uma novela das seis. E com o seu talento e beleza acho que mesmo que estivesse no 30º seria difícil o público enjoar dela. Além do mais, o papel dela em Cordel Encantado é muito especial, diferente de tudo o que ela já fez. A princípio pode até parecer igual, mas em dado momento, o público vai se surpreender e muito com ele! Quanto ao Bruno, a gente queria muito que ele fizesse o Timóteo. Ainda bem que conseguimos. Ele é um ator incrível.


A principal vilã da novela, Úrsula, será desempenha pela Débora Bloch.. Como é contar com uma atriz do gabarito dela, especialmente quando ela tem estado desaparecida desde “Caminho das Índias”?

Duca: A Debora é uma atriz maravilhosa e é uma honra tê-la na pele da nossa vilã Úrsula. Ainda mais em uma dupla com o também maravilhoso Luiz Fernando Guimarães

Telma: Úrsula e Nicolau são dois escroques, vaidosos, que não medem esforços para ter poder e dinheiro. Mas mesmo sendo maus, sem escrúpulos, farão os telespectadores rir muito!


Tal como nas suas novelas anteriores, “Cordel Encantado” também dará espaço para a comédia e para outras tramas importantes?

Telma: Acredito que a trama tenha os ingredientes fundamentais: uma história central forte, fôlego, personagens bem construídos, reviravoltas e muito romance, ação, aventura e humor.. Espero que o público concorde comigo. As tramas paralelas são fortíssimas. Como vocês devem saber, Duca e eu costumamos fazer as tramas paralelas não serem tão paralelas assim. Elas atravessam e interferem na trama central, de uma maneira muito dinâmica.

Duca: Temos a trama do Rei Augusto, que sofre e mantém sua humanidade, apesar de estar restrito por todo aquele cerimonial típico da corte; de Herculano, cangaceiro, homem  rude; do prefeito Patácio e sua mulher Ternurinha, o casal que representa aquela política que ainda persiste no Brasil; do delegado Batoré, homem da lei, que deveria ser duro e rígido, mas é, no fundo, um fraco, patético e apaixonado; de Timóteo, que tem aquele falso verniz do dândi, mas, no fundo, é um coronel como o pai; de Dora, uma moça culta, inteligente, independente, à frente de sua época, e, ao mesmo tempo, apaixonada; de Jesuíno, um homem bom, um herói que cumpirá sua sina e virará um cangaceiro do bem, que roubará dos ricos para dar aos pobres. De Açucena, uma moça doce e ao mesmo tempo forte que ficará entre o amor de sua vida e suas verdadeiras origens; do Miguézim, que representa o lado místico do sertão. De Úrsula e Nicolau, dois vilões cheio de vaidade que passam por cima de tudo e de todos para ter poder e dinheiro...


Por que a ideia de gravar na França as cenas iniciais da trama? É mais um sinal da plena confiança da emissora no trabalho que apresentam?

Duca: Tomara que sim! Que seja um sinal de confiança! Mas nesse caso, avaliamos junto com Amora e Ricardo que era necessária uma locação, um "cenário real", para dar mais verdade aos personagens da corte de Seráfia.

Telma: Quando propusemos a novela à emissora, nós chamamos a atenção para o fato de essa novela precisar de duas viagens. Precisávamos de um castelo europeu de verdade e de um lugar paradisíaco no nordeste do Brasil. Sem essas viagens, seria difícil criar esse universo ficcional de maneira consistente.


Como é contar com a direção de Amora Mautner? E com Ricardo Waddington?

Duca: Nós estamos repetindo a parceria bem sucedida de ‘Cama de Gato’. Amora e Ricardo garantem que a nossa história seja contada da melhor maneira possível, com toda a qualidade, dedicação e competência. O público já deve ter percebido isso pelas chamadas que mostram as imagens filmadas em 24 quadros. A primeira novela que usa essa tecnologia.

Telma: A Amora é uma diretora sensível, dedicada, apaixonada e temos uma sinergia forte com ela, com seu olhar feminino. O Ricardo é um diretor muito experiente, com quem temos uma troca muito intensa e rica. Ele é exigente e quer sempre o melhor. Isso é maravilhoso.


Uma de vocês teve recentemente seu apartamento assaltado. Os ladrões levaram o computador e, nele, os primeiros capítulos da trama. Esse episódio caricato obrigou o vosso time a mexer no roteiro da trama?

Duca: Foi o apto. da Thelma. Mas não mexemos numa vírgula! O computador tinha senha.

