quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SESSÃO AUTORES: Ivani Ribeiro - parte final


Década de 1970
Com a falência da TV Excelsior (15 de outubro de 1970), Ivani se transferiu para a TV Tupi, onde emplacou grandes sucessos no horário das vinte horas tradicional da concorrente Rede Globo, como Mulheres de Areia (1973), que foi baseada em uma antiga radionovela de sua autoria, As noivas morrem no ar (1965) e consagrou a atriz Eva Wilma e Os Inocentes (1974), inspirada na peça A visita da velha senhora de Durrenmatt e na radionovela de sua autoria A mulher de pedra, ambas protagonizadas por Cleide Yáconis, contando também com a participação de Cláudio Correia e Castro. Ao longo da novela, ela deixou o roteiro nas mãos do marido para trabalhar na novela A Barba Azul, para a qual também se transferiram Jussara Freire e Carminha Brandão. O tema central também rendeu outras novelas, como Cavalo de aço, Fera radical (ambas de Válter Negrão) e a trama inicial de Chocolate com Pimenta.

Prosseguiu com a espírita A Viagem (1975), inspirada nos livros E a vida continua… e Nosso lar, ambos ditados pelo espírito de André Luiz ao médium Chico Xavier contou com a colaboração do professor José Herculano Pires na última novela da qual Lúcia Lambertini participou pois viria a falecer pouco tempo depois, e O profeta (1977), protagonizada por Carlos Augusto Strazzer que ganhou o Troféu APCA por essa interpretação, que também abordou temas espíritas e místicos (como em Os estranhos, A viagem e O terceiro pecado); para escrevê-la, Ivani foi assessorada por um mentor espírita, um psiquiatra, um sacerdote católico e um orientador de candomblé, contando também com a participação especial da apresentadora Hebe Camargo, o médium Chico Xavier e do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a novela ganhou uma adaptação em 2006 exibida pela Rede Globo, por Thelma Guedes e Duca Rachid sob supervisão de texto de Walcyr Carrasco, protagonizada por Thiago Fragoso e Paola Oliveira.

Em entrevista ao Jornal do Brasil (28 de janeiro de 1978), declarou: Focalizando a paranormalidade, que considero um assunto fascinante, armo um debate com a doutrina espírita, a Igreja Católica e a parapsicologia. Mas como sou leiga no assunto, sou assessorada por padres, médicos, médiuns e pais-de-santo. Com essa novela, pretendo despertar a consciência de que precisamos tentar uma maior aproximação do homem com Deus, ao mesmo tempo em que apresento, seriamente, uma ilustração do fenômeno.

Em Aritana (1978) recebeu o auxílio do sertanista Orlando Villas Bôas para abordar a cultura indígena, as diferenças entre os índios e a sociedade dita civilizada; contou também com a colaboração do professor e então administrador do Parque Xingu, Olympio Serra. As gravações só foram possíveis graças ao apoio da Funai e foram feitas no Posto Leonardo em plena selva, e nos estúdios da TV Tupi. A princípio, ela foi mal-interpretada por aqueles que se sentiam ameçados com os direitos de reivindicação dos índios, como no tema central, em que deseja a posse total das terras para abrigar sua tribo; a intenção da autora foi defendida no especial O Caso Aritana - Uma Novela à Parte, que contou com a participação do diretor artístico da emissora, Carlos Zara, os irmãos Vilas-Boas e grande parte do elenco.

Escreveu também a ecológica O Espantalho (1977), para os Estúdios Sílvio Santos, que abordou o tema da poluição das praias e para redigir o texto de As Bruxas (1970), que abordou assuntos polêmicos à epoca, tais como o tema da psicanálise de Sigmund Freud, bem como separação de casais e adultério - temas vetados pela censura, que acarretou a mudança de horário -, freqüentou sessões de terapia para que tivesse uma maior compreensão da popularização de análise grupal.

Em 1976, assinou um contrato com os Estúdios Sílvio Santos, com duração de quatro anos. Nesse período escreveu a novela O Espantalho, para a TVS, mas devido ao fracasso dessa novela, a emissora desistiu de investir em teledramaturgia. Sílvio Santos então colocou a escritora à disposição da TV Tupi, em compensação a emisora devia pagar o salário para a escritora; assim Ivani volta à TV Tupi e escreve O Profeta, em 1977 e Aritana, em 1978. Em 1980, com o final de seu contrato com Sílvio Santos e com a falência da TV Tupi, a escritora foi contratada pela TV Bandeirantes.

