domingo, 20 de junho de 2010

Vladimir Brichta se empolga com comédia escrachada de "Separação?!"


Desde que estreou na TV, Vladimir Brichta encarou tipos cômicos com um toque de galã. No ar como Agnaldo do seriado "Separação?!", o ator repete o gênero, mas sem o ar de mocinho. "Ele não tem nada a ver com o galã. Pode até ser bonito, mas não agrega esse rótulo, é só uma característica", analisa. Na história, escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, Vladimir interpreta o marido de Karin, vivida por Débora Bloch. Juntos, eles protagonizam um casal em crise, em meio a série de discussões a respeito do relacionamento. E é justamente o olhar bem humorado sobre a intimidade conflituosa do casal que deixa o ator empolgado com o novo trabalho. "Dá para ver que, por mais problemática que venha a ser uma relação, pode ser sempre vista com humor", destaca o mineiro de Diamantina, com o leve sotaque baiano adquirido durante os anos vividos em Salvador.

Com um jeito bem humorado, Vladimir tem facilidade para fazer comédia. Porém, mesmo depois de nove anos na televisão, o ator ainda sente falta do retorno imediato que o teatro oferece. "Me interesso em ouvir a equipe. Esse é o meu termômetro. Se não tiver esse retorno, fico a ver navios. Não dá para saber se está legal", explica. É exatamente por isso que ele fica receoso ao calcular o quanto se diverte durante as gravações do seriado. "Sempre tenho medo de falar isso. Às vezes, o ator fala: 'Estou me divertindo horrores', aí o público vai ver e não se diverte", diz, aos risos. Fazer rir, aliás, não é o único objetivo do ator. Para ele, ajudar casais que vivem dilemas parecidos com os de Agnaldo e Karin é um desejo. "Se eu souber de um casal que deixou de se separar ou de brigar porque aprendeu a rir, vou ter cumprido um papel lindo", comemora.

Em "Separação?!", Fernanda Young e Alexandre Machado escrevem situações escrachadas, que chegam à escatologia. O que você acha dessa linha de comédia?


Vladimir Brichta chora em episódio de "Separação?!"

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Tem episódios que a gente fala sobre meleca, cocô e vômito. Uma das coisas que mais gosto é essa ousadia nos temas. A Fernanda e o Alexandre escrevem diálogos muito inteligentes, que às vezes, flertam com a comédia romântica e, às vezes, flertam com o grotesco.

Como foi o processo de composição para interpretar o Agnaldo?

Não pensei muito em compor. Essa é uma forma moderna de fazer humor. O trabalho de composição já foi muito usado, mas deixa limitado. Então, são as situações que deixam o personagem mais assim ou assado. Quando conversei com o Alvarenga, ele me disse o tom do programa. A ideia era fazer um cara comum, para as pessoas se reconhecerem no Agnaldo.

É mais difícil ou mais fácil encontrar esse jeito do homem comum?

Acho que isso varia de ator para ator. Agora me sinto mais confortável, mas em um primeiro momento foi difícil. Quando se compõe um personagem que tem uma vida que foge do convencional, o ator tem onde se apoiar. É como interpretar um jogador de futebol ou um artista, posso me apoiar no excesso de vaidade ou segurança. Essas características servem como bengala. Para se livrar de características externas, tem de chegar mais desarmado e deixar fluir.

Como está sendo o retorno do público?

Vejo que as pessoas se identificam muito com o Agnaldo e com as brigas do casal. Outro dia, uma cara me viu na rua e disse: "Olha, ontem vocês estavam iguais a mim e minha mulher". Escuto isso sempre. Esse é o grande barato de fazer o seriado.

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