Telma: É um baita susto ter o lar da gente invadido. Neste caso, logo quando soube que meu computador também tinha sido levado fiquei bastante preocupada, até lembrar que tínhamos cópias dos capítulos no computador da Duca e dos colaboradores. E que meu computador tinha senha...


 “Cordel Encantado” substituirá no horário “Araguaia”, de Walther Negrão. É uma tarefa difícil assumir o horário agora que ele está em alta e impedir que o público rejeite a trama ou é mais fácil pegar o Ibope no chão e levar as pessoas a sentarem gradualmente em frente ao televisor e conquistá-lo?

Duca: A responsabilidade sempre é grande. O horário das seis é muito importante. É ele que estabelece o patamar de audiência, a partir do qual os outros produtos do horário nobre terão para alçar seus voos. É ela que tem a tarefa primeira conquistar e atrair o público. Talvez por isso mesmo ela deva ser muito sedutora...

Telma: Afinal, será dela a tarefa de convidar o espectador para a brincadeira e para o sonho da ficção. Assim sendo, o que não pode faltar a ela é essa atmosfera onírica, esse convite para sonhar, a partir de elementos míticos, da fábula, do conto de fadas. Mesmo quando a novela é realista, como no caso de Cama de Gato, tem que ter um pé no sonho. A nossa protagonista Rose era uma mulher pobre, batalhadora, pés no chão, mas era uma sonhadora, romântica. E teve uma trajetória mágica, de personagem de conto de fadas. Da mesma maneira, Gustavo vive um pesadelo também fabular. Outra coisa importante na novela das seis é tocar fundo no sentimento do seu público, criar empatia, usar elementos da cultura brasileira para se aproximar das pessoas. Para os espectadores se verem nos personagens e na história que está sendo contada.


As tramas que desenvolvem serão a mais curta que já levaram ao ar. Os capítulos que têm chega para contarem uma história ágil e sem barriga, tal como queriam inicialmente, ou é inferior àquilo que previram?

Telma: Um autor de novelas tem que estar preparado para a encomenda que recebe. Neste momento, estamos prontas para contar a nossa história no número de capítulos que nos foi estabelecido. Mas não somos bobas... Sempre guardamos algo na manga, para o caso desse espaço aumentar. Mas deixar a história com barriga jamais! (risos)

Duca: Em ficção tudo é possível...


Sendo essa a terceira novela em parceria, vocês sentem a necessidade cada vez maior de rumar caminhos diferentes, apresentando, cada uma, novelas a solo?

Duca: Acho que não é o momento da gente pensar nisso, né? Temos uma longa jornada em dupla, pela frente. E eu, particularmente, estou muito feliz com essa parceria.

Telma: Minha parceria com a Duca é algo muito especial. É raro conseguirmos dividir um trabalho de criação com alguém, como nós duas fazemos. Com todos os esforços físicos, mentais, emocionais e as dificuldades que estão implicados neste trabalho de escrever novela, nós chegamos a um resultado tão bom, e ainda conseguimos nos divertir muito criando juntas. Por isso, ainda que eu queira um dia escrever algo sozinha, este dia ainda não chegou. Tanto é que estamos aqui, começando esta longa viagem pelo Cordel Encantado! Estamos focadas nessa história! Super animadas, juntas e misturadas!

SESSÃO ABERTURA: Vamp

Marcos Breda fala de "Amor e Revolução"



Até com um personagem pesado e dramático é possível se divertir. Pelo menos, para Marcos Breda é assim. Na pele de Carlo, em "Amor e Revolução", do SBT, ele interpreta um militante de esquerda que é sequestrado e torturado até a morte por militares, na época da ditadura estabelecida em 1964. Apesar da temática e das cenas tensas e sangrentas que protagoniza, o ator costumava alternar momentos de total concentração com brincadeiras durante as gravações dos oito capítulos em que participa. Afinal, contracenar com amigos, como Fábio Villa Verde e Jayme Periard, deixa o clima bem mais leve nos bastidores. "Na hora de gravar, era todo mundo sério: muito sangue, dor, sofrimento, lágrimas. Quando cortava, um olhava para a cara do outro e dava risada", revela. A descontração não significa falta de comprometimento. Pelo contrário. "As pessoas confundem seriedade com sisudez. Você não precisa estar com uma cara amarrada para fazer uma coisa séria", explica. "Você pode estar bem sério e se divertindo para caramba. Diversão ajuda a trabalhar", completa.