Ivani foi a principal autora de novelas da TV Tupi na década de 70; por isso, nos últimos dois anos de existência da emissora, os três tradicionais horários de novela foram cancelados e substituídos por reprises de novelas de sua autoria: Gaivotas, de Jorge Andrade, foi substituída pela reprise de O Profeta, Aritana foi substituída por uma reprise compacta de sessenta capítulos de O Espantalho - entre maio e junho de 1979 (que ganharia uma segunda reprise pelo SBT em 1983) e Como salvar meu casamento, a última produção da emissora, que não teve um final exibido, foi substituída pela reprise compacta de A viagem, que não foi terminada devido à grave crise da emissora e da saída definitiva da mesma do ar em 18 de julho de 1980; na reprise, a novela ganhou um novo logotipo e abertura, contando também com outro tema musical.

Fase Bandeirantes
Depois da falência da TV Tupi, transferiu-se com praticamente todos os colegas autores e de elenco da antiga emissora, para a Rede Bandeirantes, onde escreveu quatro sucessos: Cavalo amarelo (1980), protagonizada pela atriz e humorista Dercy Gonçalves. A novela ganhou uma continuação depois do término, Dulcinéa vai à guerra, que não obteve o mesmo êxito e foi escrita por Sérgio Jockyman pois Ivani se recusou a escrevê-la. No mesmo ano foram levados ao ar os remakes de A deusa vencida protagonizada por Elaine Cristina, e O meu pé de laranja lima; este último é baseado no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos e ganharia uma terceira versão em 1998 adaptada por Ana Maria Moretzsohn, além de uma adaptação para o cinema por Aurélio Teixeira.

Para escrever Os Adolescentes (1981), foi auxilada pelo psiquiatra Paulo Gaudêncio. Intencionando mostrar os conflitos dos jovens naquele momento, foi substituída por Jorge Andrade, que terminou a obra amenizando os problemas dos jovens centrais e criando personagens novos, inexistentes nos capítulos criados por Ivani anteriormente. Quando Benedito Ruy Barbosa abandonou a escrita da novela Os imigrantes para retornar à Rede Globo, a direção da Bandeirantes resolveu que Ivani deveria abandonar a escrita de Os Adolescentes e assumir Os Imigrantes. Apesar do profissionalismo de Ivani em aceitar esta incumbência, o fato acabou causando uma série de desencontros e o desgaste de sua relação com a emissora, da qual sairia em seguida.

Estréia na Globo e adaptações
Em 1982 estreou na Rede Globo, onde permaneceu até sua morte. A telenovela que marcou a estréia nessa emissora é Final feliz, dirigida por Paulo Ubiratan, Wolf Maia, Mário Márcio Bandarra e produção de Manuel Alves; foi o último trabalho da atriz Elza Gomes que veio a falecer em 1984, onde a interpretação de Estênio Garcia ganhou os prêmios de Destaque do Ano e Assoçião Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), fazendo com que o autor fosse contratado pelo governo cearense para promover o turismo naquele estado durante um ano, teve cenografia de Jorge Moreira, figurinos de Zenilda Barbosa e maquiagem de Eric Rzepecki, obteve audiência expressiva, promoveu o merchandising sobre tabagismo, cuja trama focalizava o amor vivido em diferentes idades, bem como uma trama policial e deficiência mental, contando com a colaboração do psiquiatra Stanislau Krinsky e inclusive, retratou características do Nordeste brasileiro e foi a única produção inédita na casa - e última novela inédita de sua autoria, pois todas as outras foram remakes ou baseados em antigos sucessos seus. A abertura, idealizada por Hans Donner, teve uma produção cuidadosa: imagens famosas na história do cinema, como em ...E o vento levou e Casablanca, com atores conhecidos, como Marilyn Monroe, Rodolfo Valentino e Clark Gable; ao final, numa montagem, as estrelas de Hollywood apareciam caracterizadas e assistinado às cenas, numa fictícia platéia de cinema. A direção da abertura foi assinada por Roberto Cardim, e seu tema musical era Flagra, interpretada por Rita Lee.

Prosseguiu com Amor com amor se paga (1984), com direção geral de Gonzaga Blota, direção de Atílio Ricó, Jaime Mojardim, Gonzaga Blota e produção executiva de Mariano Gati; ambientada na fictícia cidade de Monte Santo no interior mineiro, inspirada na peça O Avarento de Molière foi baseada em Camomila e bem-me-quer (1972) com Ary Fontoura no papel equivalente ao de Gianfrancesco Guarnieri na versão original, marcando a estréia da atriz Cláudia Ohana - papel que na versão original foi de Teresa Teller, bem como Édson Celulari que foi de Marcelo Picchi na primeira versão, bem como Nicete Bruno e Juca de Oliveira (Ioná Magalhães e Carlos Eduardo Dolabela, respectivamente) e cuja trilha sonora reunia sucessos de Fafá de Belém, Amelinha, Kid Abelha, Renato Teixeira, Pepeu Gomes, Cindy Lauper e Bruce Springsteen, entre outros.

