sábado, 11 de janeiro de 2014

Amores Roubados – Capítulo 3

 
 por Thiago Leal


Caça, caçador…

Quando achei que “Amores Roubados” não poderia mais me surpreender, eis que temos este terceiro capítulo espetacular que mudou tudo o que já havia sido estabelecido na minissérie até então. Afinal, se nos dois primeiro capítulos vimos todo o jogo de sedução de Leandro, que como um exímio caçador conquistou os amores de Celeste e Isabel, colocando as duas mulheres em seu rol de conquistas como troféus, aqui a situação mudou por completo e Leandro se tornou caça, não resistindo aos encantos de Antônia e se rendendo a uma situação que até então lhe é desconhecida.

Desde as chamadas este romance já nos era prometido, mas foi tão negligenciado pelo roteiro nos dois capítulos iniciais que eu já estava quase certo que seria algo trabalhado cuidadosamente em um futuro próximo. Imaginava que, neste momento, veríamos as dificuldades de Leandro em equilibrar seus casos com Celeste e Isabel para, só então, engatar em seu envolvimento com Antônia. Na minha cabeça não teríamos este casal se formando antes do quinto capítulo, pelo menos.

Outra surpresa maravilhosa deste envolvimento entre Leandro e Antônia foi o destaque dado às duas personagens, sobretudo àquela interpretada por Ísis Valverde que estava estranhamente apagada para uma protagonista nos últimos dois capítulos mas que, agora, apareceu com força e além de conquistar Leandro também conquistou o público.

Portanto, é necessário assumir que quem roubou a cena neste terceiro capítulo de “Amores Roubados” foi o próprio roteiro da minissérie, que antecipou um acontecimento importante e deixou ao público tal qual estava Leandro: desorientado. Tenho certeza que, assim como eu, neste momento ninguém sabe definir bem o que esperar da série. Ninguém sabe se prefere Leandro com Celeste, Isabel ou Antônia, mesmo sabendo que ele não terminará com nenhuma delas, provavelmente.

E a grande brincadeira aqui é que, eu que imaginava que o título da minissérie era uma referência direta a Leandro, mais uma vez me vi surpreendido ao notar que, mesmo que o rapaz tenha roubado os amores de duas mulheres casadas, foi a improvável Antônia que, na verdade, roubou-lhe seu amor. Talvez por isso, este seja o mais perigoso dos três relacionamentos que o rapaz possui já que assim como é certo que um Don Juan fatalmente conquista suas presas, é mais certo ainda que este tipo de homem, quando se apaixona, cega-se por completo.

E toda a construção deste romance nos mostrou exatamente isso “Ei público, vocês não estão apenas vendo mais uma conquista de Leandro” ao estabelecer tudo exatamente ao contrário do que havia sido estabelecido com suas duas últimas conquista. A começar pela iniciativa, que partiu de Antônia, depois o “acidente” que o deixou em uma situação de submissão a uma mulher que até então não tínhamos visto. Mas, sobretudo, o recado mais claro de que talvez este amor seja verdadeiro foi o fato de Leandro não conseguir transar com Antônia em sua primeira noite juntos.

Quanto aos outros dois vértices desse quadrilátero amoroso, mesmo que em segundo plano, fomos presenteados com mais momentos memoráveis de duas das maiores atrizes brasileiras: Patrícia Pillar e Dira Paes. Mesmo que sem destaque, as duas mulheres tomaram por completo os poucos momentos que lhes foram reservados pelo roteiro e transformaram em uma verdadeira aula de atuação, sobretudo Patrícia Pilllar.

Que cena brilhante aquela em que ela se descontrola com o sumiço do livro de poesias e tenta mostrar-se forte – ainda que em desespero – perante a filha. Aquele livro despertou sentimentos e desejos tão obscuros em Isabel que ele deixou de ser apenas um livro e se tornou quase que um diário. É como se seus pensamentos mais sórdidos estivessem ali, escritos nele dentre as poesias de Joaquim Carvalho e, exatamente por isso, é de se aplaudir a atuação de Patrícia Pillar tentando conter o descontrole pelo qual Isabel passava, sobretudo enquanto Antônia lia “aquele” poema e “olhando para a câmera”, Pillar nos mostrava tudo o que se passava pela cabeça de Isabel. Poucas atrizes no mundo são capazes de composições como essa.

Até aqui tivemos três capítulos, cada um dedicado a uma das protagonistas. Vimos a impulsividade de Celeste. A melancolia de Isabel. A vivacidade e juventude de Antônia. No meio disso tudo temos Leandro como um denominador comum que mesmo afirmando saber se virar sozinho deveria dar ouvidos ao seu amigo Fortunato e perceber que ele está longe de estar sozinho. Leandro não está apenas cercado de mulheres. Ele está cercado de mulheres fortes, decididas e impetuosas, que sabem bem o que querem. E no meio disso tudo temos Carolina, Jaime, João e Cavalcanti que terão suas vidas impactadas diretamente por todos esses relacionamentos perigosos.

Ou seja, todas as cartas já foram postas na mesa e, de agora em diante, “Amores Roubados” nos convida para jogar… E que os jogos comecem!

::: Alguns Devaneios Finais:
- Muita gente me cobra comentários sobre personagem A ou B, sobre este ou aquele ator e tudo o que eu peço é calma. O próprio Villamarim já adiantou que TODOS os personagens terão seu merecido destaque no tempo certo e eu comento apenas o que os capítulos nos oferecem… Ou seja, todos serão devidamente estudados quando seus respectivos momentos chegarem. Por exemplo: sou louco por Cassia Kis Magro e tenho certeza que Carolina vai ser uma das mais surpreendentes personagens, mas o que nos foi mostrado dela até agora foi tão pouco que não deixarei de comentar Antônia, por exemplo, para falar sobre ela. Eu sei que a hora de Carolina vai chegar e, se duvidar, vai merecer uma review toda para ela.

- Dito isso, nada impede de nestes devaneios finais, eu citar algo que mesmo que não tenha sido destaque no capítulo merece atenção. Dito isso, destaco a seleção de elenco inteligente que, juntamente com atores consagrados como Murilo Benício, Patrícia Pillar e Dira Paes, aproveitou para incluir no elenco atores pernambucanos talentosíssimos, mas desconhecidos do grande público, e me refiro, obviamente, a Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa que são fantásticos e estão desempenhando seus papéis – João e Fortunato, respectivamente – de maneira primorosa. E novamente destaco: não se tratam de atores iniciantes, mas sim de atores desconhecidos do grande público e que estão tendo a oportunidade de mostrar o quão talentosos são também na televisão.

- “Amores Roubados” surpreendeu mais uma vez e não apresentou queda na audiência de seu segundo capítulo, como é de se esperar normalmente de qualquer atração. Desta forma, o capítulo de ontem obteve os mesmos 31 pontos de audiência da estréia. Sucesso absoluto!

- Tivemos no capítulo uma overdose de The XX, mas estou longe de reclamar disto… Além de “Intro” – que continua tocando em loop eterno no meu iPod todo dia – tivemos neste episódio “Angels”, que é o tema romântico de Antônia e Leandro e traz em seu refrão uma repetição que nada mais é do que a representação clara do relacionamento do casal…

Um comentário:

Henrique Maurício disse...

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