Por pouco, Marcos não faz um personagem do início ao fim da trama. Mas quando surgiu o convite, o ator teve de recusar o papel maior. Isso porque já estava comprometido com as duas sequências do filme "Os Senhores da Guerra", de Tabajara Ruas, cujas filmagens começariam ao mesmo tempo em que parte das gravações do folhetim de Tiago Santiago. "Não tinha como conciliar com a novela porque é um ritmo muito intenso. Então, o autor e o diretor sugeriram esse outro papel. Deu tudo certo", constata. Apesar de pequeno, o personagem é intenso e ainda trouxe à tona recordações em Marcos. Ele era muito novo na época do Golpe de 64 – tinha um pouco menos de quatro anos –, mas lembra que seu pai, que era sargento da Aeronáutica, passou um bom período longe de casa. "A imagem que guardo é de um medo no ar. Lembro da ausência do meu pai e da minha mãe chorosa, preocupada com a situação", revela. No auge da ditadura, um pouco mais velho, Marcos cantava canções ufanistas na escola, enquanto pessoas eram torturadas nos porões da ditadura. "O país ia sendo silenciosamente massacrado. Era um pano de fundo meio distante para uma geração que cresceu alienada. A gente nem tinha noção dos horrores que eram cometidos", avalia.

Na pele de um preso político que é duramente torturado, você protagoniza cenas fortes. Fez alguma preparação específica para isso?
As cenas de tortura são "barra pesada", com muito sangue, choque. Por mais que você faça tudo tecnicamente, sempre se machuca um pouco, mas isso faz parte do jogo. Como eu só apanho, não tive de fazer grandes preparações em manuseio de arma, por exemplo. Mas sempre privilegiei, na minha formação como ator, a preparação corporal. Fiz 20 anos de capoeira, lutei judô, caratê, jiu-jítsu, faço alongamento, ioga. É uma coisa que venho trabalhando a vida toda.

A caracterização ajuda você nesse processo de entender o personagem?
Ajuda, mas é um acessório. Acredito que, mais do que qualquer coisa, o importante é a preparação interna do ator. Não é cabelo, não é roupa, não é maquiagem. Esses artifícios ajudam, mas o principal trabalho é de dentro para fora. A caracterização é importante, mas vem depois do processo do ator, que é ler aquele texto, entender de onde vem e para onde vai o personagem.

Você tem 30 anos de profissão e já trabalhou em todas as emissoras de TV. Que personagem elege como o mais marcante de sua carreira?
Um dos personagens mais legais que já fiz pouca gente viu, porque era em uma novela da Band: "Paixões Proibidas". Eu fazia um "serial killer" de época. Era muito bom trabalhar com esse tipo de universo que, apesar de macabro e terrível, é fascinante. Os monstros são personagens muito ricos para um ator.
 

Beatriz Segall fala da vilã de "Lara com Z"



Aos 84 anos, Beatriz Segall volta à TV como a autoritária Maria Beatriz na minissérie "Lara com Z", que estreia hoje. A personagem será uma pedra no sapato de Bárbara (Monique Alfradique), neta de Lara (Susana Vieira). A nova megera, que não concorda com a relação da jovem com seu neto, Oliver (Augusto Zacchi), surge quando a reprise de "Vale tudo" no Canal Viva faz o público delirar com as maldades de Odete Roitman, apontada como a maior vilã da história da teledramaturgia.

— Maria Beatriz quer mandar em todo mundo, manda nos netos. É igualzinha a mim (risos). Mas não se assemelha em nada a Odete, pelo amor de Deus! Odete era maligna, falava coisas que não poderia se dizer hoje — afirma a atriz.

O último trabalho dela na TV foi "Bicho do mato" (2006), na Record. A volta à Globo foi um convite do diretor Wolf Maya:

— Estava precisando fazer um pouquinho de TV, e ele foi de uma gentileza, insistiu muito.

Além da minissérie, ela está em cartaz com a peça "Conversando com mamãe", no Fashion Mall. No espetáculo, Beatriz é uma doce senhora, que briga com a nora pela companhia do filho.

— Na televisão, você não escolhe, é escolhida. Mas faço teatro, que é do que mais gosto — diz a veterana.

A atriz não assiste novelas. Por isso, não consegue eleger quem melhor fez maldades na TV depois dela:

— Assisto mais a telejornais. Mas deve ter aparecido uma boa vilã. Não é tão difícil assim fazer uma Odete Roitman.