Outro trabalho neste caminho foi Hipertensão (1986), com direção de Volf Maia, Carlos Magalhães, Atílio Ricó, Marcelo de Barreto, produção executiva de Maria Alice Miranda e direção de planejamento de Rui Matos, foi baseada em Nossa filha Gabriela (1971) entretanto sem alterar a estrutura da história onde houve mudanças na espinha dorsal, nos nomes dos personagens, criação de novas tramas formando assim uma nova novela, com Maria Zilda no papel principal - no original o papel foi de Eva Vilma - os papéis de Cláudio Correia e Castro, Paulo Gracindo e Ari Fontoura foram interpretados pelo próprio Cláudio Correia e Castro, Ivã Mesquita, e Abraão Farc na novela original, respectivamente; as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), e ambientada na fictícia cidade de Rio Belo, construída em Guaratiba, sob a responsabilidade do cenógrafo Mário Monteiro e as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), com a produção de arte assinada por Ana Maria Magalhães, os figurinos ficaram acargo de Beth Filipecki e Sandro Dutra, marcando a estréia dos atores Antônio Calloni, Cláudia Abreu, Carla Marins e Eri Johnson; O sexo dos anjos (1989) que contou com seqüências gravadas na Amazônia e estação de esqui, efeitos visuais, cuja cenografia era de Cláudia Alencar, José Cláudio Ferreira dos Santos, Sônia Soares encarrou-se dos figurinos, e Ângela Fróis, da direção de arte, marcando a estréia do ator Humberto Martins, foi baseada em O terceiro pecado (1968), esta última a primeira incursão no sobrenatural - neste remake Isabela Garcia, Felipe Camargo, Bia Seidl e Sílvia Buarque interpretaram os papéis que na primeira versão foram de Regina Duarte, Gianfrancesco Guarnieri, Natália Timberg e Maria Izabel de Lizandra.

O sexo dos anjos - com direção de Roberto Talma, Fábio Sabag, Flávio Colatrelo, direção executiva do próprio Roberto Talma, produção executiva de José de Almeida e direção de planejamento de Eduardo Figueira - não obteve êxito, transpondo para os dias contemporâneos uma história que originalmente se passou na década de 1920; A Muralha, baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz foi convertida em minissérie em 2000 de 49 capítulos, como parte da comemoração dos 35 anos da TV Globo e também aos 500 anos do Brasil, comemorados em 22 de abril daquele ano - adaptada pela dramaturga portuguesa Maria Adelaide Amaral, afora as quatro apresentações de 1954, 1958, 1963 (estas, de maneira mais simplista, numa época em que as telenovelas brasileiras ainda não eram diárias) e 1968. Maria Adelaide leu os originais que Ivani escreveu para rádio nos anos 1950, para realizar a versão de minissérie da obra, conforme consta em uma entrevista da autora na revista Istoé Gente, de 2000.

Remakes
Escreveu também os remakes de A gata comeu (1985), comédia romântica ambientada no Rio de Janeiro, com direção de Herval Rossano, José Carlos Pieri e direção de produção de Manuel Martins, que marcou a estréia da atriz Deborah Evelyn, teve cenários criados por Jorge Moreira e Ana Maria Melo, figurinos de Sônia Galo e maquiagem de Eric Rzepecki, ambientada no Rio de Janeiro e contou com a colaboração de Marilu Saldanha, já havia sido A barba azul (1974) - destaque também para os personagens de Laerte Morrone, Marilu Bueno, Cláudio Correia e Castro, Dirce Migliaccio e Luís Carlos Arutin e o núcleo infantil (Danton Melo, Juliana Martins e Oberdã Júnior), cenário de Jorge Moreira, Ana Maria Melo, figurinos de Sônia Galo e maquiagem coordenada por Eric Rzepecki - o tema de abertura também ficou marcado na memória do público: a música Comeu, de Caetano Veloso, gravada pelo compositor acompanhado pelo grupo Magazine; Mulheres de areia (1993), com direção de Wolf Maya, Inácio Coqueiro, Carlos Magalhães, produção executiva de Maria Alice Miranda e direção de produção de Rui Matos, foi juntada com a espinha dorsal de O Espantalho, protagonizada por Guilherme Fontes e Glória Pires - na versão original, por Carlos Zara e Eva Vilma - numa elogiada interpretação, cujo resultado alcançado foi excelente e valorizou ainda mais o remake, cuja gravação já fora cogitada anteriormente, em 1990. A novela deveria substituir Felicidade de Manuel Carlos em junho de 1992, mas como Glória Pires engravidou, sua estréia foi adiada em um ano; em seu lugar, entrou Despedida de Solteiro, de Válter Negrão.

