segunda-feira, 6 de abril de 2009

Bia Seidl faz caipira em 'Paraíso' e se irrita quando dizem que ela estava sumida da TV


No ar em "Paraíso", Bia Seidl - atriz que atuou em três diferentes emissoras somente nesta década - se irrita quando ouve alguém dizer que só agora ela está de volta às novelas.

- Nunca parei de trabalhar - frisa Bia, que admite ter "batido na porta" da TV Globo para pedir um papel no remake de Benedito Ruy Barbosa, onde vive Aurora, mulher do prefeito Norberto (Leopoldo Pacheco) e mãe da avançada Maria Rosa (Fernanda Paes Leme). - Sou uma atriz que bate sempre na porta e ofereço o meu trabalho.

Aos 47 anos, Bia acredita que o mercado televisivo hoje é muito diferente daquele em que trabalhou nos anos 80, quando viveu tipos marcantes nas novelas "A gata comeu", da Globo, e "Dona Beija", da extinta Manchete. A atriz atuou em dez tramas naquela década e praticamente emendou uma na outra.

Exibida originalmente em 1982, "Paraíso" deu a Bia - vinda de um papel pequeno em "Jogo da vida" (de 1981) -, seu primeiro personagem de mais expressão na TV: Edith.

- Foi o Benedito quem me colocou na carreira com mais propriedade. Dali em diante as pessoas começaram a saber quem eu era - recorda a atriz, um dos rostos perfeitos que já ajudaram a vender uma famosa marca de sabonetes - Terminei de gravar "Paraíso" numa manhã e, no mesmo dia, já estava fazendo uma cena externa de "Louco amor" (trama de Gilberto Braga exibida em 1983) - conta.

Apesar de nunca ter parado, a atriz assume que a década seguinte não foi tão fácil. Bia integrou o elenco de tramas como "Sangue do meu sangue" e "Os ossos do barão", no SBT, dois trabalhos sem muita repercussão.

- Às vezes as pessoas não estão te desejando, não estão querendo você. São duas as soluções: ou você vai estudar, se investigar, ou fica triste. Fiquei com a primeira opção - relata a atriz, que não vê os anos 1990 como totalmente perdidos. - Ator lida com rejeição, passa por períodos de entressafra. É horrível. Mas mesmo assim fiz coisas importantes naquela época, como a minissérie "Memorial de Maria Moura" (de 1994) - destaca a mãe de Daniel, de 28 anos, e Miranda, de 10. - Tive o primeiro filho muito cedo. Quando temos 20 anos nos achamos imortais. Quando engravidei de novo, aos 37, tive a clara noção do que é a vida. E isso dá uma insegurança - confessa.

Hoje, poucos se lembram da Luciana de "Estrela de fogo" (em 98, na Record), ou da Leonor de "Jamais te esquecerei" (no SBT, em 2003). Mas Bia não se arrepende por ter passado por diferentes emissoras em sua carreira:

- Trabalhei na Globo, Manchete, Record e SBT. Eu me jogo.

Em cartaz em São Paulo com a peça "Cândida", de Bernard Shaw, Bia destaca a oportunidade de fazer a Aurora no horário das 18h, uma caipira com direito a sotaque e tudo.

- Não quis pesar no sotaque para ser gentil com os ouvidos do público. É ótimo fazer essa dona de casa sem muita malícia - diz a atriz, que apareceu numa trama inteira da Globo pela última vez em "Alma gêmea" (de 2005). - Sempre me associaram mais aos personagens sofisticados e maus. Fiz muitas mulheres riquíssimas e não adianta brigar com isso. Agora estou podendo me desconstruir.

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