"Araguaia" chega ao fim e não surpreende na audiência



No início da noite desta sexta (8), foi ao ar na Globo o último capítulo de "Araguaia".

O desfecho da trama de Walther Negrão registrou média prévia de 26 pontos e pico de 31 na Grande SP. No horário, a Record ficou em segundo com 8 pontos, a Band em terceiro com 5,5 e o SBT em quarto com 3 pontos.

O capítulo de hoje de "Araguaia" mostrou o vilão Max (Lima Duarte) despencando de um precipício.

Solano (Murilo Rosa) e Estela (Cleo Pires) ficam juntos e conseguem desfazer a maldição karuê, criando seu filho na estância. Também houve juras de amor eterno, muito romance e uma passagem de tempo, onde mostrou o adestrador presenteando seu herdeiro com o talismã protetor.

Já Manuela (Milena Toscano) terminou a novela com Rudy (Henri Casteli). Ela também tecebeu um convite para ser madrinha do filho de Solano, seu grande amor perdido.

O último capítulo de "Araguaia" não superou as expectativas da Globo no quesito audiência. "Escrito nas Estrelas", sua antecessora, registrou em seu último dia 33 pontos de média e pico de 40. Esta foi a maior audiência na faixa das seis dos últimos três anos.

A novela de Walther Negrão fecha com média geral de 22 pontos no Ibope.

Record comemora audiência consolidada de “Rebelde”



Os executivos da Record ligados ao projeto “Rebelde” comemoram os números dos primeiros capítulos da novela e o aumento de acessos no portal da emissora. A trama desenvolvida para o público jovem tem mantido aqui em São Paulo a média de 10 pontos, um a mais do que a estreia. A estabilidade nessa fase inicial é algo raro em dramaturgia uma vez que, tradicionalmente, novelas perdem audiência nos capítulos das primeiras semanas. Quando uma trama estreia, os programadores das emissoras de TV já sabem que nos primeiros 20 dias muitas oscilações acontecerão e que a média cairá porque o público precisa se acostumar com a novidade. Até o momento, “Rebelde” tem se mostrado eficiente na faixa das 19h para os planos da Record e não é prudente exigir da equipe um pouco mais nesta fase da novela. Quem acompanha a versão brasileira da história mexicana já percebeu que a ampliação de temas agradou ao público e que os protagonistas seguram seus papéis, criando uma identificação com quem está em casa.

Uma das estratégias da direção para chamar público para “Rebelde” é investir nos romances e em cenas externas onde é possível exibir os corpos dos atores. E parece que funcionou.

"Macho Man" estreia na TV Globo e garante liderança isolada

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Fez sua estreia na TV Globo, nesta sexta-feira (08), a série "Macho Man".
Seu roteiro gira em torno da mudança sofrida pelo protagonista, que acredita ter mudado de orientação sexual depois de levar uma pancada na cabeça. Enquanto isso, Valéria (Marisa), é uma ex obesa, que não sabe como lidar com as mudanças de seu corpo, especialmente depois de perceber que muitos homens preferiam suas antigas curvas.

A série protagonizada por Jorge Fernando narra a história de Nelson, personagem que se auto intitula um 'ex gay'.

Segundo a prévia, "Macho Man" obteve média de 17.2 pontos, pico de 19.5 e 39.4% de participação. No mesmo horário a Record marcou 7.5, o SBT 3.8 e a RedeTV! 3.4 pontos.

Militares fazem abaixo-assinado na internet pedindo o cancelamento de "Amor e Revolução"

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A novela "Amor e Revolução" vem rendendo na internet, apesar de a audiência ainda estar aquém do esperado na TV.

Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período da ditadura militar no Brasil.

Os donos do site querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT.

No texto, os autores dizem que "é óbvio que o governo federal através da comissão da verdade, recém criada, está participando do acordo em exibir a novela Amor e Revolução no SBT. Parece-nos que se trata de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do Banco Panamericano do próprio empresário. As forças armadas não devem permitir, dentro da legalidade, que tal novela seja exibida, pelos motivos óbvios abaixo declarados. Convém salientar que as forças armadas já se manifestaram negativamente a respeito da novela Amor e Revolução".
 
E completou: "sendo assim, o efetivo da forças armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimento da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo".
 
Procurada pelo NaTelinha, a colaboradora de Tiago Santiago na novela, Renata Dias Gomes, comentou que "felizmente a ditadura e a censura acabaram e hoje a gente pode contar uma história sem medo. Ou deveria poder".