A última novela escrita antes de morrer foi o remake de A Viagem (1994), novamente com direção de Wolf Maia, Inácio Coqueiro, produção executiva de Alexandre Ishikawa e direção de produção de Ítalo Granato, inspirando-se na filosofia de Allan Kardec, com Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Maurício Matar, Andréia Beltrão e Guilherme Fontes nos papéis que na versão original foram de Eva Wilma, Altair Lima, Tony Ramos, Elaine Cristina e Ewerton de Castro, respectivamente.

Telenovelas

TV Globo
2006/2007 O Profeta - (remake escrito por Duca Rachid e Thelma Guedes e supervisionado por Walcyr Carrasco)
2001 A Padroeira - (Novela de Walcyr Carrasco a partir de idéia de Válter Avancini, de adaptar a telenovela As Minas de Prata de 1966.)
2000 O Cravo e a Rosa - (Escrita por Walcyr Carrasco e Mario Teixeira, inspirada na novela A Indomável.)
2000 A Muralha - (Baseada na radionovela A Muralha, de Ivani Ribeiro, transmitida pela Rádio Bandeirantes nos anos 1950 e adaptada por Maria Adelaide Amaral em forma de minissérie.)
1996 Quem é você? - (Argumento - Escrita por Solange Castro Neves e Lauro César Muniz)
1994 A Viagem - (Remake)
1993 Mulheres de areia - (Remake de Mulheres de Areia unida à O Espantalho)
1989/1990 O sexo dos anjos - (Remake de O Terceiro Pecado)
1986/1987 Hipertensão - (Remake de Nossa filha Gabriela)
1985 A gata comeu - (Remake de A Barba Azul)
1984 Amor com amor se paga - (Remake de Camomila e bem-me-quer)
1982/1983 Final feliz

TV Record
1977 O Espantalho
1972 O Leopardo
1957 Desce o Pano (Ao vivo.Fonte: site do IMDB)
1954 A Muralha (Baseada em radionovela da mesma autora emitida pela Rádio Bandeirantes)

TV Bandeirantes
1998 Meu pé de laranja lima - (Remake adaptado por Ana Maria Moretzsohn)
1981/1982 Os Adolescentes
1980/1981 O meu pé de laranja lima - (Remake)
1980 Dulcinéia Vai À Guerra - (Continuação de Cavalo Amarelo, a partir da personagem Dulcinéia, criada por Ivani. Esta novela foi escrita por Sérgio Jockman)
1980 Cavalo amarelo
1980 A Deusa vencida - (Remake)

TV Tupi
1978/1979 Aritana
1977/1978 O Profeta
1975/1976 A Viagem
1974/75 A barba azul
1974/75 O Machão - (Argumento de A Indomável,adaptada por Sérgio Jockyman)
1974 Os Inocentes
1973/1974 Mulheres de areia (Baseada na radionovela A Mulher que Morreu no Mar de 1965, da mesma autora)
1972/1973 Camomila e bem-me-quer
1971/1972 Nossa filha Gabriela
1971 A Selvagem - (Remake de Alma Cigana)
1970/1971 O meu pé de laranja lima
1970 As Bruxas
1964 Se o mar contasse
1964 A gata
1964 Alma cigana
1958 A Muralha (Baseada em radionovela da mesma autora emitida pela Rádio Bandeirantes nos anos 1950)
1952 Os Eternos Apaixonados (série)

TV Excelsior
1969/1970 Dez vidas
1969 A menina do veleiro azul
1969 Os Estranhos
1968/1969 A Muralha
1968 O Terceiro Pecado
1967/1968 Os Fantoches
1966/1967 As minas de prata
1966 Anjo marcado
1966 Almas de pedra
1965/1966 A grande viagem
1965 A deusa vencida
1965 Vidas cruzadas
1965 A Indomável
1965 Onde nasce a ilusão
1964 A outra face de Anita
1964 A moça que veio de longe
1964 Ambição
1963/1964 Corações em conflito
1960 Teatro 9 (Teleteatros)

Tv Cultura
1962 A Muralha

Tv Universidad Católica, do Chile
1987 La Invictación (Adaptação de Os Fantoches, exibida pela Tv Excelsior em 1967)

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