SESSÃO CHAMADAS: Cordel Encantado

Araguaia: Quietude, calma e história firme

Foram anos tentando, mas finalmente Walter Negrão conseguiu emplacar a novela de seus sonhos no horário das 6. Autor tarimbado, de excelente texto e que imprime um ritmo leve, tranqüilo, quase parando às suas histórias. Elemento que, às vezes, pode irritar alguns, mas no horário, permite maior apuração, análise e até histórias mais saborosas e menos ágeis.

Foi sob este prisma que Araguaia foi levada ao ar na Rede Globo. Nesta sexta, quando será exibido o último capítulo daqui poucos minutos, a trama terá fechado um ciclo importante para a dramaturgia da emissora. É evidente que não foi um marco na história global, afinal, sequer conseguiu atingir a meta de audiência, mas ainda assim, além de apresentar uma história leve, rica e deliciosa, conseguiu inserir pontos importantes que não podem ser ignorados.

Graças ao folhetim que todos perceberam o talento de Walter Negrão em enriquecer histórias de uma forma diferente dos demais novelistas. Enquanto muitos buscam um tom inovador, um caráter de agilidade quase seriada, Negrão apresentou uma história densa, cheia de elementos dramatúrgicos ricos e até maniqueístas, mas sem pressa. Basicamente ele contou a história numa velocidade reduzida, exatamente como a trama exigia. Isso também, graças a ótima direção de Marcos Schechtman, excepcional condutor e que sabe captar o contexto de uma história e transformar o texto em algo visível.

Aragauaia foi responsável ainda por permitir que nomes tradicionais do cast da Globo desenvolvesse seu trabalho de forma eficaz. O desempenho de Laura Cardoso foi fundamental para que o núcleo central funcionasse e andasse muito bem. A personagem Mariquita era um elo de ligação importante para que todos do núcleo principal conseguissem funcionar, e Laura Cardoso foi mestre em compreender isso e compôr uma personagem riquíssima.

Outro nome de destaque do folhetim e que soube agarrar uma oportunidade única foi Cléo Pires. A atriz que começou meio perdida e permitindo que sua personagem ficasse um tanto quanto avoada, aos poucos, foi dando controle e compondo de maneira eficaz. Ao fim de Araguaia, Cléo Pires foi, sem dúvida, a dona da novela e conseguiu a empatia do público, da crítica e, claro, dos diretores da emissora. Ponto para ela.

Sai de cena Araguaia que, pode nunca ser lembrada como a melhor novela, mas certamente será sempre lembrada com carinho pelos telespectadores e, sem dúvida, com alguma nostalgia, afinal, em tempos em que todas as novelas buscam a agilidade, a novela foi uma fonte de descanso para o público.

Lara com Z tenta ser interessante, mas só tenta

Na onda de estreias da "fall season" brasileira com todas as novas produções estreando na Rede Globo, na última quinta-feira, na segunda faixa de shows, após a volta triunfante de A Grande Família, estreou o spin-off de Cinquentinha, Lara com Z.

Série protagonizada por Suzana Vieira e assinada por Aguinaldo Silva que prometia ainda mais ousadia do que se viu na orginal, a produção estreou cercada de mistérios sobre a história e até mesmo sobre os personagens envolvidos nos plots. E, pelo episódio inaugural, o que se viu, foi uma série que tenta a todo custo ser interessante, mas não passa da tentativa.

A começar pelo fato de que Lara já era a personagem mais desinteressante de Cinquentinha e não tinha uma história forte o suficiente para ter sua própria série. Algumas personagens oriundas da produção original também migraram para Lara com Z, mas nem elas conseguiram dar o ar juvenil que o autor se propôs a fazer. Aliás, a idéia de construir uma protagonista que mente a idade e tenta com todo o esforço não envelhecer jamais seria interessante nas mãos de uma outra atriz.

A história acabou se aproximando demais da vida real de Suzana Vieira e tirou todo o ar interessante que o texto poderia transmitir - e olha que Aguinaldo Silva nem errou tanto a mão quanto em seus últimos trabalhos - e isso sem dúvidas atrapalhou bastante o bom andamento do episódio. 

Ao que parece, Lara com Z - série com o título mais estranho e sem sentido já produzida no Brasil - já estreou sem fôlego algum e não deve contar boas histórias ao longo desta temporada. Uma pena, poderia ser interessante.